quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Perigo previsto

"A ameaça mais séria ao futebol brasileiro, para mim, não está no resultado fortuito da Copa e sim na falsa compreensão que está presidindo as planificações das competições, baseando-se somente nas verbas extras. Nas verbas da loteria ou nas da transmissão ao vivo pelas televisões. A principal, a da arrecadação das entradas de público ao estádio, nem entra mais em cogitação. E, paradoxalmente, estão construindo estádio imensos que, a seguirmos assim, servirão apenas para jogos da Seleção Brasileira.

Prestem bem atenção. Nossos estádios estão ridiculamente vazios. Nossos homens estão enganados. Tristemente enganados. Não estão percebendo a continuidade do péssimo negócio que estão fazendo.

(...)


o perigo maior é o de ser criado um público diferente. Um público telespectador. Pois é, cada dia estão vendendo mais coisas para ajudar o futebol e cada dia menos gente nos estádios e mais clubes pobres. Cuidado."

João Saldanha, 7/6/1982

Há mais de trinta anos ele já alertava para o perigo dos clubes pobres e estádios vazios. O perigo de depender das cotas da TV (antecipadamente gastas por todo dirigente, que não se preocupa com a saúde financeira do clube no longo prazo em função do tamanho do mandato e a impunidade por sua irresponsabilidade), demonstrando a falta de sustentabilidade do modelo de gestão no nosso futebol. Quem está chocado com a atual situação do nosso clube é porque não observa o que vem acontecendo de maneira generalizada no futebol brasileiro há anos.

O passado nós conhecemos. E o futuro?

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