quarta-feira, 26 de junho de 2013

O estádio é nosso, caro Valcke

Ontem completou-se 35 anos da final entre Argentina e Holanda na Copa de 1978, aquela que eu repito que estudo há tanto tempo e que ficou marcada principalmente pelo regime ditatorial que a organizou. Acabei não fazendo um post especial, mas acho que, mais do que nunca, momentos como este estão sendo discutidos, e isso é muito bom. Não se trata de desmerecer a vitória de ninguém, nem apontar dedos para os que torceram, mas sim pensar estas relações futebol/política/poder, sempre tão complexas.

E hoje, com tudo que vivemos nas últimas semanas no Brasil e as muitas críticas à Copa, lá vem o "querido" Valcke falar mais asneira: "Estádio não é lugar de protestos". Se existe alguém que perde muitas oportunidades de ficar calado, este é um exemplo.

Mas não farei aqui mais um post contra este ser. Aproveitando que hoje temos Brasil e Uruguai, vou deixar minha resposta nas mãos dos nossos hermanos. Em janeiro de 1981, na final do torneio Mundialito em Montevidéu, os uruguaios nos venceram e garantiram a taça. Dois meses antes os uruguaios votaram em um plebiscito para definir a continuidade da ditadura no poder, e a vitória foi do NÃO. A derrota do regime foi também em campo: ao terminar o jogo, num estádio Centenário lotado e enlouquecido em festa, os torcedores gritavam: "Vai acabar, vai acabar a ditadura militar!". A festa tomou as ruas, coisa linda de se ver, o futebol proporcionando esses momentos. 

Pois é, "senhor" Valcke: você pode tentar, mas os estádios são nosso, e se quisermos protestar nós o faremos!




(o vídeo é parte do documentário Mundialito, e você pode saber mais aqui: http://requechando.com/Requechando/Mundialito--Pelicula-documental-uruguayo---2010--DVDrip-/6798/0)

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