segunda-feira, 6 de maio de 2013

O melhor do Rio! Botafogo Campeão em São Paulo

Andam dizendo por aí que ninguém queria o título de Campeão carioca... ainda bem que eu e Seedorf queríamos!

A campanha do Botafogo na Taça Rio foi exemplar (pois é, serve de exemplo pro time dos outros também) e a final, com toques botafoguísticos, nos deu o merecido e inquestionável título de Campeão, assegurado pela prévia conquista da Taça Guanabara. Eu, como adoro uma promoção do tipo jogue dois ganhe três, adorei! Até porque, mesmo o melhor dos times pode sofrer com o imponderável e, futebol, nós sabemos, é uma caixinha de surpresas...

O que eu quero contar aqui foi a minha experiência.

Bem, para quem não sabe, meu mozão é torcedor do fla. Embora não seja do tipo chegado à carniça, ele tem aquela outra característica: só acompanha o time quando a campanha é boa (embora ele vá discordar dessa afirmação). Resultado: cancelamos o pay-per-view. Pensei que aqui em São Paulo fosse mais fácil acompanhar os jogos na Globo ou Sportv. Não, não é.
Talvez por não existir muito interesse em jogos do Quissamã ou Volta Redonda. Não sei.

Fato é que tinha que arrumar um lugar pelo menos pra ver a final! Pelo menos o flu se dignou a chegar lá porque clássico é mais gostoso de disputar e principalmente ganhar.

No sábado, aniversário de uma querida amiga super paulistana e cheia dos amigos, perguntei onde seria um bom lugar pra ver o jogo. Queria fugir do tal do São Cristóvão porque achava muito óbvio e talvez característico de torcedores daquele time que tem vermelho no uniforme e não chegou às semifinais. Um amigo sugeriu o bar O Torcedor, no Museu de Futebol, disse que lá tinha muuuuitas tevês e que era ótimo (animal! como se diz por aqui: nossa, é animal!).

Eu adorei a idéia, afinal, há quase um ano enrolo pra ir no Museu e assim matava dois coelhos... olha lá a promoção de novo!

Pra quem não sabe, o Museu do Futebol fica no Pacaembu e my love ficou com medinha de ter muito mano do curingão lá e ser violento, mesmo o jogo entre o alvinegro e tricolor paulista ocorrer no Morumbi no mesmo horário. Bem, talvez fosse sensato ponderar... então decidi: vamos no museu e se por acaso não tiver bom ou se não passarem o meu jogo, partimos pra Vila Madá.

Ótima decisão porque o museu é MARAVILHOSO! Ainda não vi tudo com calma e de qualquer forma é um local onde sempre podemos voltar pra ver jogadas de Mané e Pelé, imagens de todas as Copas e muito mais. Enfim, até pra quem não gosta do esporte, tem que ir (e passar a gostar).

Chegando no Torcedor (ao qual já tinha telefonado no dia anterior pra garantir que estaria aberto e teria o jogo passando) todas as cerca de 20 TVs estavam passando a semi-final do paulistão. Pedimos e fomos atendidos: uma TV grande sintonizou o MEU jogo (que já tinha começado há uns vinte minutos porque me prendi na teia de Garrincha) na área externa e outras na interna do bar. Sentamos do lado de fora onde a mesa era melhor. Porém, isso significava ouvir a narração e comentários do outro jogo. E isso inicialmente deu um nó no meu cérebro...

Enfim consegui ativar o modo olhos ligados, ouvidos desligados e o que vi foi uma bela apresentação do meu alvinegro. Claro que certas jogadas me irritavam, final é final, mas o que saltava aos olhos era mesmo nosso camisa 10. Incansável, perfeito. Uma lição: não basta ser guerreiro, tem que dominar a bola, ver a jogada, amar o jogo. Para quem achou que Clarence vinha ao Botafogo pra vender camisa e tirar foto... foi a prova final contrária.

Não vou me emocionar no botafoguismo porque o assunto aqui é outro: a experiência.

Apesar de ter me acostumado com o som e imagem dissonantes (as vezes coincidentes, o que é pior ainda!), não se pode comer um cachorro quente impunemente quando se assiste jogo sem narração. Cuidando pra que o molho não caísse em mim, tirei os olhos da tela e só voltei a tempo de ver Rafael Marques comemorar. Tudo bem, tem replay! E twitter, pra sentir o clima da galera, que era o mesmo que o meu: falei tão mal desse homem e estou tão feliz que ele fez esse gol... enfim, Isso é ser torcedor! Torcedora, no caso.

Bato palminhas! yes! Entre bambis e timoneiros não tinha quem abraçar. Restou-me meu urubu favorito (raramente torço por ele, que quase sempre torce por mim) e o foco na partida: só acaba quando termina.

Antes disso: gol do Fogão, mas com impedimento marcado. Tinha acabado de ver a exposição temporária: Será que foi, seu Juiz? que justamente mostrava como o ângulo de visão interfere nesse tipo de decisão, pois ilude o observador. Julguei que a câmera da TV não usou o melhor ângulo para seu famoso tira-teima. De toda forma, os jogadores estavam tão próximos que, com a TV sem som não ouvi o que o comentarista entendeu. No twitter, estávamos sendo roubados. Novidade, né? Mas a injustiça é o combustível do botafoguense, que, no fundo, gosta de ter que superar um adversário a mais.

Jogo vai, jogo vem, só acaba quando termina. Eis que vejo um belíssimo gol do menino Dória, mas me segurei antes de comemorar: parece que os gols do Botafogo não estão valendo hoje. A sensação não era pura paranóia. Vejo o juiz na área explicando alguma coisa. Peraí: foi penalty? Mas gol não é melhor que penalty (essa é a regra da lei da vantagem, assim como a entendo)? No replay só mostraram o agarrão na área, será que Dória poderia estar impedido? Que porra surreal é essa? Twitter. Gente! Não tenho som, o que tá acontecendo? Meus amigos (flamenguistas) dizem que foi lambança mesmo. O gol foi legítimo, mas o juiz apitara o penalty antes (o que não impedira o goleiro de tentar agarrar a bola) e assim ele anulou o gol e exigiu a cobrança da penalidade.

Agora vejam o que é uma pessoa que não entende nada de ser botafoguense vendo esse lance: marido pergunta: porque você não está comemorando? Se fosse penalty pro meu time eu estaria comemorando! Achei surreal a pessoa simplesmente aceitar a troca de um gol certo por uma cobrança duvidosa.

Melhor não perder tempo explicando: a gente tinha marcado um gol. Penalty não é gol. É Só penalty.

E pra piorar, nosso melhor jogador, nosso herói e mito em atividade iria cobrar. Desculpe, mas vou revelar o que se passou pela minha cabeça: o ídolo sempre perde esse penalty. Era melhor qualquer outro bater. Mas tudo bem, sempre tem uma esperança de eu estar errada - tomara! - e além do mais ainda estamos na frente.

Infelizmente eu acertei, mas felizmente tudo deu certo. Lá pelas tantas, quando o jogo paulista (que começara um pouco antes do meu) estava pausado para esperar os penalties, lá vem um bêbado se meter a ver meu jogo. Homem nunca acha que é a mulher que tá interessada naquele jogo e lá vai ele puxar papo com o flamenguense e querer mostrar que entende alguma coisa do MEU time. E eu pensando: cala a boca, bêbado idiota! Vaza. Acho que ele se tocou e vazou antes que eu precisasse falar isso.

Enquanto isso, ao meu lado, uma mulher com o filho e o sobrinho (deviam ter uns nove anos cada um) assistiam ao jogo local. Os meninos eram muito fofos, animados e torciam para o curíntia.

Título do Fogão assegurado, conta paga. Vamos ver as cobranças de penalidades e ver se vai sair confusão aqui! tô brincando, mas ali tinha torcedores dos dois times, queria ver a dinâmica.

Era um duelo entre tricolos e alvinegros. Aqueles dois meninos sorridentes e animados estavam torcendo pro alvinegro. Que se dane, vou torcer pro sorriso desses dois! Hoje não é dia de colorido!

Tudo transcorreu em paz.

As capitais são pretas e brancas. O Rio até o ano que vem. São Paulo até a final. Futebol é foda. Botafogo Campeão.


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