segunda-feira, 29 de abril de 2013

Relato de uma dor de cotovelo



Quando a obra do Maraca começou, nós acompanhamos por um tempo, com relatos super legais das experiências que todos nós temos do "Maior do Mundo". Você pode relembrá-los aqui. Naquele momento nós contamos com a ajuda do querido tio Maraca, que deu também o seu relato, super emocionante.

Bom, e aqui o temos de volta. Ele teve a oportunidade de ir à inauguração do novo estádio no sábado, e nós achamos a chance perfeita para que alguém que conhece tão bem nosso velho Maraca contasse como foi esta experiência. O texto é lindo, emocionante, e triste. Mas necessário. E fica aquela dúvida no ar: como faremos agora para gritar: "O Maraca é nosso"? Obrigada, tio Maraca!

***


Agora é à vera! O Maracanã vai reabrir. O convite para a reinauguração, oferecido com gentileza e deferência já me conduz ao primeiro conflito: lisonja por ser convidado ou incômodo por necessitar de convite?



Aceito e me  entrego  a este reencontro.
Protelo a saída de casa numa clara demonstração de receio do que vou encontrar e sentir.
Paro o carro bem longe (nos primeiros sinais de trânsito complicado) e faço o resto do percurso a pé. Pra onde me dirigir? Setor Vermelho – Entrada D – Nível 1o andar – Bloco 122 – Fileira H – Assento 19... Onde diabos será isso???
Sou abordado por um sorridente voluntário vestido de verde, ainda distante do estádio, que gentilmente me oferece ajuda para me localizar no Maracanã. Me incomoda a constatação de que preciso daquela ajuda.
Com a devida informação, me dirijo para a Rampa do Beline. No caminho e com a ausência de tapumes, percebo que a “grande solução” para o escoamento do público em oito minutos (“exigência FIFA”), consiste em levar a rua para mais perto das saídas. Brilhante! O fato de concretarem o antigo laguinho e seu jardim de entorno parece não importar muito.
Mas voltemos para as passadas reticentes de um emocionado velho “reclamão”, encharcado em críticas semi-prontas, mas não menos revestidas de razão.
Encontro com a minha companhia (entre tantas merecedoras de estar ali comigo, foi escolhida a dedo). Minha filha, lindamente trajada, conhecedora dos meus sentimentos, estava pronta para me oferecer carinho, suporte e “sangue novo”.

Adentro o gigante olhando para todos os lados sem nada reconhecer,  mas aprovando  o que via. Sempre com o auxílio de inúmeros voluntários, me desloco para o endereço estampado no meu convite. Encontro todo o setor repleto e me vem uma oxigenada lufada de “déjà vu” ao receber a informação de que “- Cada um deve escolher o melhor assento vazio, pois não estava valendo o lugar marcado!”  Me senti saudosamente em casa e até esbocei um sorriso meio maroto..
Devidamente acomodado no local disponível, percebo que o estádio é deslumbrante. Cobertura monumental (impossível desviar os olhos do alto).
Cadeiras confortáveis e bonitas, em tons de amarelo, azul e branco, dispostas numa linda mistura que remetia ao degradé.
Percebo um acanhado e impecável campo, tipo “mesa de bilhar” com entorno em grama sintética. Quatro telões magníficos, som de ginásio com o devido animador (parecia jogo de vôlei), um terço do estádio ocupado por uma platéia animadíssima ( na maioria composta por orgulhosos operários e seus familiares de todas as faixas etárias).
Acendem-se as luzes cênicas para o início do show de abertura. No vazio setor central, atrás dos bancos de reservas, estende-se uma bandeirona branca para receber a projeção de imagens. E estas começam em preto e branco. Retratos da construção original do estádio. Emocionei-me lembrando do meu pai. Essas imagens em preto e branco sempre me remetem a ele, não sei bem porque.
A projeção continua com belíssimas e ufanas imagens da cidade maravilhosa e da reforma/construção do novo estádio.
Neguinho da Beija-Flor começa a entoar “...Domingo, eu vou ao Maracanã...”, acompanhado por um coral de vinte mil vozes. E sinto-me agradavelmente em casa quando o refrão reafirma a hegemonia do “Mengô”! Éramos maioria absoluta. E esta mesma maioria quase me mata de vergonha quando vaiou a Fernanda Abreu “apenas por estar mal vestida”...rs.
Alternam-se cantores trajados com as cores dos times mais populares da cidade para um sempre emocionante Hino Nacional.
O jogo começa revelando-se bem menos importante do que todas essas observações desse pretenso reencontro. Mas me vem uma dolorosa constatação. Não há reencontro! O “meu Maraca” não está mais lá! No seu lugar, ergueram um novíssimo ”Maior estádio do Brasil”. Espetacular em sua grandiosidade e modernidade. Algo como um lindo filho que vem substituir um  saudoso velho pai, adorado por todos (e que partiu ainda “inteiraço”).
Somente o tempo e as atitudes dos gestores vão mostrar se nós torcedores, legítimos donos daquele pedaço, vamos aceitá-lo e amá-lo, referendado pelas conquistas futebolísticas, como amamos e reverenciamos o nosso Velho Maraca!




4 comentários:

  1. Nossa! Lindo demias!!!! Emocionante,espero que minhas filhas digam o Maraca é nosso!!!!
    Parabéns Rodolfo,pelo lindo texto!

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  2. Juju, é o apelido mais merecido, não é?

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  3. Nossa muito emocionante o depoimento
    bjs

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