terça-feira, 26 de março de 2013

O bom profissional

Pelo título, o leitor poderia imaginar que estaríamos falando de Seedorf, nosso amado e inspirador atleta. Porém, não é o caso.

Quero hoje falar sobre a confusão que ocorreu no último jogo do Fogão, onde o árbitro foi a figura que mais apareceu, mais do que qualquer jogador ou técnico ou até mesmo a torcida (sendo considerada com um único personagem).

Claro que este fato se deve ao nível não tão bom da partida, mas, acima de tudo, ao alto nível de lambança e mau uso do "poder" do juizão. Este profissional deveria ser uma espécie de "fiscal", verificando se as regras estão sendo cumpridas, garantindo sua aplicação e punindo eventuais desrespeitos à mesma. Sua função não supõe invencionices.

Eu acho engraçado como muitas vezes vemos jogadores revoltados gritarem os maiores impropérios para árbitros e auxiliares e não serem punidos com cartão algum. Apesar disso, Seedorf, que já fora punido por reclamação, recebeu um segundo cartão pelo mesmo motivo! Bem, se isso não é querer aparecer, não sei mais o que é. Sem contar a lambança do sr. Philip Goerg Bennett em querer definir por qual lado o jogador deveria sair para ser substituído, quando o mesmo não encontrava-se relacionado para sair da partida!!

E assim, após 800 partidas, Seedão ganha um vermelhão...

não é por isso que vamos colocar uma foto triste, né?


O Caio Araujo, do blog do GE.com (que conheço de vista das arquibas) já explicou com detalhes todos os erros e mentiras deste senhor, então dá uma lida aqui.

Este post é/era na verdade para falar de uma forma mais geral sobre a natureza da profissão de árbitro de futebol.

Tendo trabalhado durante muitos anos no mercado de iluminação cênica (e meu pai antes de mim e até hoje) e pela minha natureza curiosa e estudiosa, sempre prestei muita atenção a este aspecto em qualquer local (seja numa peça, num show, e até mesmo em lojas e restaurantes).

Vamos usar aqui o exemplo da iluminação no teatro pra facilitar a análise. Embora haja um lado artístico neste trabalho, de maneira geral, quando se trata de palco (e o campo nada mais é do que um grande e verde palco), quanto melhor o iluminador, menos se percebe a presença da luz (aos olhos do leigo, claro). Se a luz aparece muito, é porque ela está desconectada do espetáculo, não está contribuindo para revelar suas melhores qualidades e servir à narrativa. Uma iluminação muito bem feita não é senão mais um dos elementos que, combinados, dão sentido à história e tocam o espectador através de seus olhos e ouvidos. Se o espectador "comum" percebe a iluminação, muito provavelmente ela se descolou daquele universo e por isso chamou sua atenção, mesmo que seja considerada bonita.

Bem, eu diria que a boa arbitragem é como a boa iluminação: quanto menos se nota, melhor é. Claro que temos comentaristas especializados e tira-teimas para esclarecer marcações mais polêmicas. Existem aqueles casos de impedimentos milimetricamente definidos em que, sinceramente, não sei porque não podemos utilizar a tecnologia para garantir a melhor aplicação da regra quando, obviamente, o erro ou acerto depende mais de sorte do que de precisão técnica.

Contudo, não estou falando destes casos mais complicados e sim do simples fato de que quando o assunto mais comentado sobre uma partida é a arbitragem, não tenho dúvida alguma de que o árbitro não fez um bom trabalho.

Torçamos para que no próximo jogo possamos falar sobre jogadas e gols maravilhosos, e não expulsões e penalties e não penalties confusos.

2 comentários:

  1. Sabe aquela musiquinha cantada nos estádios que é a famosa: êêê tem um...querendo aparecer? Resume absolutamente tudo!
    E ainda vejo gente tratando o árbitro com sua lambança feita como herói, alguns jornalistas mesmo!!
    Abraço Camilla!
    Igor(@igorsausmikat)
    meu blog de esportes: http://igoresportes.blogspot.com.br/ e no twitter @blogdoigor05

    ResponderExcluir
  2. Pois hoje mesmo o rmp defendeu o juizinho... é de doer, né Igor? Mas a gente tá aqui pra não deixar a opinião dessas pessoas serem a única, mas apenas mais uma.

    Saudações

    ResponderExcluir