quinta-feira, 25 de outubro de 2012

O Maraca não é nosso (parte 2)

Em maio de 2011, comentei aqui a notícia de que o nosso querido "maior do mundo" seria privatizado (use um eufemismo se quiser) após a conclusão das obras.

Na época uma pequena nota já me revoltou e agora que o assunto volta à tona, a cada dia aumenta meu desgosto como fato e nojo com nossos queridos governantes (certamente são muito queridos por quem vota neles).

Primeiro fato nojento: gastamos coisa de 1 bilhão nesta reforma (sim, gastamos todos nós). O vencedor da disputa deverá pagar 7 milhões de aluguel anualmente, sendo isento nos dois primeiros anos e poderá LUCRAR (receitas menos despesas) mais de 100 milhões por igual período (um ano). Além deste aluguel, caberá ao consórcio bancar reforma no Maracanazinho, construir um museu, dois estacionamentos e áreas de lazer, e ainda, destruir o Museu do Índio (vamos combinar que já está destruído devido ao abandono) o estádio de atletismo e o Parque Aquático Julio de Lamare.

Bem, não precisa ser doutor em finanças pra ver que esta conta não favorece os interesses da população ou dos clubes. Mas quem sairá ganhando com isso, se não são os clubes, nem os torcedores, nem a população? Humm

Li no blog do Juca Kfouri: "Dados do TRE confirmam que Eike Batista doou 750 mil à campanha de Sergio Cabral ao governo do estado, em 2010; segundo o jornal Folha de S. Paulo, o empresário anunciou ainda a doação de cerca de 139 milhões a projetos de interesse de Cabral".

Já ouviu falar que não existe almoço grátis? Pois é. Pense num almoço de 140 milhões...

Não me lembrava deste fato, mas segundo li no Lancenet, o Coaracy Nunes, presidente da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos, o mesmo Júlio de Lamare foi remodelado por iniciativa do Sergio Cabral em 2007 para o Pan. Ou seja, pagamos por uma reforma para deixar o parque novinho e agora ele será demolido. Mais uma brincadeira com o dinheiro do contribuinte.

Afora as questões de administração pública em favor de interesses privados, temos que pensar também no lado afetivo dessa coisa toda. Todos sabem aqui que somos, as quatro, apaixonadas pelo Maraca e por todas as alegrias (e tristezas também por que não? se chorei ou se sofri, o importante é que emoções eu vivi) que vivemos ali.

Renato Maurício Prado defendeu em sua coluna uma concessão dividida entre fla e flu. Além de não confiar nos gestores dos clubes para tamanha tarefa, acho, mesmo, que o Maracanã pertence a todas as torcidas. Esses clubes podem ter seus estádios, mas o Maracanã não pode ser deles. E não é só porque sou botafoguense que digo isso. Nós "temos" o Engenhão, mas a história de todos os clubes passa pelo Mario Filho, ele é um patrimônio do futebol nacional. Mundial, eu diria. E quem iria discordar?

Não encontrei informações sobre como seria, digamos, a mecânica da concessão. Os times terão que pagar um aluguel para jogar lá? Como será a divisão de receitas? Vamos pagar um ingresso caro para enriquecer os empresários que financiam campanhas de políticos? Se alguém souber, manifeste-se.

O governador afirmou que o Estado "tem de concentrar esforços naquilo que é importante". Bem, além do grande potencial de lucro do estádio (por que somente os cofres de uma entidade privada seriam capazes de engordar com essa exploração?), o mesmo é parte da  memória afetiva da cidade, dos clubes, da história do próprio futebol. Saúde, educação, transportes, tudo isso é importante. Mas dizer que lazer, o esporte mais querido do país e história da cidade não são importantes? Se não é importante, justifique os gastos astronômicos com a dupla reforma do estádio (primeiro para o Pan e agora para a Copa)!

Nossa sessão O Maraca é Nosso está aí para mostrar diferentes relatos de torcedores diversos no templo do futebol. Convidamos a todos a continuarem mandando suas histórias e a se manifestarem contra essa SACANAGEM que estão fazendo com todos nós.

levante o seu dedo do meio e grite.

2 comentários:

  1. http://copadomundo.uol.com.br/noticias/redacao/2012/10/25/privatizacao-do-maracana-nao-pagara-juros-dos-financiamentos-para-reforma-da-copa-de-2014.htm

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  2. Obrigada por mais essa análise sobre a indecência do que está acontecendo

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