sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Em defesa de quem escolhe a TV (ou a internet, o rádio...)

O tema desse poste é polêmico: torcedor que não vai ao estádio. Já conversei sobre isso com muita gente, inclusive entre nós, Lulus, temos atitudes diferentes: Camilla e Marcela prestigiam seus amados clubes com maior frequência que eu e a Nanda. Não acho que a principal razão é morar ou não no Rio, mas isso também influencia, claro. Sempre escuto essa discussão por aí, mas hoje resolvi escrever ao ler o blog do Mauro Cezar, da ESPN, de quem gosto bastante. Dessa vez, pra discordar um pouco. Ou muito.

Realmente acho que ir ao estádio é parte do espetáculo, de ser torcedor, de amar e acompanhar seu time. Mas, e realço isso, EU acho. EU sinto assim. E não considero menos torcedor aquele que acompanha pela TV o seu clube. Ou pelos comentários online dos sites (gente, isso é muita prova de amor, aguentar transmissão em tempo real só pra quem é realmente fanático). E conheço até uns farofeiros que vão ao estádio, mas não sabem dizer nem 3 jogadores do tal "clube do coração". Não acho que seja tão simples a lógica vai ao estádio = torcedor de verdade.

E sabemos que existem muitos motivos para um torcedor optar pela TV. Vamos pensar alguns aqui:

1. O conforto. Sim, ele é importante. talvez não pra você que tem pique pra tudo -e que alegria, mas nem todo mundo é assim- mas acredito que muitos torcedores colocam na balança ir ao estádio e sentar no sofá. Eu não disse que é a mesma emoção, antes que distorçam minhas palavras. Mas sabe, tem dias que a gente quer um descanso depois de tanto perrengue na vida. Imagina num dia de semana à noite!

2. Obras e distâncias. Considero que o problema aqui vem num pacote 2X1. Com as tantas obras pra 2014, muitos clubes passaram a jogar em outros estádios, normalmente menos centralizados e até fora de suas cidades. Vamos apelar ao bairrismo e pensar no caso carioca. O Maracanã foi inaugurado em 1950. O que significa que a maioria dos torcedores cariocas atuais se "formaram" visitando o "maior do mundo". Tivemos algumas outras obras, mas nunca nenhuma tão longa. Particularmente, meu "drama" é ainda maior: ele fica a 5 minutos andando da minha casa. Agora, pensem comigo: eu vou fazer o esforço de ir até o Engenhão? Sinceramente, não. Não pra um jogo da 10a rodada do Brasileirão, no meu caso um clássico. Como também não vou ao São Januário. Se for um jogo importante, aí é diferente, mas pra "rotina", não vai rolar. E a questão do temporário não facilita. Como eu sei que o Maraca vai voltar, aguento a seca de alguns anos. E o aconchego do sofá e do jogo com os amigos, do bar.

3. Compra do ingresso. Pois é, comprar ingresso já não é mais aquela coisa simples de antes. Temos pontos de venda, mas quem já foi comprar ingresso em um desses lugares sabe que tem horas que é um exercício de paciência. Eu já perco a minha quando vejo um cambista fazendo a festa (não falo de filas já que nessa reflexão estamos falando de jogos considerados não importantes, ou corriqueiros). Dá até um prazer saber que ninguém vai aparecer e o demônio dos ingressos vai ter que comer todos aqueles que comprou. A compra da entrada significa também que você tem que se planejar antes. Não é mais tão simples como chegar lá e comprar, vamos decidir agora o que faremos no domingo. Não, não dá. Nem sei o que vou almoçar amanhã, imagina saber se na 4a feira vai dar pra ir ao jogo? E pra terminar o drama da compra: ok, você vai falar que existe a internet. E aí quem é estudante, fica de fora. E eu ainda tenho minha carteirinha (oficial, viu? Nada de piadas), e quero meu direito. Com o que ganho, se for pagar inteira 2 vezes por semana pra ver futebol...

4. O valor. Chegamos no ponto principal, o valor do ingresso. 60 reais pra ver jogos da Libertadores. Isso é imoral, ridículo, e me faz querer jurar que nunca mais piso num estádio de futebol. Não aceito o papo de que é Libertadores, mas mesmo considerando um jogo do Brasileirão, não dá. O valor é abusivo, e todos sabemos. Agora pense em ir duas vezes por semana ao estádio. Na 4a feira, se você for direto do trabalho (naquele trânsito gostoso do Rio de Janeiro), inclua ainda a comida. Sério, é inviável mesmo se fosse uma piada de que tricolor é cheio da grana. O Mauro Cezar comentou de alguns clubes que estão com ingressos mais baratos, pra tentar aumentar o público. Acho que é um bom caminho, mas isso não se resolve de um dia para o outro. Primeiro porque, como a maioria sabe que é uma exceção, as pessoas vão continuar guardando o dinheiro pra quando for um jogo mais atrativo. Segundo que muitos já se renderam ao sedentarismo do jogo em casa, e vai ser difícil mudar. Ou tem aqueles que, como eu, ficam ainda mais irritados pensando: "Então podia ter sido 20 reais o jogo passado e eu otária paguei 40?". 

Bom, acho que fico nesses 4 pontos. Teria mais pra falar, mas o post já tá imenso, em pleno feriado, nem meus pais vão ler isso aqui. Mas queria só tentar olhar de outra forma pra situação dos estádios. 

E pra criar mais polêmicas: minhas leituras acadêmicas sobre futebol mostram que o fenômeno do estádio vazio não é uma coisa tão recente assim. João Saldanha, por exemplo, foi um que chamou a atenção pro que acontecia no início da década de 1980. Ou seja, é um problema mais antigo, e mais profundo, do que a gente pensa. Como praticamente tudo no universo do futebol.

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