sexta-feira, 13 de julho de 2012

Senado, FIFA, CBF...

Essa semana foram divulgadas matérias confirmando o envolvimento de João Havelange e Ricardo Teixeira em esquemas de favorecimento de empresas em troca de "comissões" milionárias nas Copas do Mundo dos anos 90.

Aquilo que muita gente já sabia (há livros publicados sobre esses controversos personagens), agora é fato documentado. Uma das matérias você pode ler aqui. Inclusive aí vemos que o atual presidente da FIFA, Blatter, chama as propinas de comissões, alega que as mesmas eram legais e que por isso botou panos quentes sobre as investigações. Por outro lado, Blatter agora afastou Teixeira da entidade. Quer dizer, se está tudo dentro da lei, qual é o problema?

Na verdade, eles (Havelange e Teixeira) pagaram uma parte do dinheiro recebido para que as informações fossem mantidas em sigilo (isso é legal, pelo menos na Suiça), porém, recentemente, a justiça suíça determinou a divulgação do dossiê da falência da ISL, por considerar que ali existem informações de interesse público (além do nosso, há , por exemplo, empresas que foram lesadas com estes acordos).

Surgem aí alguns questionamentos importantes:
1 - Por que aqui no Brasil puxamos saco de corruptos e safados, homenageando-os inclusive com nomes de estádios? Tudo bem que até hoje não entendo se o nome do Engenhão é Stadium Rio ou Estádio Olímpico João Havelange, mas tá mais do que na hora de tirar o nome desse cara de lá. Aliás, porque não tornar oficial o nome que todo mundo usa?

2- Terá Blatter suas próprias "comissões" para defender os safados? Pensando que João Havelange já não terá muito tempo na Terra, será que não é conveniente desviar as atenções para ele? Diz-se também que o presidente e Teixeira não se dão (provavelmente uma queda de braço por poder), e agora ele pôde afastar o desafeto da entidade sem contestação. Apesar dos protestos dos políticos europeus, acho que ele sai fortalecido pela maneira como a história está sendo contada. Pelo menos por enquanto.

3 - Será que o vislumbre da divulgação dessas notícias foi o que realmente levou ao afastamento de Ricardo Teixeira, mantendo assim algum tipo de imagem da CBF (quando na verdade sabemos que, à distância ele permanece mandando e desmandando e inclusive recebendo um salário de cerca de 100 mil reais da mesma!)?

4 - Como agora os dirigentes europeus irão utilizar essas informações para controlar a entidade, sob a desculpa de que brasileiros (e latino-americanos em geral) são por princípio corruptos e portanto não devem ter poder nas entidades esportivas internacionais?

Não para por aí. É claro que os dois não são os únicos espertos metidos num antro de gente honesta, né? Mas para punir é preciso julgar, para julgar é preciso investigar, e para investigar, alguém precisa se interessar pelo assunto.

Para você que acha que futebol nada tem a ver com política, um beijo! Comemore a construção do seu estádio, as reformas (superfaturadas) dos estádios públicos e seja feliz.

Essa foto já tá circulando por aí, mas é tão boa que preciso repetir.



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