quinta-feira, 3 de maio de 2012

A camisa bem feliz


Hoje é um daqueles dias que adoramos sair com a camisa do Gigante pelas ruas, comemorando uma importante vitória (mesmo achando que podíamos ter conseguido uma vantagem maior). 

E quem é torcedor sabe: a camisa é um dos maiores símbolos do clube. É nela que colocamos nossa paixão, nossa identidade com o time, que desfilamos orgulhosos a nossa torcida. Nosso “manto”, segunda pele, ela tem aquele lugar especial no futebol (e no armário!), e nunca imaginei que seria tão difícil escolher as minhas cinco preferidas do Vasco. Foi tão complicado que me deixou ansiosa, com medo de errar, uma hora achando que todas mereciam estar aqui, outras achando que apenas a que escolhi como a número 1 merecia ser homenageada. Foi um trabalho delicioso, claro, mas também tenso.

Antes de mostrar as 5 vencedoras, a história das camisas vascaínas merece ser contada. Como todo mito, ela tem várias versões, e não acho que devemos impor qual é a “verdadeira”. Essa é a coisa linda da torcida: vivemos de forma diferente nossa história e nossa memória com o clube. E tratando-se do Vasco, a imensa torcida bem feliz tem muito pra poder se gabar!

A semelhança com a camisa do clube argentino River Plate é evidente, mas também é motivo de polêmica. Uma das versões afirma que a clássica camisa branca com a faixa foi realmente inspirada no clube “hermano”. Segundo esta versão, o técnico uruguaio Ondino Viera (quem montou o Expresso da Vitória) que comandou o Gigante entre 1942 e 1946, teria se inspirado em seu clube anterior para propor a nova vestimenta.

Mas para muitos essa história é pura lenda. Em 1938, quatro anos antes da chegada do uruguaio, o Vasco jogou com a hoje tradicional camisa contra o Bonsucesso , em partida válida pelo campeonato carioca. De acordo com o jornalista Sérgio Cabral, a camisa com a faixa existe desde a fundação do Vasco, em 21/08/1898. Era o uniforme das equipes de remo, e quando o clube passou também a praticar futebol, adotou uma camisa diferente, toda preta com uma cruz no peito. Mas ninguém tem dúvida de que foi Ondino que popularizou a camisa branca com a faixa lateral, hoje símbolo do time da Colina. E é isso que realmente importa ao torcedor, certo?

Se a faixa gera alguma polêmica, a cruz foi sempre presente na camisa. Primeiro foi a “mistura” da cruz de malta com a cruz grega, o que conhecemos como Cruz de Cristo. Com algumas variações ao longo dos anos, ela esteve sempre lá, representando as grandes navegações portuguesas. Nossa camisa é muito mais do que um uniforme: ela é nossa história, e selecionar as preferidas é também reviver momentos inesquecíveis.


Sei que pode parecer batido e careta, mas não podia deixar de colocar a primeira camisa vascaína de futebol. Não só pelo que ela significa, mas ela é linda demais! Adoro esse modelo todo preto com a cruz no peito, gola e pontas das mangas em branco.  


Vou seguir a ordem cronológica e colocar aqui minha segunda escolha: a camisa do nosso primeiro título brasileiro, em 1974. Ela já mostra o estilo hoje clássico do uniforme cruzmaltino, com faixa diagonal consolidada como parte da identidade vascaína. 


Ótimas lembranças desse modelo com o time campeão:



As próximas duas camisas são de 1998, ano muito especial pra todos nós. Afinal, além de comemorar o centenário do Gigante levamos o carioca e o inédito título da Taça Libertadores da América. O time fantástico que tínhamos merece todas as homenagens, mas confesso que falou mais alto minha admiração pelo nosso Reizinho, Juninho Pernambucano, para ilustrar aquele momento.

 

Até hoje gritamos com força aquele gol contra o River Plate lá no estádio Monumental de Nuñez, em Buenos Aires. Aquele gol na fria noite de Buenos Aires marcou a história do clube, e consagrou Juninho como um dos grandes ídolos vascaínos. Outro ídolo foi o goleiro Carlos Germano, também herói da conquista continental, que vestia este belíssimo modelo ao lado.  




Finalmente, a minha camisa preferida. Ela é nova, mas ao mesmo tempo representa nossa história como clube, nossa importância para o futebol e em lutas que considero fundamentais: contra o racismo, o preconceito e pela democracia. Essa bela camisa vascaína simboliza muito mais do que nossas glórias, ela enaltece o que de melhor o esporte pode transmitir para a sociedade. E nos enche de orgulho ser parte tão importante disso. Em épocas em que, infelizmente, ainda temos que conviver com o racismo e outras discriminações no futebol (tanto em campo como por parte da torcida), o Vasco mais uma vez soube dar o seu recado da forma mais bonita!




Ficou com vontade de comprar todas? É só acessar o site da Paquetá que você encontrará uma grande variedade de camisas do Vasco. A imensa torcida bem feliz agradece!


4 comentários:

  1. Lí, eu acho que uma camisa histórica, principalmente por ter sido usada em um dos jogos mais fodas da nossa geração, é a da final da Mercosul de 2000. Você sabe se fizeram alguma edição retrô em homenagem aos 10 anos (em 2010, obviamente)?

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    1. Marcela, fizeram uma camisa especial pela data, mas não uma retrô. Que jogo aquele, nossa! A camisa com certeza é especial, agora já posso começar a pensar outro top 5!

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  2. Belíssimo texto, Lívia. Extrapola o time de cada um. Parabéns!

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  3. Que bom que você gostou, Marcio, obrigada! Nossa bela camisa merece todas as homenagens.

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