quarta-feira, 23 de maio de 2012

Acumulando funções

Agora o presidente Mauricio Assumpção assumirá a vice-presidência de futebol, já que André Silva foi dispensado.

Muitos questionam o motivo do gerente Anderson Barros permanecer no cargo, como se ele não dividisse a responsabilidade pelos maus resultados.

Num momento em que somos identificados por uma pesquisa como o clube com maior evolução da dívida nos últimos 4 anos, vou questionar não a responsabilidade do gerente, mas como a decisão de Maurício mexe na estrutura de custos do clube: não mexe.

Isso porque os presidentes e vice-presidentes, em tese, não são remunerados, enquanto o gerente recebe pelo seu trabalho (e parece que o salário é uma maravilha).

MA alega que a diferença entre a nossa dívida declarada e a dos outros clubes é que o Botafogo fez uma atualização monetária da mesma, e os outros clubes não. Mesmo assim, não precisamos comparar os valores: 564 milhões de reais (endividamento total em 2011) é um valor que deveria fazer o presidente repensar suas despesas e receitas. Não sei em que data começou a existir a figura dos gerentes remunerados e não vejo problema na existência destes, desde que se mostrem positivas no balanço da instituição.

Claro que o tamanho da dívida não se deve ao salário do AB, mas sim a forma como se administra o orçamento do clube, ou seja, não há equilíbrio entre capacidade de gerar receita e os custos do clube como um todo.

Podemos aqui fazer uma comparação com a realidade do nosso país. Enquanto o governo lança pacotes e pacotes para cortar investimentos e estimular o consumo, não mexe num grande responsável pelos seus gastos: o custeio da máquina pública.  Enquanto salários, gratificações e milhares de custos administrativos dragarem os recursos disponíveis, o alcance dos pacotes será sempre limitado.

Outro problema grande são os custos financeiros, ou seja juros que se paga por estar devendo. Não precisa ser nenhum gênio das finanças para saber que, quanto maior a dívida, maior o custo da mesma. É claro que a dívida pode provocar alavancagem, porém, se a mesma só aumenta, isso demonstra que ela não está financiando atividades geradoras de receita (investimento em jogadores, marketing, etc...) e sim no custeio da estrutura, com salários e demais contas. Trata-se de uma dívida que só tende a crescer. Soma-se a isso o tempo de um mandato e a equação não fecha. Imagina se a cada x anos você não fosse responsável pelo que está devendo? O cartão de crédito ia enlouquecer, não é?

Voltando à comparação com o governo, pela ótica das receitas: sua fonte de recursos só aumenta, por meio da arrecadação de impostos, taxas e afins. Como estes são obrigatórios, basta garantir fiscalização sobre os pagamentos. O clube de futebol, por outro lado, precisa administrar sua geração de receitas, como uma empresa: direitos de TV, venda de produtos, negociação de jogadores, aluguel de estádio, percentual em venda de produtos no Engenhão, timemania, etc...

Administrar um clube pressupõe bancar todos os custos e ainda amortizar um pouco dessa dívida, porém nenhum presidente parece se preocupar muito com essa parte, embora declarem o contrário (não digo que estão mentindo, só que a mesma aumenta). Dirigir um clube é muito mais do que isso, mas da perspectiva financeira, podemos resumir dessa forma.

Enquanto muitos aplaudem a gestão profissional de Mauricio Assumpção (e certa evolução nos times montados), outros metem o pau pelos os repetidos fracassos em fases decisivas de campeonatos (ou melhor, pela ausência de títulos). Uns dizem que está investindo no longo prazo, outros que simplesmente não faz um bom trabalho.

O tal longo prazo só o tempo mostrará, mas o tamanho da dívida aí está, mostrando que, se há crescimento não é sustentável. Claro que a Sulamericana e o Brasileirão estão aí e um título em um dos dois esfriarão os ânimos dos críticos. Do contrário, corre-se o risco de a barra pesar pro lado do presidente e vice-presidente.

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