quarta-feira, 14 de março de 2012

Heleno - uma carioca na pré-estreia de SP

Confesso que estava doida pra ler o que a Camilla tinha a dizer do filme, não só por ela ser a botafoguense do time, mas porque ela, como as outras Lulus, viu a pré-estreia no Rio.

Como assim? Bom... Primeiro, eu fui sozinha no evento de São Paulo e isso já aguçou meu senso de observação e me peguei prestando muita atenção no povo que estava na mesma sala que eu.

Coisa curiosa daqui é que a galera precisa gostar muito, mas muito de futebol pra ter uma visão menos cretina do Botafogo. Eles acham que é um time pequeno, não conseguem entender que o alvi-negro faz parte dos 4 grandes. Não me perguntem por que, mas já tive várias discussões sobre isso. Pois é, volta e meia me pego defendendo os adversários, olha que coisa.

Daí que percebi que minha impressão foi super diferente da que a Camilla teve. Senti que seria necessário você realmente gostar de futebol pra aproveitar ao máximo o filme. Sim, eu sei que o esporte não é o foco da narrativa, que se concentra bem mais na vida pessoal do atleta, mas pra mim isso é a mesma coisa que querer curtir a poesia de Bandeira sem saber da vida dele. Não dá.

Heleno respirava futebol. Mais que isso, respirava o Botafogo. E boa parte de suas escolhas ruins (no que tange à doença que ele se recusava a tratar) estava direta e assustadoramente ligadas a essa relação louca que ele tinha com sua paixão.

Rodrigo Santoro me assustou com sua atuação. O elenco todo estava muito bem, mas ele fez juz ao título de protagonista. Sua performance foi realmente absurda. E eu, chorona como sou, me peguei aos prantos vendo o sofrimento da personagem.

E estar no meio de tantos paulistas sem referência da história do Glorioso me chocou um pouco. Sabe o efeito Tropa de Elite, em que o público sai repetindo as frases de efeito do Capitão Nascimento? Pois é. Foi bem por aí. Tudo que Heleno falava do alto de sua loucura eles repetiam em tom de piada, como se não passasse de um texto. Apreciaram o aspecto técnico com filme, que realmente é impecável, mas não se aprofundaram em nada.

Como a Camilla disse, a história é rica. Curioso como um filme sobre um jogador de futebol que quase não mostra nada do esporte em si, mas só dos bastidores sob o ponto de vista dele acaba demandando certa bagagem para realmente tocar as pessoas.

Talvez tenha dado azar, de repente minha sala era a dos idiotas, mas fiquei muito feliz de ser carioca e conhecer o Botafogo pra poder aproveitar bem a experiência de Heleno.

Saí apaixonada por tudo. Especialmente por Rodrigo Santoro.

Parabéns a todos os envolvidos e obrigada ao pessoal da Kindle, que tão gentilmente nos convidou para esse evento super bem organizado. ;)

Recomendo o filme a todos que gostam de futebol e a quem gosta de bons filmes. Mas fiquem avisados. É pesado.

2 comentários:

  1. Nanda, vc está andado com as pessoas erradas... Lido com muitos paulistas e nenhum tem essa impressão do Glorioso.
    Na nossa sala rimos das cenas no hospício, com os outros loucos. Achei doces.

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    1. Sim, essas cenas são fofas. Mas não é disso que eu tô falando. São das pirações dele mesmo.

      E pode ser que você esteja andando com as exceções, né Cami? =)

      Que bom que você conhece um monte de paulista que conhece teu time. ;)

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