domingo, 4 de março de 2012

De volta (a vascaína, não o Teixeira!)

Bom, eu sei que devo explicações, afinal, são meses de sumiço, nada do Gigante por aqui (tô parecendo aquelas chatas que só aparecem quando é pra falar mal, já que ano passado eu tava aqui fazendo piada do time)... mas gente, isso lá é motivo pra me comparar logo com o senhor Teixeira? Nada disso, sem ofensas! Não, eu não sumi pra renunciar ao meu posto, eu só me enrolei na vida! E mais: eu estou disposta a dar explicações, tá?

Mas já que foi feita a comparação com o ser (e sim, fui eu mesma que fiz, porque eu realmente acho que a vida pode ser uma metáfora do que acontece no mundo do futebol), vamos falar dele: o que está acontecendo com o senhor Teixeira?

Podem falar que ele tá só de graça, que nada vai mudar. Amigos, se tem uma coisa que quase 10 anos de estudo na área de História me ensinou é: tudo muda. Tudo tem sua hora nessa vida. Aquele governo autoritário que parece eterno? Uma hora ele cai. O sistema uma hora cai. Vem outro no lugar, talvez até pior, mas o meu ponto é: tudo chega ao fim nessa vida. Até essa zona na CBF e na FIFA, nem que pra isso as próprias entidades tenham que acabar. Uma hora senhor Teixeira vai ter que deixar a mamata, seja por rabo preso, corrupção, morte.

Só que eu acho que essa hora não chegou, infelizmente. Ele pode até estar enrolado na própria rede de favores e corrupção que fez, mas não acho que isso vai ser suficiente pra derrubar o homem (pelo menos não agora). E digo mais: se ele cair, entra quem? Vai mudar, vai melhorar?

O mundo do futebol (do esporte em geral) tem uma peculiaridade: não ser levado a sério. E tá aí o grande inimigo. Enquanto continuarmos ignorando que o esporte é um espaço político, ele vai continuar essa zona. Enquanto acharmos que "futebol não é coisa séria", a CBF vai continuar na lambança, no roubo. Achar que a FIFA é só uma "entidadezinha" dá a ela a liberdade de gerar bilhões de dólares sem nenhum controle. Senhores como Teixeira e seus amigos querem mais é que tudo continue assim. Quanto menos a sério a sociedade leva o esporte, mas cheio fica o bolso deles.

Vou fazer uma comparação bem exagerada, mas lá vai: vejo tanta gente enchendo a boca pra reclamar que não é democrático que Hugo Chávez continue se reelegendo (através de eleições democráticas). Ok, eu concordo. Mas é democrático Teixeira no poder desde 1989? Grandona, na Argentina, desde 1979 (ainda em ditadura)? Claro, são entidades privadas e tudo mais. Porém, isso não isenta que elas tenham um poder incrível na sociedade, que devam ter controle e regras. E sabe por que aceitamos isso, achamos normal? É o autoritarismo que temos dentro de cada um de nós. Voltando à metáfora, a CBF é um belo de um reflexo da nossa sociedade, das relações de poder, corrupção, tudo isso.

Outro dia conversando com o tio Maraca -falávamos da suposta entrega do resultado do Atlético MG contra o Cruzeiro na última rodada do Brasileirão 2011- ele disse: "Se eu acreditar que o futebol é essa maracutaia toda, eu desisto dele". Tá aí uma coisa que eu não tiro da cabeça desde aquele dia: será que todo esse envolvimento acadêmico, meter o dedo na ferida, tá me tirando o encanto? Será que eu tô quase desistindo?

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