quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

O ano rubro-negro

Ontem foi daqueles dias bem pra baixo, em que você questiona muita, muita coisa e chega até a desacreditar de outras tantas. Mexendo no meu computador, achei gravado o documentário 1981: o ano rubro-negro, que passou na ESPN e decidi que era daquilo que precisava.

Mal sabia eu o quanto estava certa.

Mesmo que vocês já tenham visto, vou explicar do que se trata, pra vocês entenderem a catarse contida aqui.

O filme conta a trajetória do Flamengo rumo ao Mundial, desde antes da contratação de Claudio Coutinho até a montagem do time que conquistou Tóquio.

Dá pra ver os gols dos jogos da campanha e ouvir ícones como Junior, Zico, Adílio, Leandro, Andrade, Rondinelli, Nunes e Raul falando sobre como foi tudo. Como o time já começou a treinar de um jeito diferenciado que viraria referência para as gerações seguintes, como eram unidos e como o Flamengo era muito mais que um time.

Bem diferente dessa coisa de beijar camisa e declarar amor eterno, amor verdadeiro que vemos hoje em dia.

É impossível ficar de olhos secos vendo esse filme, especialmente quando Leandro declara que falar do Fla é muito difícil porque dá saudade. Sabe aquela palavra que não dá pra traduzir pra outras línguas? Então. É tipo explicar o rubro-negro. Não dá. Uma vez eu tentei com o gol do Pet. Mas sempre vejo que dá pra contar aquela história de um jeito sem graça, ou achar uma outra que emocione muito mais.

Amor não se explica, se sente. Sabe? Pois é.

Marca também a história do Peu, que, vítima de uma brincadeira do time sobre não poder entrar no Japão de bigode por não ter autorização prévia, correu para o banheiro do avião pra raspar os pelos do rosto. Disse que não era por causa de um bigode que ele ia ficar de fora de um Mundial.

Hoje as pessoas deixam de treinar, de jogar, de existir por conta de uma ressaca. Comprometimento pra que, né?

A mágica do Fla de 81 era pra muito além de ser o melhor time do mundo. Eles foram uma referência de grupo, de "Best place to work" (ou to play, quem sabe), uma referência de integração, sinergia e todas as palavras bonitas que a gente de marketing adora usar. Ou, buscando um jeito mais ~humano~ de explicar, aqueles caras sabiam bem o que era o lance de "quem tá junto, tá junto". Em campo e fora dele. Por isso ganharam.

Era aquela dose de acreditância (sim, inventei uma palavra) que eu precisava ontem. Uma versão de conto de fadas para uma garota pouco ortodoxa como eu.

E agora já tenho o especial do EE pra assistir também. Se eu chorar metade do que chorei com esse, acho que vou precisar estocar isotônicos em casa, porque pretendo rever bastante tudo isso...

=)

Um comentário:

  1. Nanda,

    Infelizmente não podemos voltar no tempo, mas depois de um jogo como o de ontem, com um time medroso e com 4 volantes em campo, a saudade para esse time fica ainda maior... :-(

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