quarta-feira, 6 de julho de 2011

"Lo único que quiero saber es ¿dónde está la PORRA de mi entrada?"

Domingo, um frio negativo na capital argentina. Levanto, me preparo e lá vou eu passear o cachorro. Sinto uma coisa estranha, mas nem ligo, imagino que é a saudade que já se aproxima (em poucos dias termina a temporada portenha). Aí volto pra casa e me preparo com roupa de neve pro frio que me esperava mais tarde. Doce ilusão...

11:30 e lá estávamos eu, Túlio e Helena, cada um com seu cocar, ops, gorro, prontos pro programa de índio da década, ops, jogo da seleção em La Plata. A coisa foi tão bizarra e surreal que o post vai ser dividido. Nesse vou me dar o direito de reclamar do pré-jogo, porque olha, depois de ler tudo, quero ver quem vai dizer que eu não tenho direito de xingar (Word, nem ouse corrigir por “falar mal”) quem eu quiser! No próximo post falo do jogo (do que eu consegui assistir), que também me dá o direito de reclamar muito aqui!

Mas voltamos ao início do meu domingo. Primeiro chegamos num ponto pra pegar o ônibus pra La PLata. Enquanto esperava, fui comprar as passagens, e vejo a fila bem grande. A moça simpática me diz: "Olha, aqui o ônibus nem para mais, passa direto. melhor você ir ao ponto final. Tento avisar mas as pessoas não me entendem...". Sim, praticamente só brasileiros. Sim de novo, nenhum ônibus extra! Lá fomos nós pra rodoviária pegar o ônibus.

Claro, nos informaram errado e tínhamos passagem pra outro, coisa que o Túlio teve a excelente alegria de perceber, pelo menos foram só 10 minutos que perdemos. Falei a temperatura? Devia tá uma sensação térmica de -1, -2. Repetirei isso ao longo do texto pra vocês entrarem no clima.

Aí depois de quase 1h na fila, conseguimos pegar o ônibus. Confesso que tava mais empolgada, pensando em que legal viver a Copa América, já sonhando com 2014. Ah, esqueci de falar: os ingressos foram comprados em maio pela internet, mas tínhamos que pegá-los antes do jogo na bilheteria do Estudiantes. Não sei explicar, mas é coisa comum na Argentina: você compra alguma coisa na Internet e não entregam na sua casa, ou sequer possuem vários pontos de entrega. Existia só um lugar que entregava na Capital Buenos Aires, mas sabe aonde? Ali, do ladinho do River Plate, onde a coisa tá feia já há um mês. Eu que não ia lá, né? (Aliás, os ingressos só poderiam ser retirados por mim, que era titular do cartão).

Bom, chegamos e o primeiro trauma: o Estudiantes fica de um lado da cidade, o Estádio Único do outro. Eram 14h, o jogo era às 16h. Pensamos: "Fudeu. Lá se vai mais dinheiro em táxi". Eu, toda Pollyana, cheguei a dar ideia pro taxista "Você pode esperar a gente pegar o ingresso se a fila não estiver muito grande?". A resposta: "Olha você não tem ideia do que é uma fila até chegar lá". E nem queria, mas a realidade bateu quando chegamos e vimos que aquilo ia dar merda. E deu.

De longe parecia até que a coisa estava organizada. Doce ilusão. Quando chegava no início da fila, era uma muvucada só. Falei que a temperatura era ainda mais complicada que Buenos Aires? Pois é! Fomos sentir a tensão lá na frente e começou o show de desorganização: das 10 bilheterias, só 2 estavam abertas. Agora imaginem só: todos os brasileiros e venezuelanos que foram ao jogo tinham que ir lá pegar seus ingressos! Mas mesmo assim demorava mais do que o normal, e ninguém entendia nada. Liguei pro maridón (que, claro, tava no quentinho de casa) e pedi pra ele ligar pra polícia, pro canal de TV da oposição, eu queria barraco! Dei 2 passos e vi um carro cheio de policiais olhando de longe e achando graça. Quando foram questionados, disseram que não iam fazer nada, só se desse confusão se metiam. Fofos, não?

A foto foi gentilmente roubada do blog do Túlio, passem lá que ele também reclamou!

Comecei a ficar tensa com os depoimentos de pessoas que estavam ali há 4, 5 horas, me senti uma imbecil por não ter pego meu ingresso antes, mas relaxei quando escutei uma menina falando que ficou SETE horas na fila em Buenos Aires e não conseguiu pegar. Aí o horário do jogo foi se aproximando e a coisa foi ficando tensa, e, como só eu podia pegar as entradas, me meti na muvuca (já não existia fila) e, como boa brasileira, fiz até amizades. Daqui a pouco a polícia vem e diz que quem tiver o email impresso e o documento poderia entrar direto no estádio. Tá, eu ri. Aí fiz a alegria dos argentinos que estavam por ali:

"Sei, é tão verdade como a inflação de 1,5% ao mês!"

O povo riu.

A fila não andava, e os que começaram a querer quebrar tudo eram os argentinos, claro. Até que um deles selou minha total humilhação. Foi reclamar com a polícia e disse que dava vergonha ser argentino naquele momento. O policial gente boa perguntou o que ele tava fazendo ali. Eis que ele solta a pérola:

"Eu tô aqui por amor, minha esposa é brasileira!"


Aí eu não aguentei e me meti:

"Eu sou mesmo uma otária, meu marido é argentino e tá em casa no quentinho com o cachorro, e eu aqui já sem sentir os dedos dos pés!"


E fui a alegria do povo de novo, haha!

Aí chegou finalmente minha vez, e eu não pude acreditar: não tinha nenhum computador! Todas as entradas estavam em caixas com os nomes dos compradores, por dia. Ou seja, eu tinha que saber o dia que comprei pra catarem entre tantas mil! Olha, o Brasil pode ficar tranquilo, vai ser difícil fazer pior que isso, viu! E foi nesse momento que escutei de uma brasileira a belíssima frase desse título. Vai entrar para a história!

Quando o jogo já estava nos 30 minutos do primeiro tempo, consegui nossas entradas. E lá fomos nós muvucados com desconhecidos em um táxi para o Estádio Único. Sem almoçar, sem beber nada, sem nem sentir os dedos dos pés de tanto frio. E ainda pensando que já ia acabar o primeiro tempo e o Brasil empatava sem gols. Com a Venezuela. Ou seja... podia ficar pior.

E o perrengue ainda não terminou.

6 comentários:

  1. Livia, depois dessa vcs vao ganhar CARTEIRINHA DE SOCIO DA FUNAI!!! hahaha

    mas filha, vc esperava outra coisa???Se bem que pensar que nao teria nem um computadorzinho em pleno 2011 nao rola, ne?? Mas tem que pensar que aqui ainda eh 1970! hahaha

    Beijos

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  2. Confesso que dei um sorrisinho de alívio por ter desistido de te acompanhar nessa furada, que até então não sabíamos a profundidade nível pré-sal. Mas juro que fiquei com dó! Bj

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  3. Choquei, mas ainda temo pela Copa de 2014. Pode ser uma bosta na Argentina, mas acho que só sairemos bem nessa por comparação mesmo... =/

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  4. Que horror! Pior é passar esse perrengue todo para ver aquele joguinho mequetrefe.

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  5. eu acho que o "porra" deveria ser internacionalizado!

    que tristeza isso....

    o pior é que ainda teve mais! hahahaha

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