quarta-feira, 1 de junho de 2011

São Januário, meu Caldeirão ♪ (Por Anne Carolina Faria de Lima)

Aproveitando o dia especial de decisão da Copa do Brasil, e que meu Gigante tem grandes chances de levantar o caneco, hoje abrimos espaço para mais uma participação de nossos queridos leitores. Dessa vez, a Anne Carolina, parte da imensa torcida bem feliz, e que hoje certamente estará lá no Caldeirão.

Infelizmente, o depoimento da Anne não é das alegrias do seu clube. Ao contrário, ela fala exatamente sobre uma questão que a cada dia nos preocupa mais: a violência no futebol. Muitos de vocês devem ter escutado a violência contra os torcedores na entrada do jogo contra o Avái em São Januário. A Anne estava lá, viveu na pele o problema, e relata tudo aqui.

Nó esperamos que isso ajude à reflexão e que, juntos, indpendente da camisa, a gente consiga mudar um pouco essa situação.

***

Era pra ter sido uma noite de festa. E foi, por parte da imensa e feliz torcida que garantiu que assim fosse. Lotou nosso estádio, cantou, abafou vaias isoladas. Enfim, cumpriu o seu papel de incentivar o time na boa e na ruim. Infelizmente, o ruim da noite não ficou por conta apenas do resultado entre as quatro linhas. Para mim e incontáveis torcedores, a noite desastrosa já começara antes dos times entrarem em campo.

Jogo marcado para as 9 e 50 e eu saio de casa às 5 e meia para evitar imprevistos e encontrar meus amigos em um dos “convidativos” bares ao redor de São Januário, entrar no clima da decisão. Dá 8 e meia e decidimos entrar no Caldeirão para nos aquecer do frio, que não larga mais o Rio de Janeiro, e também evitar a típica confusão de quem chega muito em cima da hora (uma tendência carioca). Ledo engano, o Caldeirão já estava prestes a entrar em ebulição.

Estávamos tentando achar o final da fila enorme e desorganizada que quem frequenta São Januário já está acostumado e até treinado a enfrentar; avistei um foco de confusão mínimo, e até corriqueiro, pro contexto: empurra-empurra na grade de proteção e a PM com seu imponente porrete pra pôr ordem na situação. Em questão de segundos, aquele desentendimento despretensioso entre a PM e alguns torcedores na fila tomou uma proporção de batalha campal.

Uma nuvem branca e bem espessa ascendeu no ar e, mesmo não tendo ouvido barulho algum, eu tive certeza de que era bomba de gás de pimenta. Corri mas não deu tempo de escapar do efeito do gás, que é implacável. Olhos ardendo, garganta trancada, nariz em chamas. Honestamente, não sei como não fui atropelada, porque quando dei por mim já estava do outro lado da rua e havia atravessado com os olhos fechados, impossíveis de abrir.

Me perdi dos meus amigos, que foram cada um para um canto diferente, sofrendo com os efeitos do gás. A PM, vendo crianças chorando, mulheres gritando, homens xingando e todos esses tossindo ao mesmo tempo, tudo que fez foi falar ao megafone para respirarmos pelo nariz. RESPIRAR PELO NARIZ?! Eles lançam uma bomba que não tem seu efeito dissipado rapidamente (menos ainda em dias frios como o de ontem) e nos mandam respirar? Dispensa qualquer comentário.

O que impressiona de maneira desgastante é que essa situação não é isolada, ela não ocorre apenas em jogos importantes e cheios como os de ontem. Quem é vascaíno e frequentador de São Januário conhece todos os perrengues que passamos do lado de fora e que vão além da prepotência e despreparo da nossa polícia. O desrespeito é generalizado e ele parte do nosso próprio clube! Quantas informações corretas nós obtemos para nossas dúvidas? Quantos funcionários vemos organizando as filas? Alguém já viu fila preferencial em São Januário? São absurdos que se repetem jogo após jogo, ano após ano, diretoria após diretoria.

Ontem eu ouvi de um torcedor indignado a seguinte frase: “O Vasco não aprende”. É um fato, mas não é só isso. O Vasco não aprende, o torcedor não aprende (no jogo da semana passada, contra o Atlético-PR, a confusão na fila me fez cair em cima da grade de proteção e me rendeu hematomas nas canelas), mas esse não aprende por ser apaixonado, é um cego incansável; e quanto aos esclarecidos? Por que esses não aprendem? Ontem não havia sequer sinal das catracas especiais para quem comprou o ingresso pela internet pelo cartão de crédito. Quem chegasse com um cartão de crédito em punhos, entrava. Quem se ligou disso, entrou de graça.

E como se o torcedor já não estivesse cansado de amadorismo e drama em sua noite, os 90 minutos seguintes deram conta do recado.

3 comentários:

  1. Muito bem, meninas! Anne, fico feliz em ver q vc resolveu escrever sobre o assunto. Ficou ótimo e nós temos mesmo que reclamar. Tudo bem q esses vários enfrentamentos fazem com que ela falte as minhas aulas nas quartas. snif snif snif Bj

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  2. Ótimo texto, já havia lido antes. É uma vergonha esse amadorismo e despreparo dos PMs, que não se limita ao São Januário. Já inalei algumas vezes gás de pimenta na porta do Maraca, e nem era jogo importante! É tão revoltante, fico quase tão indignada quanto quando sou assaltada!
    Obrigada pela participação honorária, Anne!
    E apoiar o time é uma boa causa, né Samantha! hehehehe

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  3. Fico feliz de contribuir com o blog,tenho acompanhado as postagens e gostado bastante. Só lamento que meu texto seja pra falar de problemas,mas eles precisam ser apontados..

    Professora,quarta que vem é a última que eu falto! Juro! Posso até fazer um cartaz direto de Curitiba: "Profª Samantha,faltei aula mas to na Globo!" haha

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