quinta-feira, 23 de junho de 2011

Enquanto isso, o drama no futebol dos hermanos


Ontem, no Brasil, quem parou pra assistir futebol provavelmente estava com os olhos no jogo do Pacaembu. Afinal, não era só um clube brasileiro, era a final da Libertadores, e ainda com o cai-cai do Neymar em campo. Mas sei que alguns, como eu, preferiram arriscar outro super jogo: Belgrano X River Plate pela "promoción" do campeonato argentino. E que jogo!


Que os campeonatos nacionais são diferentes em cada país já sabemos. Na Argentina temos os tradicionais Clausura e Apertura (nomes que se repetem em outros lugares), e não existem torneios regionais. São campeonatos longos, como se tivéssemos dois Brasileiros no ano. E tudo que importa se define aí: quase todas as vagas da Libertadores (te
m também a Sulamericana, em caso de vitória, e o melhor classificado na Libertadores do ano em questão) e, claro, tem a decisão dos que sobem e dos que descem.

E aí vem a grande
diferença. Primeiro porque aqui tudo depende da média dos 5 últimos anos dos clubes. Usando um exemplo brasileiro, o Corinthians nunca teria caído em 2007, porque foi campeão pouco tempo antes e sua média seria boa. Entendem? Antes de falar em mais ou menos justo, esclareço logo que isso acontece porque um belo dia um time grande ia cair (o próprio River Plate) e mudaram as regras (sim, virada de mesa argentina). Bom, o que interessa é que hoje funciona assim.

Daí surgem duas possibilidades pros times da primeira divisão: os 2 com menos pontos caem direto (esse ano também embolou nisso, já explico), e os outros dois logo antes, vão pra tal da promoción, que significa jogar com os times da série B pra ver quem sobe. E é nessa promoción que o River tá.


O campeonato terminou tão embolado que teve que desempatar o segundo jogo da promoción. O Quilmes caiu direto, adiós! Mas aí o Huracán e o Gymnasia empataram (com um gol do Boca contra o Gymnasia aos 47 do segundo tempo), e não se sabia quem caia direto e quem ia pra outra promoción (o River pelo meno garantiu que direto não ia). E ontem foi o desempate.

Como a loucura nunca é limitada no futebol, o jogo de desempate entre Huracán e Gymnasia seria na Bombonera. Só que... na despedida do Palermo, o Boca deu de presente pro seu grande ídolo as traves de um dos gols. E tiveram que pedir pro Palermo devolver porque não conseguiriam outra pro tal jogo de desempate!

Bom, gol recolocado, o Huracán tomou um sacode do Gymnasia, que agora vai tentar se manter na série A. Assim como o River, que deve fazer um milagre quarta-feira que vem no Monumental...

Pois é, o River perdeu por 2X0 em Córdoba, e o
Belgrano já tá com um pé na série A 2012. O River, que nunca tinha nem disputado a tal promoción, que já deu adeus à Sulamericana 2011 (o regulamento argentino não permite que times da B ou que jogam a tal promoción disputem torneios internacionais), agora vive o pesadelo da segundona. A tensão é tanta que, além da invasão de campo em Córdoba de torcedores encapuzados e revoltados, cogita-se fazer um jogo fechado no Monumental (ideia da polícia federal), sem torcida, mesmo com todas as entradas já vendidas. A coisa vai se complicar ainda mais.

E pra quem pensa em uma possível virada de mesa do River (mais uma), é impossível: o presidente Daniel Passarela (um dos campões na Copa de 78) saiu aos gritos há um mês de uma reunião da AFA, acusando a Associação de tudo e mais um pouco, e já não possui qualquer relação com se presidente, Julio Grondona (para saber mais sobre esse “doce” de pessoa, que deixa Ricardo Teixeira com imagem de bom moço, leia aqui).

E aí eu me questiono: perdi alguma coisa não vendo a final da Libertadores ontem? =) Em 3 dias temos a definição. Por enquanto, divirtam-se com a criatividade dos rivais do Boca Juniors.


5 comentários:

  1. No Brasil só teve um ano em que se usou uma regra parecida pro rebaixamento. Foi em 1999, quando o Gama ficou em 14o lugar e foi rebaixado, pois valia uma média e ele tinha acabado de subir. E o resultado vc lembra: o Gama entrou na Justiça Comum, aí rolou Copa JH e etc... Sobre chamar o Neymar de cai-cai, sinto que seu lado argentino tá falando mais alto, ele é craque e só tende amelhorar com a experiência. Cai-cai de verdade é o River !!!

    Beijos, Renato.

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  2. haha, meu lado argentino (Alejandro) nem gosta de futebol, té? Acho Neymar um cai-cai, n4ao sou a única (até Pelé falou pra ele parar se simular tanto), mas em nenhum momento disse que ele não era craque. Também acho Edmundo violento, significa que não acho que foi craque? Uma coisa não anula a outra, deixa de ser implicante! rs

    Pois é, o caso do Brasil foi quando o Fluminense voltou pra 1a divisão. Só que foi uma virada de mesa mais descarada a nossa, nem pra disfarçar e manter as regras depois como fizeram os argentinos...

    Quero o River bem lá no fundo do buraco, tô me divertindo com o drama aqui!

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  3. Livia, gostei do post porque adoro essas "cargadas" que rolam aqui quando o River ou o Boca perdem. Acho muito BEM BOLADAS! hahaha Beijo!

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  4. Adorei o post, confesso que tenho muita dificuldade em entender as regras argentinhas (e pelo que sei os próprios argentinos não as entendem. alguém pode me explicar por que a clausura vem antes da apertura, por exemplo?). Outra coisa, eu ouvi hoje já depois do rebaixamento do River (aliás, pq vc odeia o River??) que para um time ser rebaixado, tem q ser feita a média dos últimos 3 anos, ou seja, dos últimos 6 campeonatos, mas vc disse q seria os últimos 5 anos. fiquei na dúvida agora...

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  5. Assisti no tempo real do Olé ontem o jogo do River e depois assisti os principais lances na tv. Seria cômico se não fosse trágico. E realmente foi trágico. Se bem que, para ser rebaixado na Argentina, tem que querer MUITO. E parecia que o River já flertava um tempinho com a segundona portenha. Ontem, resolveram se casar. Mas se o River continuar do jeito que tá, o divórcio com a segundona vai demorar a sair, rsrs.

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