sexta-feira, 10 de junho de 2011

A Copa da redenção



Não dava pra escrever aqui sem ter a tranquilidade de colocar ideias e sentimentos no lugar. Após a vitória, postei o vídeo da comemoração pra dar uma noção da minha alegria. Mas acho que o blog merecia um post mais profundo. E vamos a ele.

Primeiro acho que nem preciso explicar que não su capaz de analisar o jogo, né? Gente, que jogo? Não vi nada! 15 minutos antes eu andava pela casa quase sem ar. A bola rolou e eu comecei a chorar. Não conseguia manter as pernas quietas, tive cãimbra. Gritei enlouquecida o primeiro gol, fiz juras de maor a Alecssandro, e chorei mais. Aí veio o primeiro gol do Coxa, e de fato eu não tinha condições nenhuma (físicas ou psicológicas) de continuar assistindo. Coloquei no mudo e fui tentar trabalhar (haha, ilusa). Veio o segundo gol do Coxa. E, sério, precisei daquele procedimento de respiração de quem tá em crise no avião, sabe? Sabia que o título ainda era nosso, mas ele estava ali, escorrendo pelas mãos. De novo.

Resolvi que eu dava sorte pro meu time e decidi assistir ao segundo tempo. No gol do Éder Luís, logo ele, meu Éder Luís, fiz juras de amor eternas, pulei junto com o cachorro enlouquecida pela casa. Aí resolvi abrir o Globo.com pra ver se tinha vídeos e, claro, gol do Coxa. Olha, quem entende de futebol vai me apoiar: isso é má sorte! Site amaldiçoado, passou a semana, o ano, os últimos 10 anos só secando meu time. Então resolvi que tinha era que ter os amigos por perto. Mandei a Globo e toda sua corja praquele lugar. Mas não conseguia mais nem escutar o jogo, imagine só ver. Passei os últimos 15 minutos de cabeça abaixada (morri quando vi que Felipe e Diego Souza também!), com as mãos cruzadas e empurrando pra baixo, numa espécie de reza. Logo eu, atéia. Mas ali eu rezei. Sei lá pra quem, sei lá como, eu saí pedindo, eu merecia, tinha esse direito! Repassei na minha cabeça os últimos anos, que foram tão difíceis na minha vida de uma maneira geral, mas também tão bons. E que eu queria acabar com a piada de que eu tenho muita sorte no amor. Eu quero ter sorte no jogo também, quero minha alegria completa, quero meu troféu! Mais do que isso: eu queria o Vasco dando certo sem Eurico. Meus amigos, todos nós aqui sabemos, independente do time: o jogo definiria o sepultamento ou não do sapo barbudo.

E aí o jogo acabou. E eu me descontrolei de vez. Gritei muito, mas nem percebia. E chorei, como criança. Vi um vizinho abrir a janela pra entender o que estava acontecendo (pros que não sabem, tô na Argentina pesquisando pro doutorado), e até ligando a TV pra achar o tal do jogo. Bom, essa parte vocês podem ver no vídeo, hehe. Tocou o telefone, era mamy pra me dar os parabéns. E o nosso belo hino soou por terras portenhas até tarde da madrugada, regado com um Malbec de elite (como a situação pedia). Lucho, meu campeãozinho pé quente, pulou o tempo todo com a mamãe campeã.

E eu fui dormir de alma lavada. Não só pelo fim do jejum. Como historiadora que estuda o tema futebol, sei que meu time é o único dos 4 grandes que em toda sua história nunca ficou mais de 10 anos sem títulos. Assim como também sei que não é vice, nem de todos nem do clube da Gávea (olhem lá as estatísticas). Que o Vasco era, até então, resultado dos anos vergonhosos de uma administração vergonhosa. Ganharam muitos títulos? Sim, não vou negar. Mas nada vem de graça. A alma do nosso Gigante, o clube do povo, da democracia, que revolucionou o futebol, estava manchada. E foram anos complicados pra reverter isso. Antes que defendam o sapo gordo, dos 8 anos sem títulos, 5 foram durante a administração dele. Logo, culpar a nova diretoria é patético. É falta total de argumento, e nem perco meu tempo.

E não posso deixar de pensar no início de 2011. Um início tão dramático, que ri pra não chorar. Repeti o quanto pude que era uma má fase, mas vi a insistência da maioria em decretar o fim do meu clube. E pior: vi parte da torcida virar as costas pro Vasco. Vexame, papelão. Dinamite foi esculhambado a cada contratação. Diego Souza, Alecsandro e Ricardo Gomes foram motivo de piada, como se fossem a escória do futebol. E aí, meus queridos, aconteceu o que acontece com os grandes: pesou a camisa. O orgulho de representar o Vasco, o mesmo que deu oportunidade para negros e pobres há quase um século, foi mais uma vez vitoriosa na redenção dos excluídos. Mais uma vez, fomos contra a corrente, contra essa maioria que acha que define o futebol na simplicidade dos grandes craques, sem dar oportunidade a quem quer ser grande. Exatamente como o mundo excludente em que vivimos... e o Vasco calou novamente essa arrogância e mostrou que todos tem sua chance.

Por isso, ganhar na 4a era muito mais que ganhar um título nacional, inédito e garantir a vaga na Libertadores: era afastar de vez a sombra da herança maldita. Era calar a boca de um país que se achou no direito de rir de um dos maiores clubes de sua história, quando deveriam agradecer tudo que o Vasco fez pelo nosso futebol. E o Gigante, como eu já disse, mostra seu valor em campo.

Nem quero pensar o que teria sido do meu Vasco nas próximas eleições com a derrota em Curitiba. E nem preciso. Porque ganhamos, vamos gritar até cansar "É CAMPEÃO". Mais do que nunca, o Vasco é o time do amor! Eu que chorei, reclamei aqui, agora sou só amor por esse grupo, é tudo festa!

E pros farofeiros recalcados de plantão, "vai chorar na cama que é lugar quente"! Podem expressar toda a dor-de-cotovelo como quiserem: a imensa torcida bem feliz, nem escuta, tá ocupada gritando É CAMPEÃO e se preparando pra Libertadores 2012! Diz aí de novo, Alecssandro:


E a grande festa da imensa torcida bem feliz embelezou ainda mais a Cidade Maravilhosa!! VASCOOOOOO! Que chegue o Reizinho!

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