segunda-feira, 21 de março de 2011

Trabalhar no Maracanã


Rodolfo Rodrigues sempre amou o Maraca. Quando pequeno ele era gandula -estava lá nos jogos da eliminatória da Copa de 70-, e a paixão vem de família. Imagino que um dia meu tio, ainda pequeno, olhou pro maior do mundo de dentro e pensou "Um dia vou trabalhar aqui!". E cumpriu. Como eu disse da vez que escrevi sobre o Maraca, ele é o grande responsável pela minha paixão, por ter crescido ali dentro, por tantos jogos, shows, visitas sem motivo (só pra admirar). Ler a história dele sobre o Maraca era algo que esperávamos ansiosas, afinal, alguém com tanto pra contar vai querer falar exatamente sobre qual momento? E não pude conter as lágrimas quando abri o texto.

Esse texto é especial pra mim. Ele fala da pessoa mais importante da minha vida, que infelizmente já não está comigo há quase 10 anos. E é uma bela e muito merecida homenagem à minha vovó Iaia, tão especial pra tanta gente. Nota-se quando lemos um texto tão lindo para uma sogra...

Só quero fazer uma correção: com aquela herança portuguesa, tenho certeza que ela era vascaína de coração!

Lívia

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Trabalho há tantos anos no “Maior do Mundo”, e logicamente, vejo de tudo no futebol. Timaços, timecos, craques, “caneludos”, seleções imbatíveis, times de artistas... tudo.

Tento me recordar dos maiores gols, comemorados ou sofridos, mas são muitos. Mas um é especial. Pela beleza, pela importância, pela dramaticidade, pela impotência do goleiro. É o do Pet em 2001. Aquele era um ano difícil na vida de nossa família. Havíamos perdido precocemente D. Rosária e lutávamos para conviver com isso.
Maracanã lotado.

From O Maraca é nosso
O favoritismo era do adversário, pelo time que possuía e pelo resultado anterior. Mas a expectativa maior era nossa, pelo (até então) inédito tricampeonato sobre um mesmo e grande adversário. Do nosso lado também contava a presença do Manto Sagrado, pois ele joga... e isso é verdade. Creio que muitas outras forças tenham favorecido aquele gol (lembram-se das milhares de mãos estendidas, vibrantes e carregando cada uma, esperança, confiança e energia positiva?). E é sobre uma dessas forças que resolvi escrever.

A história desse gol todo mundo já conhece. O que não sabem é que, depois do jogo, uma multidão se dirigiu em êxtase para a Praça Varnhagem, perto do estádio. O conjunto de bares , conhecido como “Baixo Tijuca”, abastecia aquela festa. Rubro-negros de todas as idades, enchiam a cara de felicidade. Foi quando encontrei meu sobrinho Bruno, louco de alegria e cervejas. E ele emocionado, veio me relatar o momento mágico do gol decisivo:

From O Maraca é nosso
- Tio, eu tava muito nervoso, na frente da TV, e resolvi estender as mãos também.
Ao que respondi: - Eu também !
E ele prossegue:
- Tio eu pedi: Vó , faz esse pra mim.....
- E ela fez !!!!!!!

Nessa hora, abraçado e chorando com ele eu descobri o que eu não sabia: Minha sogra, além de tudo, sabia bater falta pra caramba!!!

From O Maraca é nosso

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Mande você também sua história no Maraca pra gente! É só escrever para futebolsaltoalto ARROBA gmail.com

3 comentários:

  1. Nossa, chorei. Obrigada ao tio Maraca, por esse singelo relato, de um momento que pode ser contado tantas e tantas vezes, de formas diferentes, todas elas igualmente emocionantes.

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  2. mamy disse qua ninguem nunca contou isso pra ela...deve ser porque eu tinha uns 15 ou 16 anos e tava cheio de cerveja...rs
    Sempre me emociono também, saudades da vovó.Foram e vão ser muitos momentos especiais com o tio que me transformou em torcedor desse meu amado time( pra decepção do meu pai Tricolor).

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  3. lindo e emocionante. choro também

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