domingo, 6 de fevereiro de 2011

2012 já?

Como todos sabem, agora eu moro em São Paulo, então tive a oportunidade de vivenciar as reações locais à eliminação precoce do Corinthians na (pré-)Libertadores.

No Rio, me acostumei a ter mais barulho quando o Flamengo ganha do que quando perde. Em Sampa, estranho, acontece o contrário. Pelo menos perto de onde eu estou. Os anti-corintianos fazem escândalo com a derrota do Timão, buzinaço, soltam fogos e berram enlouquecidamente.

Acho que isso pode ser muito engraçado quando seu time não ganha nem no totó, afinal, imagine passar uma vida sem ser feliz com futebol, sem comemorar uma vezinha só, né? Deve ser doído. Mas fora isso, acho que é um gasto de energia fenomenal.

Quando falo isso, tem gente que acha que eu sou politicamente correta e pronto. Não, não é bem isso. De verdade, eu só perco meu tempo sacaneando pessoas que perdem seu tempo sendo insuportáveis com a derrota alheia. Aqui, nesse espaço, com a convivência com essas Lulus lindas, eu aprendi a me colocar no sapato dos outros. Não me acho legal, por exemplo, ficar enchendo o saco do Vasco, porque sei que, apesar do bom humor, a Lívia sofre com a situação do seu time.

O prazer que as pessoas sentem em te sacanear é diretamente proporcional à sua chatice, pense nisso, caro torcedor mala. E você, torcedor bacana, entenda que você, na maioria das vezes, será tratado como farinha do mesmo saco. Cabe a você estabelecer seu espaço como exceção. Dá trabalho, eu sei, mas vale a pena.

No fim das contas, a exceção consegue conversar sobre futebol com qualquer torcedor razoável e isso, pra mim, é o melhor dos mundos. É o que a gente sempre diz aqui: nós amamos futebol. Ponto. Somos apaixonadas pelos clubes? Óbvio. Mas conversar sobre futebol é sempre mágico. ;)

Na quinta, muito feliz com o desempenho do meu time, com a estreia emocionante de R10, quase lancei a campanha Abrace um corintiano, porque eles de fato estavam com uma vibe de "ah, o ano acabou". Mas corria o risco de acharem que eu estava sendo debochada. Então fui conversando com os que estavam perto de mim, fazendo minha campanha pessoal e confortando as tais exceções que expliquei ali em cima.

Porque, desculpem, aí entramos na história do comportamento, ação e reação. Acho exagero isso de acabar o ano em fevereiro por conta de um campeonato, quando temos tantos no país, mas cada um com as suas prioridades. Depois, cada um lida com as suas felicidades ou frustrações. O que não acho legal é comportamento violento. Digam o que quiserem da torcida do Flamengo, mas fico feliz de não chegarmos a extremos como quebrar todos os carros estacionados no CT (inclusive dos funcionários, roupeiros, massagistas) ou chacoalhar ônibus dos atletas.

Não vou ficar de palhaçada dizendo "ah, isso é futebol", porque também não acho que devamos ser tão descoladinhos. Os jogadores ganham MUITO bem pra ficar levando os jogos na esportiva. Quando você engorda sua conta bancária aos milhões, acho falta de vergonha na cara entrar em campo pra não mostrar nada. Mas punir os caras com comportamento criminoso é simplesmente absurdo e vergonhoso.

De novo, cada um sabe do seu. Quem quiser vir aqui pra listar qualquer tipo de comportamento violento, criminoso ou marginal de qualquer uma das facções de TO do meu clube, peço apenas que guardem as devidas proporções. Grata.

E aí, com a derrota, é claro que temos um grande vilão. Ronaldo. Antes do jogo, quando Neto (ex-Corinthians, atual comentarista chato) decidiu criticar o camisa 9, a torcida respondeu revoltada. Ronaldo era ídolo, tinha história, era muito melhor que seu crítico, que ele deveria tomar cuidado com o que estava falando. Só que ele não correspondeu. Em campo, provou que está mesmo pesado, não fez nada. Aí ele virou o gordo mercenário que os corintianos queriam ver assado com uma maçã na boca antes de vê-lo novamente em campo.

Isso foi uma piada de gordo? Talvez. Mas não vou me esticar nisso.

O que me irritou foi a bola levantada por Cosme Rimoli, outro comentarista esportivo irritante. Segundo ele, as portas do Flamengo estariam abertas ao atacante. A torcida rubro-negra, conforme seu texto, não tem memória e nem vergonha na cara, por estar empolgadíssima com a possibilidade de aproveitar os restos do que um dia foi um dos grandes jogadores da história recente do futebol.

Desculpe, meu caro, mas essa flamenguista tem seu orgulho próprio e mais que isso, tem muita memória. Não quero Ronaldo no meu time, e acho que boa parte da Nação vai concordar comigo. Patricia Amorim, presidenta non grata, inadequada diante das câmeras, riu de nervoso e disse que, assim como Gaúcho, o outro Ronaldo poderia ser feliz na Gávea. Ela acha isso, ok. Direito dela, assim como ela achou que era direito dela avacalhar o time em 2010, quase levando o rubro-negro à segunda divisão.

Bacana que as pessoas estejam incorporando à sua escrita a retórica da escola Maradonista, no melhor esquema "olha ali o Papamóvel!". Ah, esse time perdeu? Vamos jogar a atenção da galera em outra história, é só distorcer umas palavrinhas. Só que a torcida do Corinthians continuou irritada e a do Flamengo só não se irritou em massa porque não lê essa coluna imbecil.

Em tempo, dizem que Ronaldo não vai antecipar sua aposentadoria porque isso afetaria o contrato do Corinthians com o patrocinador master. 

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