quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Pirataria não é criatividade!

Quem conhece esse blog sabe o quanto valorizamos boas ideias e o quanto somos cuidadosas em dar o devido crédito a qualquer um que tenha, de alguma forma, criado ou contribuído para a criação de algo bacana. Ou que a gente ache bacana, vai que vocês discordam, né?

Quando meu amigo Pedro Drable tuitou o link de um de seus posts e o dedicou especialmente a mim, surgiu a necessidade (isso, passou da vontade!) de ter a camisa desenvolvida por dois Marcos. O Behrens e o Garcia.

O post original saiu no Na Falta de um Job, dia 11 de janeiro. Daí o Globoesporte.com reblogou o conteúdo e repassou a ideia pra mais gente, porque, convenhamos, é muito bem sacada e merece. Isso aconteceu no mesmo dia. Dia 12, o mesmo Pedro que começou a corrente de divulgação achou o máximo que a camisa tivesse saído no site da Globo e deu a dica no seu próprio blog. Fecha o ciclo.

A essa altura, meu exemplar já estava no correio (ou pelo menos se encaminhando pra isso) e eu, daqui de Sampa, ansiosa que nem criança às vésperas do Natal pra ver a bendita.

E ela chegou, bem no dia antes da final da Copinha e, naquele momento, só duas coisas passavam pela minha cabeça: convencer meu namorado a me deixar ir pro estádio com ela e fazer uma entrevista com o Behrens, afinal, adoro saber de onde vêm as boas ideias.

Primeira etapa cumprida, fui ao jogo com a camisa, fomos campeões, algumas pessoas comentaram, outras acharam graça, outras tantas só olharam. A camisa é linda. Vermelha, preta e sutil. Inteligente, um protesto de um torcedor indignado. Faltava a segunda parte, né? Conversar com o autor.

Aí apareceu aquela pedra no meio do caminho, nada poética, daquelas que você chuta e se machuca. A Sportfield decidiu copiar a ideia deles. Copiou, produziu e botou à venda no site pelo triplo do preço. E ainda mandou um e-mail marketing pra comunicar à sua base de clientes que o produto estava disponível. Isso, dia 25 de janeiro. Depois que eu já tinha recebido, usado e sido campeã com a minha. E olha que eu nem fui das primeiras a tê-la.



Só que a Sportfield fez tudo isso envolvendo as marcas dos patrocinadores e o escudo do clube, tornando isso, digamos assim, oficial. Ok, usaram a descula do número 12, aposentado para a torcida, mas e daí? Roubaram a ideia de um designer, digamos para os devidos propósitos, independente e decidiram capitalizar em cima disso.

E eis que fui fazer minha entrevista já com outra orientação, fazer o que...


Sobre o campeonato de 87, já que a polêmica era essa, queria saber: afinal, qual seria a melhor decisão?

Behrens - Eu acredito que a melhor saída seria a divisão do titulo entre Flamengo e Sport. Não acho justo mas seria políticamente correto. Na verdade, não foi como se o Flamengo tivesse ganho a Serie A e o Sport a Serie B. Foram dois torneios paralelos.

Isso tudo uma grande confusão que a CBF armou ao declarar que não organizaria o campeonato de 87. Os clubes organizaram uma liga e depois a CBF organizou outro campeonato e inventou que os dois "grupos" tinham q se cruzar no final.

Os clubes nunca aceitaram isso e todos reconhecem que o Flamengo é o campeão daquele ano.

Como o Sport é o campeão reconhecido, pra mim a solução é dividir o título. Tirar o título do Sport não é justo tambem.


Bacana, um flamenguista bem ponderado. Mas... E a inspiração pra criar a camisa?

Behrens - A idéia da camisa surgiu no dia seguinte ao reconhecimento dos titulos anteriores a 71. Estávamos num bate papo entre amigos rubro-negros falando sobre essa injustiça, Até que meu amigo, Marcos Garcia disse: "Quer saber, quem não reconhece a CBF sou eu!"

Daí fizemos a camisa.


Rá! Viu só? Boas ideias podem surgir em uma mesa de bar! Como profissional criativo, é claro que ele já deve ter sentido aquele medo básico de alguém roubar sua ideia e não deu outra. A Sportfield fez o que fez. Estava tudo registrado? Porque dá pra colocar a cronologia do "lançamento" pelo monte de post que saiu em blogs diversos. 

Behrens - Pois é! Eu trabalhei muitos anos como criativo em agência de propaganda e agora estou trabalhando com design, rola esse medo sim,  mas nunca tinham plagiado nada meu (não que eu saiba...rs). O Pior pra mim, foi como eles fizeram. Eu descobri porque uma pessoa que comprou recebeu um email marketing da Sportfield anunciando. Ele me repassou esse email. Você clica no anuncio e vai pra uma pagina interna. Não aparece na Home deles. Fizerma na surdina,

O que eles fizeram foi uma absurdo. Um produto feio, ainda por cima, tosco. Eles só se deram ao trablaho de trocar a fonte, muito provavelmente por não ter noções de design pra perceber diferença entre uma fonte e outra....rs

Eles estão indo na carona do sucesso que fez a camisa.

Eu tô tranquilo quanto aos meus direitos. O desenho da camisa está registrado e fora isso existem inumerras provas de autoria do trabalho. A camisa foi publicada em diversos blogs com meu nome. Prova é o que não falta!


Aí vem outra questão interessante. Quando o povo copia a ideia das grandes marcas, é pirataria. E quando as grandes marcas fazem a mesma coisa, o nome é outro? Ou você acha que é pirataria do mesmo jeito?

Behrens - Plagio, pirataria... Pode dar o nome que quiser. O fato é que eles roubaram um trabalho autoral meu e do Marcos. Eles tem que ser punidos. A questão é que nós idealizamos um protesto e quando começou a fazer sucesso vem alguem e pega a ideia e tenta fazer muito dinheiro em cima. Eu fiz um produto barato pra poder massificar o protesto. Minha margem de lucro é pequena. Esses caras estão vendendo essa versão falsificada por 100 reais. Olha quanto dinheiro eles vão fazer?

Outra coisa: Minha ideia era fazer um protesto da torcida mas sem envolver a instituição C.R. Flamengo. O que a Sportfield tá fazendo o oposto, está envolvendo a marca Flamengo e seus patrocinadores. Não acho isso legal. Vai acabar criando mais um atrito entre o Clube e a CBF.


Considerações finais?

Behrens - Acho que os Flamenguistas tem que usar essa camisa que um grito engasgado em todo mundo. Temos que aumentar essa voz. Esse protesto tem que crescer. Ai quem sabe um dia o Hexa sera reconhecido! Temos que protestar contra essa pirataria. A gente tá cansado de ver blitz do governo, policia destruindo CDs piratas mas o contrario a gente nao ve. As empresas roubam as ideias e nada acontece.

Vou fazer meu protesto agora: Eu não reconheço a Sportfield!


Só vou discordar aqui. Eu reconheço a Sportfield. Reconheço sua cara de pau e total falta de talento pra roubar uma ideia direito. Essa camisa ficou pior que um abadá.

E quem quiser comprar a camisa original e mostrar que isso que a Sportfield fez foi inaceitável, é só ir na lojinha virtual. E se você não é flamenguista, acho que vale repassar o protesto pelo princípio. Conto com vocês, amigos e leitores!

5 comentários:

  1. É... A CARA DE PAU DE ALGUMAS PESSOAS, LOJAS E MARCAS ME IMPRESSIONA... BRINCADEIRA... O _ODA É Q IDÉIA DO CARA É SEN-SA-CIO-NAL!! HISTÓRIA INCRÍVEL A DELE!! ESTÁ DE PARABÉNS!! ESTOU ENTRANDO EM CONTATO COM ELE AGORA PARA SABER COMO ADQUIRIR A MINHA!! E, DEPENDENDO D COMO FOR, AINDA VOU DIVULGAR ESSA SITUAÇÃO ESDRÚXULA NO BELEÊ BELÊ DESSA 6ª FEIRA, 28/01.

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  2. Algumas pessoas até podem ter idéias iguais, mas com o mesmo layout... é sacanagem mesmo.

    Processo neles!! Essa questão não tem nada a ver com o time, é falta de ética, de vergonha na cara, etc...

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  3. Incrível mesmo essa história, a camisa dele é ótima, conseguiram estragar uma boa ideia. Surreal!
    Choquei =O

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  4. Boa, Nanda! Além de uma ótima entrevista, uma ajuda pra reconhecer os verdadeiros autores da idéia. Espero que pelo menos os leitores desse blog ajudem a divulgar.

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  5. o pior é que, não satisfeitos em roubar uma boa ideia, a transformaram numa camisa cafonérrima!

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