terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Minha primeira vez no Pacaembu

Hoje é aniversário da cidade de São Paulo (parabéns, Paulicéia!!) e, como de praxe, foi a final da Copinha. A disputa entre Baêa e Mengão se deu no Pacaembu e, ufa, a preguiça não nos impediu de ir ao estádio ver a molecada jogar.

Gente, o Pacaembu é lindo. Nem tomamos café antes de sair de casa, então chegamos lá pra aproveitar o famoso pastel que é vendido ali em frente antes de entrar na fila. O acesso era gratuito, então não teve sol ou horário insólito que impedissem a torcida do Mengão de comparecer. E o sol estava BACANA, viu? Vou te contar. Vocês têm que ver o bronzeado lindo que eu fiquei. Só no rosto e nas coxas. Fora a insolação, que eu tenho certeza que foi a razão do sono impossível pós-jogo.

Era dia de estreias. Primeira vez na casa do Corinthians, primeiro jogo em São Paulo, primeira vez que levava a minha camisa nova pra passear, primeira vez que ia torcer pela molecada. Na fila, achamos 3 amigos do namorado, então pudemos curtir o jogo em grupo, e isso foi ótimo.

Percebi que sou muito sortuda. Onde eu sento, sempre tem alguém meio travado do lado. Na última vez que fui ao Maraca, ver Flamengo e Santos, tinha um doido atrás de mim que apontava até pro juiz e dizia que ele era ótimo porque já tinha jogado no São Paulo. Hoje, primeiro teve o tiozinho que apontava pra todo mundo com a camisa vermelha e preta e chamava de Rafinha (acompanhar a numeração pra que, né meu senhor?) e depois teve o tiozinho que achava que todo mundo era mascarado. Parecia meu avô, podia ter chamado ele de vovô enxaqueca. Negueba pegava na bola e era mascarado. Rafinha pegava na bola e era mascarado. Ai, que saco de pessoa pra assistir o jogo perto, viu?

Correndo o risco de ser xingada pelos torcedores do Baêa, não achei que o time deles era lá essas coisas. Jogaram sério, mas também fizeram muita falta e mostraram comportamento anti-desportivo, o que eu condeno veementemente. Se o juiz tivesse apitado e dado cartões proporcionais às jogadas feitas por eles, eles teriam cards pra trocar com os amigos depois do jogo. A torcida deles deu show. Aliás, as torcidas baianas sempre dão show. Acho que são o maior exemplo de espírito esportivo que temos no Brasil. Admiro de verdade. Apaludiram o time com a maior vontade depois da derrota e isso é uma força que eu queria que todos nós tivéssemos (mas é difícil, viu?).

Senti a galera bem cansada, mas também, jogando praticamente dia sim, dia não, acho digno que estejam cansados, credo. São moleques, não são robôs! Mas a emoção dos pequenos Rubro-Negros com a vitória foi linda. Juro que dei uma choradinha. Talvez tenha até chorado pra cacete, mas o sol secou antes que as lágrimas ganhassem a luz do dia, vai saber.

Reforço meus apalusos a Cesar, goleiro gênio que fez ótimas defesas e consagrou seu espaço no meu coração. Com certeza salvou a bola que poderia ter dado o empate ao Baêa. Vários moleques mereceram os aplausos, inclusive o Lucas, que recebeu um carrinho assassino que rendeu só um amarelinho ao moleque sem noção que achou bacana tirar o coitado da final. Meu coração partiu quando ele tentou voltar ao campo, viu que não daria mais, pediu pra ser substituído, sentou e chorou. Queria dar um abraço nele e um bico no miserável responsável.

Outro momento feio foi quando o camisa 16 do Baêa achou por bem bicar Negueba quando estava no chão. Mais uma boa oportunidade para o juiz expulsar uma criança que não sabe brincar com as outras, mas como ele só apitava falta contra o Flamengo, fato que ele não fez.

O Fla mostrou caráter em campo 2 vezes, ao botar a bola pra fora pra que jogadores fossem atendidos. O Baêa, quando teve a oportunidade de retribuir a gentileza, tentou fazer o gol. Pararam a contragosto, mas assim que receberam a bola de volta, miraram a meta e mandaram ver. Caráter a gente vê nessas horas, fica a dica.

A proporção de torcida foi, mais ou menos, de 7 pra 1. Claro que Flamengo > Baêa. Mas as duas torcidas fizeram belas festas, mesmo com o sol queimando o quengo.

O juiz, queridão, mereceu todos os xingamentos que recebeu. Ô, desgraçado ruim dos infernos! Que bicho ladrão! Espero que ele nunca seja promovido a nada profissional, senão prevejo encrencas. Ele não é minimamente bom nem pra apitar campeonato de juniores!

Apito final, a molecada do Baêa caiu e chorou. Teria ficado com pena, se não tivessem me irritado tanto com suas atitudes de.. bem... moleques. Mas chorei com aqueles meninos tão pequenos do Flamengo correndo pras arquibancadas, batendo e beijando o escudo, esse orgulho, essa vontade, é por isso que nós amamos futebol. Eles mereceram, por tudo que fizeram. Queria pegar todos no colo, de verdade. A volta olímpica foi emocionante, a taça era maior do que eles. =)

E, no final, minha camisa nova rendeu comentários e acabou dando sorte. Em breve, vou postar aqui uma conversa com o autor da obra, porque o cara merece. Enquanto isso, deixo vocês com a foto.


Terça com cara de domingo, eu fui ao estádio torcer pro time de que sou fã, pra sofrer e, no fim, gritar que sou campeã. ;) Obrigada a todos os envolvidos (agradecimentos especiais ao David, que me levou ao estádio, e ao Pedro Drable e o Marcos Behrens, que garantiram a indumentária).

8 comentários:

  1. Ai, que lindo que você tava lá, Nanda! Eu fiquei aqui lendo só os comentários no twitter e cheia de orgulho desses moleques.

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  2. Sensacional ter a visão de alguém q viveu o fato e mesmo n sendo fla admito q vcs mereceram. Parabéns pelo título e pela divertida matéria. ; )

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  3. Hahaha, não precisa agradecer, eu fui só o intermediário.

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  4. Muito bom o texto, Nanda! Curti o humor da camisa! Parabéns.

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  5. A molecada do Bahia parecia o Boca Juniors jogando contra algum time brasileiro na Libertadores. Mas o Flamengo mostrou muita competência e mereceu o resultado. O título foi mais do que merecido. Com certeza, uns três ou quatro jogadores irão para os profissionais do Fla. Parabéns a molecada rubro-negra.

    E parabéns pelo texto, Nanda.

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  6. O Cesar já vai treinar como 4º goleiro, olha que gracinha... =) Vcs tinham que ver a fofura do menininho na minha frente, todo empolgado de estar no estádio, via a galera girar a camisa, ia lá e girava o boné! apaixonei!

    Pior foi que o juiz fez a gente gritar TANTO palavrão, que só depois de estar rouca eu me toquei que tinha muita criança ali, aprendendo um monte de besteira. O tal fofo do boné teve uma hora em que olhou pro pai e disse sobre o juiz: bobão, né pai? E o pai, aliviado, disse "é filho, bobão!". O moleque da frente, bem menorzinho, olhou curioso pro pai enquanto dizia em tom de pergunta: "tomanocu?"

    MORRI!

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  7. Adorei o post, mas que Corinthians que nada: o Pacaembu é do Vargas! :P

    Volta lá agora pra visitar o Museu do Futebol.

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