sábado, 8 de janeiro de 2011

Da arte de forjar espetáculos

Esses dias me peguei pensando no tanto que achávamos ridículo um astro da música exigir não sei quantas toalhas (todas brancas), não sei quantas águas especiais saborizadas, não sei quantas almofadas de seda e sei lá mais quantas outras frescuras no camarim pra poder fechar contrato de show em algum lugar. Sempre perdia o respeito de leve por quem fazia isso.

Pois agora Ronaldinho Gaúcho colocou em sua listinha de coisas pra fechar com o Fla um camarote exclusivo pra sua família no Engenhão.

Amigo, se você fechar com o Flamengo, acho melhor pedir asilo pra sua família inteira no Rio, porque vocês estarão todos correndo risco de vida em POA.

Isso pra vocês terem uma ideia da confusão que essa história já virou. Pelo que se diz nos bastidores, o presidente do Grêmio exagerou bastante ao puxar a sardinha pro seu lado e agora a torcida, que considerava Gaúcho um traidor, está inflamada com a possibilidade de sua volta. Messias style, sabe? O problema é se ele não vier.

Enquanto Assis alimenta o hype e assiste, de seu apartamento na Barra, os times se baterem pelo irmão, as torcidas fazem papel de palhaças e os jornalistas que afirmam saber pra onde vai o jogador que já foi o melhor do mundo vêem sua credibilidade se esvair um pouquinho mais a cada "nada está decidido ainda".

Galliani prefere o Flamengo e, pelo que parece, o Milan já deu o ok pra que ele fechasse com o clube. Mas, pra isso, eles querem garantias de que o exorbitante valor de 17 milhões sera pago. Os italianos não querem nem pensar na possibilidade de calote.

O que querem? Diego Maurício e Galhardo são fortes opções.

Patricia Amorim e amigos já ofecereram um salário de 1 mi e 600. Isso é só o salário. Tenho minhas opiniões pessoais sobre essas discrepâncias entre jogadores em um clube, mas o Flamengo não me perguntou nada, então vou guardá-las pra mim.

Só digo que não acho boa ideia entregar dois atletas que ainda têm um futuro brilhante pela frente por outro que já teve um belo desempenho em campo e agora vem para o Brasil porque, na boa, na Itália já estão cagando pra ele.

Sejamos sinceros. Isso tudo é uma bela jogada pra se extrair leite de pedra. O valor que será pago por Ronaldinho não é seu valor real, mas um valor inflacionado por todos os títulos e dribles e jogadas bonitas que já fez um dia. Quase como quando você contrata um diretor pra sua empresa e o cara precisa apresentar todos os seus cases de sucesso, contar sobre seus grandes desafios, derrotas, vitórias, o que ele aprendeu nessa trajetória toda. Aí você paga peso de ouro por ele.

No futebol era pra ser diferente, não? Mas a gente só vê os clubes pagando por especulação e inflação. Jogadores que ainda nem vingaram recebendo apostas milionárias e outros que já deveriam estar pendurando as chuteiras fazendo farofa nesses leilões vergonhosos a que provavelmente ainda nos acostumaremos.

E os precedentes só vão se acumulando, o que vai criando um cenário assustador pro futuro.

Acho que estamos criando a bolha do futebol. Preferia que ela não estourasse.

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