sábado, 4 de dezembro de 2010

Flamenguistas d'além mar

Outro dia, minha mãe comentou comigo sobre uma nota que tinha lido no Ancelmo, a respeito de Eusebio, craque português, ser flamenguista. Ela, toda pimpona, achando super legal. Também achei, sabe? O cara foi um super craque, ídolo em seu país e, esquisitamente, torce pelo Rubro-Negro.

Assim como ele, um conterrâneo seu, o escritor Luis Miguel Pereira, recentemente concretizou seu interesse pelo clube ao lançar a Bíblia do Flamengo. Não digo que esse seja efetivamente flamenguista, mas ele com certeza gosta muito do time pra se dispor a montar uma coletânea sobre suas conquistas e trajetória, descolando, de quebra, um prefácio de Zico.

Ninguém mais, ninguém menos.

Ok, mas por que isso seria tão interessante? Mais dois flamenguistas no mundo? Mais um livro sobre o Flamengo? Que sono, hein?

Ahá! Pois aí é que está a questão. Os dois são portugueses.

Um grande amigo meu, vascaíno e muito querido (beijo pro Leo Almeida!) disse que todo português que não é vascaíno é falsificado.

Eu acho uma coisa bacana extamente porque eles fugiram do estereótipo, decidiram não seguir a nau pra escolher pra que time torcer. Nós aqui já escrevemos antes sobre os motivos pra se escolher o time do coração, temos duas Luluzinhas que fugiram da herança, por assim dizer, ao fazerem seu próprio caminho no mundo das arquibancadas.

E o meu interesse nesses dois portugueses e sua simpatia pelo clube da Gávea vai por aí. Não foram pelo suposto raciocínio lógico, do "sou português, donde se conclui que devo, obviamente, torcer pelo Vasco, talvez pela Portuguesa, aliás, me veja aí um bolinho de bacalhau". Como assim, né? Liberdade de escolha, liberdade de paixão! E abaixo os estereótipos!!

Imagino eu que Eusebio tenha visto dias melhores do meu clube, definitivamente melhores do que os atuais, como nosso time fraquíssimo e sem perspectivas de dias melhores. Pereira viu Zico jogar. Não tem como não entender seu encantamento. Eu vi o Galinho ao vivo só mais velho, em um daqueles amistosos de aniversário que ele promove no Maraca e passei o dia seguinte inteiro chorando, incrédula. Ele marcou 2 gols naquele jogo.

Tem um trecho de um filme que diz que só vale a pena você se apaixonar se você tiver uma boa história pra contar sobre aquela paixão. Eles falavam de amor romântico, é claro, entre pessoas, mas acho que cabe aqui. Futebol é isso, são pessoas, momentos emblemáticos que decidem ou confirmam a vontade do seu coração, as cores pelas quais ele vai bater.

Fico feliz com meus "irmãos" d'além mar, esses tais flamenguistas falsificados que confirmam que essa torcida não cabe em si mesma e encontra voz em todo lugar.

Fugindo do lugar comum.

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