quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Traições e "traições" no futebol

Lá vou eu me meter à besta de falar de tema polêmico.

Quis escrever esse post desde que a Nanda citou o Branco em algum post seu (o da água batizada), e me lembrei de quando ele, em um momento muito propício, entrou com um processo contra o Fluminense. Para quem não sabe ou não se lembra, ele o fez no dia seguinte da derrota da Libertadores, em 2008, quando ainda era o coordenador de futebol. Qual era a proposta dele? Que ele fosse pago com o dinheiro arrecadado na final. A razão do processo era que Branco exigia a indenização de R$ 2,8 milhões. Ele havia entrado com processo contra o Fluminense em 1997, cobrando os três meses de salário que recebeu em 1994, quando era lateral-esquerdo do clube e serviu a seleção na campanha do tetracampeonato mundial. Ora, se a renda na final foi de cerca de R$ 3, 9 milhões, nada mais justo do que pagar ao Branco, o único funcionário do clube no momento.

Pesquisando sobre o assunto, vi que a traição é um tema mais do que recorrente. Algumas assim o são consideradas por muitos, mas não por todos. É o caso do Ronaldo x Flamengo, no final de 2008, ao fazer juras de amor ao clube, treinar nos domínios do clube, para depois assinar com o Corinthians. Na época, o assunto "traição" veio à tona, e o jornal espanhol “Marca” fez uma lista das 20 maiores traições no futebol. Elas seriam:

Figo Do Barcelona para o Real Madrid
Roberto Baggio Do Fiorentina para o Juventus
Ruggeri Do Boca Juniors para o River Plate
Sol Campbell Do Tottenham para o Arsenal
Batistuta Do River Plate para o Boca Juniors
Romário Do Vasco para o Flamengo, de volta ao Vasco, passando no Fluminense, e voltando para o Vasco
Cruyff Do Ajax para o Feyenoord
Caniggia Do River Plate para o Boca Juniors
Hugo Sánchez Do Atlético de Madri para o Real Madrid
Mo Johnston Do Celtic para o Glasgow Rangers
Tardelli Do Juventus para o Internazionale
Luis Enrique Do Real Madrid para o Barcelona
Ronaldo Do Barcelona para o Real, e do Internazionale para o Milan
Paul Ince Do West Ham para o Manchester United
Laudrup Do Barcelona para o Real Madrid
Aldo Serena Do Torino para o Juventus
Cáceres Do River Plate para o Boca Juniors
Denis Law Do Manchester United para o Manchester City
Schuster Do Barcelona para o Real Madrid
Gatti Do River Plate para o Boca Juniors

As supracitadas tratam apenas de jogadores que saíram de um clube para outro, arquirrival do antecessor. Não sei até que ponto isso pode ser considerado um ato de traição. Ainda mais hoje em dia, que jogador troca de clube mais vezes do que troca a chuteira. Se for pensar assim, Romário, Pet, Edmundo e muitos, muitos, muitos outros, não passam de enormes traidores. Um caso interessante é o caso do Mo Johnston, pois a rivalidade escocesa entre Celtic e Rangers vai além das quatro linhas: o primeiro é um time de católicos, e o segundo de protestantes. Ele cometeu a heresia de jogar nos dois times, e acabou odiado por ambas as torcidas.

Temos também as consideradas traições do jogador ao próprio clube de atuação, como foi o caso do Fred, que culpou nosso (ex)coordenador médico, Michael Simoni, após ter sofrido nova lesão. Ele alegou em uma coletiva, que sua nova lesão foi atribuída à sua volta precipitada aos campos. Veja bem, ele convocou uma coletiva somente para este fim: o famoso "tirar o seu da reta". Michael Simoni, após tantas confusões e tantas demonstrações de amadorismo no clube, colocou imediatamente seu cargo à disposição.

Ainda na minha pesquisa, achei uma matéria do UOL Esportes falando sobre traições entre técnicos brasileiros. Vou colocar aqui apenas três, que concernem técnicos cariocas:

Parreira x Joel Santana
: Carlos Alberto Parreira foi acusado de ter se oferecido para voltar ao selecionado africano no lugar do Joel, algo que acabou se concretizando. Comentário a parte: me lembro que na época que o Joel assumiu a Seleção africana, os mais conspiracionistas achavam que o Parreira o havia indicado para sabotar a boa fase que o Flamengo passava (Campeão estadual e havia acabado de golear o América do México, no Estádio Azteca).

Joel Santana x Cuca:
Após perder o cargo de treinador da seleção da África do Sul para Parreira, Joel Santana 'cavou' o seu lugar no Fluminense. "Faltam quantos jogos, seis? Eu gosto desse tipo de desafio. Até porque eu sou iluminado. De repente, eu vou nessa se a torcida comprar o barulho comigo. O time do Fluminense não é ruim. Tem, sim, bons jogadores", afirmou Joel Santana em entrevista à TV Globo. Joel levava a fama de "Salvador da Pátria" desde que havia salvado o Flamengo do rebaixamento, em 2005. Dois anos depois, assumiu novamente o Flamengo nas últimas posições da tabela e o levou à Libertadores.

Cuca x Muricy Ramalho: Parece que o Cuca havia ligado para o presidente do São Paulo perguntando se ele poderia ou não pedir demissão do Flamengo. Muricy não ficou nada feliz com o ocorrido. E o Cuca, obviamente, negou. Se não me engano, foi justamente nessa época que o Cuca estava em crise no Flamengo, principalmente com os jogadores. A bomba estourou na Gávea somente (e imediatamente) após sua saída.

As traições, muitas vezes, fogem do campo. Recentemente vimos o caso do jogador inglês Wayne Bridge, em um caso extraconjugal que sua esposa teve com seu companheiro de equipe (e amigo próximo), John Terry. Terry e Bridge atuaram juntos por 6 anos no Chelsea. O caso fez com que Terry desistisse de jogar pela seleção inglesa (ele seria convocado para substituir o então lesionado Cole), e de lambuja, fez com que Terry perdesse a braçadeira de capitão da seleção. Quem não se lembra do episódio onde Terry (Chelsea) ficou em um enorme vácuo quando Bridge (Manchester) não o cumprimentou?

São muitos os casos, mas eu já estou com sono. Compartilhem histórias e causos de traições (mencionados ou não mencionados por mim). Adoro essas histórias!

8 comentários:

  1. Engraçado como isso de traição ficou tão subjetivo diante do atual contexto do futebol que vc definiu tão bem ao dizer que jogador troca de time como troca de chuteira.

    Robinho tb teve seu momento, né? Na época levou até o título de jogador mais mercenário quando concluiu sua transferência para o Manchester City. Acho que logo veremos Neymar protagonizando algo bem legal desse nível. Tá se encaminhando direitinho pra isso. Pra mim, Ronaldo é o pior caso. Tb não curti a postura do Sheik logo antes de vir pro Flu, me irrita isso de jurar amor a uma camisa qdo vc sabe que vai onde o dinheiro for mais alto. Eu entendo q seja uma decisão profissional e q carreira de jogador dura pouco, blablabla. Então não diga q ama o Flamengo se vc vai até pro Avaí se ele te oferecer mais, ok?

    A história do Cuca com o SP estourou antes dele sair do Flamengo, durante o motim de 2009. Ele só não caiu antes pq Kleber Leite o protegia no clube. Enfim...

    Em termos de técnicos, acho q um dos mais bizarros do momento é Carpegiani, q largou o Atlético PR pra ir pro SP na cara dura. Ele disse q não foi antiético, mas aí é uma questão de ponto de vista. Eu achei, sim. Mas, de novo, o dinheiro não fala mais alto, ele berra.

    Olha, Marcela, são tantos exemplos de facada nas costas, mas tudo pode ser contra-argumentado, já que estamos em uma época em que tudo se explica e tudo se entende e ninguém pode criticar ninguém. Aiai...

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  2. Cabe também analisar a postura ética dos clubes, não acha? Afinal, se o jogador ou técnico muda de time, alguém ofereceu a oportunidade pra ele.

    E o seu time, Marcela, é o mais voraz roubador de atletas de times da outra cidade. Vive assediando os jogadores que se destacam no Fogão, pelo menos... Recentemente tentou levar o Somália, já levou Thiaguinho e Diguinho... isso sem falar que seu querido Conca já foi jogador do Vascão...

    iau!

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  3. hahaha! E o Sheik, que passou séculos mandando avisar que ia voltar pra Gávea, né? =P

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  4. Meninas, vejam bem, eu não acho que mudar de um time para outro da mesma cidade seja traição não, é uma coisa natural. Por isso no título eu coloquei "traição" (entre aspas).

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  5. Eu acho um pouco. Além do mais, tô botando lenha na fogueira, aproveitando o embalo de Camillinha.

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  6. Nanda, o caso do Sheik, é uma história muito mal explicada pela diretoria. Eu lembro que na época o Carlos Peixoto disse que o Flamengo nao iria investir num jogador já com 31 anos(depois compraram o passe do Deivid que tem 31). O Emerson PAGOU a multa rescisória que tinha qnd veio pro Flamengo em 2009. Menos de 6 meses depois foi vendido, e o Flamengo recebeu aproximadamente 2mi por essa transação, não pagou nada pelo Emerson e recebeu 2 milhoes pela sua venda. Esse ano quando o Flamengo procurou o Emerson, ele revelou o desejo de voltar, mas o clube dele queria receber 1,2mi da multa rescisória, o Flamengo nao quis pagar, o Fluminense pagou. Claro que ele ganha mais no Flu do que os 140 mil que recebia ano passado no Fla, mas acabou que ele ficou como mercenário na história toda.
    Quanto a rivalidade, temos o Carlinhos Bala saindo do Nautico direto pro Sport, o Tinga que fez história no Inter, mas foi revelado pelo Gremio, tem ainda o Guilherme(atacante) que fez era ídolo no Galo e foi pro Cruzeiro depois. Mas das citada, a pior com certeza é a do Jonhson saindo do Celtic para o Rangers, essa rivalidade na Escorcia envolve mais que futebol, tem a ver com religião tb...lá é sinistro, FlamengoXVasco ou PalmeirasXCorinthians é fichinha perto deles e de FenerbahçeXGalatassaray na Turquia.

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  7. Pois é, eu sei que rolou alguma coisa com o Flamengo. O Sheik demonstrou uma vontade de voltar, não bancada pelo time da Gávea. Paciência!

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