segunda-feira, 22 de novembro de 2010

O desespero do 12ª jogador

Cabem pouco mais de 46 mil pessoas no Engenhão e o Flamengo conseguiu botar quase 40 mil torcedores nas arquibancadas no jogo contra o Guarani. Foi o maior público que o estádio recebeu nesse campeonato. Tudo pra ver o Rubro-Negro tentar afastar a possibilidade do rebaixamento, a 3 rodadas do fim.

Com ingressos até R$ 20,00, o Fla conseguiu praticamente lotar a casa do Botafogo, provando que ações populares encontram resposta imediata na torcida. Vontade de participar não falta, o que não está sobrando é grana. Mesmo sendo repetitiva, acho importante dar a dica pra galera da cúpula. Porque ideia de jerico eles têm sozinhos, então nem preciso compartilhar essas, né?

Continuando. O time não foi bem. Luxa entrou com Deivid e Diogo no ataque, apostando em Kléberson no meio. Nhe. Tremenda porcaria.

A falta bem cobrada de Renato Abreu logo no começo do jogo quase deu pra iludir a gente, aquela sensação gostosa de que as coisas talvez não precisassem ser tão difíceis.

Não pro Flamengo, né? Ô time pra não gostar de ficar confortável, viu? Sem sofrimento, não tem graça. E com Luxemburgo dizendo pros jogadores terem calma, parecia a senha pra cagada. Não fazer falta perto da área, não criar oportunidade pro Baiano cobrar, não fazer falta perto da área, não criar... Ops. Já era. Gol do Baiano. Frango do Lomba.

E aí foi aquele desespero mesmo. Luxa mexeu, tirou Deivid e tentou Diego Mauricio. Tirou Kléberson e lançou Pet. Honestamente, não melhorou muita coisa não, mas Diego tem mais estrela que Deivid e muito, muito mais vontade. Por isso marcou mais um. E foi comemorar sozinho, ajoelhado no campo.

O Guarani jogou feio, violento e chato que só. Baiano é bom, isso eu não posso negar, mas o resto do time não é nada demais. Pra compensar a falta de técnica e classe, sobrou pancadaria. O jogo foi feio e eu senti muita vergonha de ter de torcer praquilo como se fosse uma final de campeonato. De ver a Nação encher o Engenhão como se fosse tranquilo aquele jogo carregar o peso de ser decisivo.

A isso, preciso agradecer à péssima administração de Patricia Amorim e seus colegas, que deixaram o campeão de 2009 ficar em milésimo plano, enquanto sonhavam com um CT à base de tijolinhos de ouro e museus, investimentos em outros esportes e total incapacidade de capitalizar em algo que deveria se vender sozinho. Larissa Riquelme fez um trabalho muito mais eficiente com seus peitos. E olha que ela não é nenhuma gênia, né?

Na minha timeline no Twitter, algumas pessoas que teriam soltado fogos com a derrota do meu time, debocharam da emoção de flamenguistas diante da possibilidade de não estarem na segunda divisão ano que vem. Curto muito que tenham sido pessoas que odiaram a experiência da segundona, que apostaram em campanhas de envolvimento da torcida e por aí foi. Mas no dos outros é engraçado, né? No do Flamengo então, é mais engraçado ainda.

Todo mundo querendo ver a mulambada rebaixada. Acho que muita gente abriria mão do título só pra ver isso acontecer. Ou, melhor ainda, se pudessem ser campeões e ver o Flamengo cair, nossa... O mundo poderia acabar no dia seguinte que eles não precisariam de mais nada.

Eu fui uma das mulambas que chorou. Chorei mesmo. De alívio, de desgosto, de vontade de falar um monte na cara de todo mundo que provocou essa humilhação, da Presidenta até os responsáveis pela saída do Galinho, aos torcedores ridículos que apoiam qualquer campanha sem pensar e ficam se achando o máximo porque podem comprar tijolinhos e pagar títulos e mensalidades excludentes. Sequer param pra refletir sobre a realidade que nunca vai mudar, da lama que impera na Gávea.

Chorei de vergonha mesmo, por ter que comemorar vitória contra o Guarani e fazer contas no final do Brasileirão pra ter certeza de que continuamos na série A. Um abismo entre o final de 2009 e agora.

As lágrimas com certeza tinham gosto diferente.

2 comentários:

  1. Eu não consegui comemorar a vitória de ontem... claro que foi bom. Mas não concordo com a festa pós-jogo e tão pouco com os aplausos. Sinceramente?? Achei ridículo e um tremendo papelão tudo aquilo que rolou no estádio assim que o juiz apitou o fim de jogo.

    Assim como você, senti vergonha. 2010 ainda não acabou, precisamos de um empate... mas desde já fica a torcida por um 2011 digno...

    ResponderExcluir
  2. Renato Abreu extremamente presepeiro. Mas eu entendo a comemoração da torcida, aquele bando de gente foi pra ver o time se livrar de um possível rebaixamento, e foi o que de fato viram, certo?! Não se esqueçam de que tudo que está mal pode piorar, né?! Então, comemoraram algo que aconteceu para evitar uma tragédia ainda pior! Fora que, com o ingresso a esse preço, uma grande parcela da torcida que estava lá, devia estar matando as saudades de assistir uma partida assim, ao vivo e a cores....

    ResponderExcluir