terça-feira, 16 de novembro de 2010

Meu Maraca, minha casa.

From O Maraca é nosso

Todos temos nosso lugar especial nessa vida. Alguns se sentem "em casa" quando vão à uma praia especial, a um parque, são infinitas as possibilidades. Eu me sinto assim no Maraca. Depois de ter deixado a casa dos pais, o país, de tantas mudanças e de não decidir meu lugar no mundo... é no templo do futebol que eu me sinto no meu lugar.

Já disse por aqui que o Maraca e eu temos uma história que vai muito além do futebol. É uma relação familiar, de vizinhos, um amor incondicional. Frequento o templo desde bem pequena. Sei que é feio ficar se gabando, mas preciso dizer aqui: eu tenho um tio Maraca. Pois é, tenho uma pessoa muito especial e querida que trabalha há anos (desde que eu “me entendo por gente”) ali, logo nele. E por isso pude crescer com o Maraca sendo parte da minha vida.

Também tive a sorte de sermos vizinhos. Vivi quase toda a minha vida a 5 quarteirões de distância do "maior do mundo". Foram muitas as vezes que o escutei gritar, seja por algum grande show, seja por uma torcida feliz. Quantas vezes, acompanhando jogos pela TV, tirei o volume pra escutar o grito do gol... Tantas outras vezes acompanhei pela varanda o pré-jogo: desde a chegada das torcidas ao estádio, passando pela briga pra estacionar até a saída (muitas vezes com a tristeza da violência das torcidas...). Minha casa tornou-se ponto de encontro pré e pós jogo, entre amigos, familiares, todos queriam ficar ali pertinho dele. E nossa vida passou a se organizar em função desse vizinho especial: em dias de jogos a rotina mudava sempre; na hora de dar referência “Moro ali, do lado do Maraca”; é onde fazemos esportes (como caminhada, natação); cresci com meu mundo girando ao redor do templo do futebol mundial.

E também nasci numa família em que todo mundo ama futebol. Meus irmãos, meus pais, primos, tios, todos. Futebol é nossa vida, nossa paixão, nossa alegria. Engana-se quem pensa que somos todos da mesma torcida, longe disso. Mas compartilhamos dois dos maiores amores: o esporte... e o Maraca!

Foi por isso, juntando essas três coisas, que inevitavelmente o Maraca tornou-se uma importante parte da minha história. Fui a tantos jogos que é impossível contar. Sinceramente, não lembro a primeira vez, porque parece que ela nem existiu: eu sempre estive ali. Vi jogos de todos os times possíveis, já que ia com quem fosse, só pelo espetáculo. Lembro bem do gol de barriga do Renato Gaúcho contra o Flamengo, meu pai (tricolor) até hoje lembra que, na hora que ele foi comemorar minha irmã (flamenguista) pulou no colo dele, agarrou seu pescoço e começou a chorar, descontrolada... Lembro de um dia frio, daqueles raros no Rio. Maracanã vazio, eu, meu pai e meus irmãos, cada um com um copo de café nas mãos assistindo... Cruzeiro e Botafogo. Em plena quarta-feira, com aula na manhã seguinte.

Quando cresci, essa paixão só aumentou. Sempre que podia lá ia eu pro Maraca. Juntava a mesada pra comprar meu ingresso, isso quando o tio Maraca não conseguia, claro (já que ele tem muitos e muitos fanáticos como eu na família); ficava na fila, no sol quente. Mas conseguia. Na final do brasileiro de 97, na final entre Vasco e Palmeiras, meu pai disse que não ia me levar, que era perigoso. Eu tinha 14 anos. Olhei pra ele e só disse: "Por favor, não faz isso. Não quero ter que fugir, mentir pra você. Preciso ir, preciso muito!". Era como paixão adolescente, mas que nunca passou. Ele entendeu, claro. E foi um dos momentos mais emocionantes que já vivi.


From O Maraca é nosso

Poderia continuar aqui por horas lembrando as muitas histórias, os momentos de alegria e de tristeza. Recentemente, dois momentos marcantes: a semi-final da Copa do Brasil entre Vasco e Corinthians em 2009, em que a imensa torcida bem feliz deu um belo show, mostrando que a segundona ia passar, e nós estávamos com o Vasco até o fim; e o jogo que confirmamos a volta à elite do futebol nacional, no final do mesmo ano. Chorei gritando e cantando, na festa no templo máximo do futebol:

E pra Primeira eu vou Subir
Pela segunda vou passar
Na Alegria ou na Tristeza
Eu nunca vou te abandonar

Vascão Ole ole ole
Vascão Ole ole ole
Vascão Ole ole ole
Vascão Ole ole ole


Impossível não sentir o arrepio pelo corpo e os olhos emocionados quando o Vascão entra em campo. Nosso belo hino ecoando pela vizinhança, nossa festa e nossa demonstração do amor que sentimos pelo clube. Cantar juntos o gol do Juninho, que entrou pra memória, nossa glória, nossa história. História escrita também ali, naquele lugar, com tantas vitórias e tantas alegrias. O Maraca é lindo, eu sei; mas fica ainda mais com a torcida vascaína decorando e animando.

Como, depois de tudo isso, não fazer do futebol a minha vida? Hoje sou o que sou, faço o que faço, por toda essa vida que levei e levo dentro do Maraca, por tudo que ele foi, é e será sempre pra mim. Por isso me dá um aperto no coração ver as fotos que postamos aqui. Cada vez que elas chegam, sinto uma pontada forte no peito... é ruim demais ver minha casa assim, aos pedaços. Não acho que é necessário fazer essa obra, fechar a casa por 3 anos... mas a decisão foi tomada, e já começou. Agora é aguentar 3 anos nessa saudade, nessa ansiedade. Pra depois, como boa carioca e apaixonada pelo símbolo do futebol, receber o Maraca de braços abertos. Pra muitas e muitas novas histórias, lembranças e momentos inesquecíveis.


Agora queremos saber as histórias de vocês! Mandem seu "depoimento" sobre o Maraca. vale tudo: uma boa história, um momento inesquecível, sua declaração de amor, o importante é participar! Não esquece de escrever que autoriza a publicação, tá? Vamos todos criar esse grande álbum de memórias! Afinal,
O MARACA É NOSSO!

7 comentários:

  1. Ai, arrepiei, Lívia! Imagino como deva ter sido crescer com o Maraca. O Daniel mora em frente também, em dia de jogo fico olhando pela janela, fico vendo as torcidas, as famílias, e até os tumultos!
    Eu fui nesse jogo que vc citou: Vasco x Corinthians, no ano passado. E o jogo foi demais mesmo, torci muito por vcs (até porque o Flu tinha acabado de ser eliminado pelo Corinthians, rs). Foi emocionante mesmo!

    Ficou lindo seu texto! Aguardaremos a volta do Maior do Mundo para irmos todas as Luluzinhas juntas, em um jogo qualquer, porque o espetáculo mesmo vai ser a nossa união no palco mais foda do mundo!

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  2. Marcela, brigada, foi lindo cresce com o Maraca!! E agora, fica a saudade!

    Sim, temos que marcar um Maraca das Lulus!

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  3. Lulus, aqui é a nossa casa, o nosso Maraca. S2

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  4. Primeiramente, PARABÉNS! Excelente texto!
    O Maraca é a casa de todos nós amantes do futebol e quando nos sentimos a vontade em um lugar, geralmente, comparamos com a nossa casa.
    Quando pequeno frequentava muito, mas muito mesmo, as Laranjeiras e considerava o clube mais que a minha própria casa. Meu pai, botafoguense caladão, nunca entendeu muito isso e sempre me perguntava: "- Pq o FLU?" Talvez tenha sido isso, natação, futsal, como me divertia naquele clube. Sinto falta dessa época... Aí veio a fase mais Maraca do Flu, quando o campo da Álvaro Chaves foi "aposentado". Tudo bem, pensei eu (olha a pretensão). Não tenho Laranjeiras mas tenho o Maracanã. Meu primeiro ano do 2º grau eu estudei na Escola Técnica Ferreira Vianna, bem próximo ao estádio, tão perto que matava aulas para assistir a jogos e não importava de quem, eu estava lá! E de novo, sofri um "baque". O Estádio Mário Filho foi fechado para serem colocadas aquelas cadeiras na arquibancada. E com o Flu semifinalista da Copa do Brasil só restava assistir ao jogo na (antiga) geral, de onde lá de cima da arquibancada eu sempre assistia a intensa movimentação nos jogos.
    E agora? com o FLU tendo a oportunidade de gritar CAMPEÃO BRASILEIRO depois de 26 anos, o Maraca "falhou" de novo comigo!
    Mas não fico, nem ficaria chateado, já vi de tudo ali. Ri, Chorei, Tirei Onda, Fugi da Polícia, de torcida... E aí, já se vão quase 20 anos de Maraca. Fico aqui na torcida para que ele volte a fazer parte de nossas quartas à noite e nossas tardes de domingo...

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  5. Adirei, Rodrigo! histórias como a sua só aumentam o sentimento (que não pode parar, rs)!

    Estudei no pedro II da Tijuca e também tive momentos como o seu... só de saber que estava tão perto, ver a movimentação do jogo, e já não dava mais para ter aula (eu estudava à noite)!

    Como você disse, certamente todos nós perderemos momentos importantes nesses 3 anos. Mas fica a certeza de que teremos muitos, muitos mais, né?

    O Maraca é único, nem Sr. Paul aceitou outro lugar pra tocar!

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  6. Grande Lívia,
    Minha "sobrinha-emoção"...rs. Texto muito bonito, envolvente e arrebatador.Sua imensa paixão pelo Vasco e pelo Maracanã é conciliadora. Entristeço quando torcedores do Vasco minimizam o "maior do mundo" pelo simples fato de possuirem um estádio. São Januário e Maracanã são dois gigantes, mas definitivamente,"sem comparação". A neutralidade do Maracnã enaltece as glórias lá obtidas. Tornam-se motivo de orgulho maior ainda. A sociedade futebolista é muito nova (pouco mais de século) e outros estádios estão surgindo. Difícil é algum alcançar o carisma do Maracanã.
    Rodolfo Rodrigues (ou Tio Maraca...rs)

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  7. Brigada, tio Maraca! Você é o responsável por grande parte desta paixão!

    Acho uma bobeira desmerecer o Maraca porque temos outro estádio. Acho que o valor de um não desmerece em nada o outro. Pelo contrário, só aumenta: é melhor ainda ter 2 casas! :)

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