sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Tem que envolver a torcida!

Torcedor é bicho apaixonado, todo mundo sabe disso e, como se não fosse um lugar comum, já repetimos isso aqui infinitas vezes. Porque parece que - e não me perguntem como assim - não é óbvio pra todo mundo.

Camilla comentou uma vez sobre o departamento de Marketing do Botafogo, que vem fazendo um bom trabalho pra atrair cada vez mais o 12º jogador, a Livia também já escreveu aqui sobre uma ação do Milan, logo que arrematou Robinho do Santos.

Torcedores do Santos, assim que Ganso sofreu sua lesão, começaram um movimento espontâneo de apoio ao craque que ganhou seguidores quase instantaneamente via Twitter, pelo @magicganso10. Ali você pode comprar adesivos com a mensagem #forçaganso e deixar o jogador saber que ele não está sozinho em sua recuperação.

O dinheiro arrecadado será convertido em cestas básicas distribuídas entre 3 instituições, 2 em Santos e uma em Ananindeua, cidade onde Ganso nasceu. É claro que o meia ficou emocionado com a iniciativa, que "contaminou" até seus colegas de time. O ônibus oficial do Peixe tem o adesivo logo na frente, bem como os carros de vários jogadores (presentinho de Neymar).

Outro jogador cuja estada no departamento médico pode resultar em mais do que sessões de fisioterapia e notinhas na mídia convencional é Maicosuel, dessa vez em uma ação oficial, organizada pelo próprio Botafogo. A lesão no joelho do atleta o deixará fora de campo até 2011 e, enquanto isso, sua recuperação será documentada em vídeo, a fim de que o torcedor possa acompanhar a evolução e ouvir do próprio jogador como vão as coisas.

Esses são apenas alguns exemplos de como incentivar, de forma positiva, a participação do torcedor (alguns casos são manifestações espontâneas, como o do Ganso). Até porque, pra conseguir participações negativas do pessoal, é só perder jogo (vários jogos potencializam o efeito) ou fazer algo inexplicavelmente besta em campo ou fora dele, jogando o nome do time na vala. É garantido.

Então me pego pensando na incapacidade do Flamengo de capitalizar em cima da sua imagem e até de suas conquistas. A última que vi foi o Rei do Rio, até o Hexa na Raça e tal, mas são sempre coisas modestas e pontuais, que parecem necessitar de um planejamento colossal pra acontecer. Ações espontâneas, nem pensar, né?

O senso de oportunidade do Fla é quase zero. Não souberam aproveitar Zico, Love, Adriano, Pet... Tanto falaram de Renato Abreu, que era um desejo antigo da torcida tê-lo de volta, mas e aí?

Sabe o que eu vejo? Promessas e ações pra apagar incêndios, todas envolvendo a presidenta. "Ah, mas vamos fazer a campanha do tijolinho". Ahm. Gente, cada tijolinho custa caríssimo. Será que dá pra raciocinar um tiquinho e perceber que não dá pra ter a maior torcida do Brasil e acreditar que temos um alto volume de gente rica com dinheiro sobrando pra colocar tijolinho no CT?

Em tempo, a última proposta genial da torcida que eu vi (e até achei que eu tinha tido a ideia, vejam só!) foi quando estávamos prestes a perder Ibson e surgiu a campanha Fica Ibson, em que a Nação queria tirar dinheiro do próprio bolso pra que o clube tivesse condições de comprar o jogador.

Imagina se cada um tira R$ 1,00 que seja da carteira pra contribuir? Com um grupo do tamanho da nossa torcida, dava pra comprar o Ibson e ainda fazer um churrascão pra galera e ainda contratar o Exalta Samba pra tocar pros jogadores, em comemoração pela manutenção do nosso (então) queridinho.

Não podemos esquecer que R$ 1,00 por torcedor é o quadro pessimista, porque os mais abastados (sim, tem gente rica que torce pelo Flamengo também, gente!) certamente seriam mais generosos.

É o que eu disse no começo. Torcedor é bicho apaixonado, faz loucuras pelo time, especialmente quando ele sente que aquilo pode fazer diferença pro seu clube de coração e está dentro das condições reais dele.

Enquanto isso, o Flamengo ignora as oportunidades que surgem espontaneamente e insiste em trabalhar no previsível, na mesmice. 300 jogos de Leo Moura pelo time. Selo. Camisa especial. Edição limitada. Vende? Claro, até aquela terceira camisa grotesca vende, né? Mas é caro. Podia vender mais? Claro!

Como faz então pra trabalhar os tijolinhos do Marketing? Envolver todas as classes sociais que torcem pelo mais querido? Gente, vamos mudar isso! O Flamengo está engessado em todas as instâncias? Criatividade já!

Ah, sim, é óbvio que toda a construção desse raciocínio me fez pensar sobre os programas de sócio-torcedor, mas isso já é história pra outro texto. ;) Senão ia ser muito mimimi pra um post só.

6 comentários:

  1. Nanda, você já sabe minha opinião, mas aqui estou pra todos: é preciso MESMO envolver o torcedor! Futebol é um conjunto de coisas, envolve o jogador, o clube, a torcida. Quando um dos elementos fica de fora, perde-se um pouco a graça...

    Como você mostrou, existem mutas possibilidades para o Flamengo. Por isso, acho que falta mesmo é vontade...

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  2. De repente acham que a fama de mais querido sustenta. Tipo viver de luz, fazer fotossíntese...

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  3. O lance do 1,00 pra manter o Ibson foi muita viagem, nunca daria certo...isso foi uma idéia q surgiu na Comunidade Oficial do Flamengo no (extinto, rs) Orkut, mas pra quem não sabe a comunidade, que tem se eu não me engano aproximadamente 1 milhão e meio de componentes, é composta em sua maioria por fakes de torcedores de outros times e até de torcedores do Flamengo mesmo.

    Quanto o lance do "Hexa na Raça" foi uma ação do Marketing da Olimpikus se não me engano.

    O Departamento de Marketing do Flamengo é deprimente, o episódio da votação da camisa do Adriano ano passado foi o fim pra mim...enfim é isso mesmo.

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  4. Sim, Pedrinho, o Hexa na Raça foi ação da Olympikus, mas não imagino que o Mkt do Flamengo fique alheio a esse tipo de iniciativa de patrocinador.

    Havia um site que também divulgava a campanha Fica, Ibson, eu nem vi isso em comunidade do Orkut. Mas não acho que qualquer manifestação positiva e apaixonada da torcida seja viagem. E também não vejo a diferença disso pro tijolinho, só acho mais factível você abrir pras pessoas doarem o quanto podem, em vez de dizer "olha, gente, por 200 reais você pode ter seu nome no tijolinho do CT". Isso eu acho que é só mais uma ação excludente.

    Também não vi nada de bom na votação da camisa do Adriano, se ele ia meter o dedo na decisão depois, porque é supersticioso, ou sei lá, não entendo pra que perguntar pra torcida. Perda de tempo e acabou sendo meio mico mesmo.

    Mas, ó, se o Mengão quiser uma torcedora apaixonada pra trabalhar lá no Marketing, tamosaí. Meus contatos ficam aqui no blog. Bjo, me manda e-mail.

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  5. Lendo e relendo teu post - execelente! - relembrei do meu TCC, que falava exatamente em criar um departamento de marketing terceirizado para clubes de futebol. Entrevistei dirigentes, parceiros em potencial, profissionais de mkt esportivo e montei uma estrutura real e viável financeiramente para qq clube.
    Todos os entrevistados, sem exceção, foram unânimes em afirmar o mesmo problema, referindo-se ao Flamengo: trata-se de um clube ímpar, de modo que não adianta copiar, remendar, adaptar ou seja lá que verbo for ações de mkt.
    É preciso investir em estrutura, capacitação e autonomia para decolar.
    A ferida está aberta e é simples de diagnosticar: é o unico time brasileiro no Brasil com demanda absurda de torcedores e sem estádio.
    À exceção do Corinthians - que agora terá seu estádio - o rubro-negro é o único time no Brasil com este aspecto. Os demais, ou tem "pouca" torcida ou tem "muito" estádio.
    É menos complicado do que parece, mas para sair da zona de conforto em que a corja que assassina a Gavea há anos, será preciso mais que Zico, mais que grana e mais que tijolinhos: será preciso - repito - profissionalismo, transparência e autonomia. De verdade.

    Saudações!!!

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  6. Luiz, adorei ver seu comentário por aqui! Quanto a termos um estádio próprio, escrevi sobre isso outro dia, tenho minhas reservas. Acho que seria uma pena, porque o Maracanã perderia grandes espetáculos simplesmente pelo fato de q o Flamengo jamais abriria mão do mando de campo em estádio próprio. Então, acho que o foco deveria ser outro, mas passando MUITO pelo que você falou. profissionalismo, transparência e autonomia pro futebol. Tem que ter gente séria e comprometida. Só paixão a gente tem de sobra na torcida, tem que ter alguma cabeça pra organizar a zorra.

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