sábado, 30 de outubro de 2010

Pros hermanos, futebol também é coisa muito séria

Esta final de semana o futebol argentino vai parar. E não, não é piquete. O país está de luto pela morte do ex-presidente Néstor Kirchner (também marido da atual presidente Cristina F. Kirchner), que faleceu na quarta-feira dia 27/10 vítima de uma parada cardíaca. A rodada foi adiada e isso significa uma semana de atraso no calendário futebolístico do país.

Pois é, a Argentina está de luto, e isso inclui o futebol, claro. Afinal, não é só no Brasil que ele é parte tanto de nossa cultura como de nossa própria identidade nacional. Como bom peronista, Néstor era torcedor do Racing, como também o era ele, Juan Domingo Perón.

O futebol na Argentina também é coisa séria, o que muitas vezes significa assunto de política. Na briga do governo K (apelido dado ao período governado pelo Néstor e agora pela Cristina, que começou em 2003) com os meios de comunicação, principalmente com o grupo Clarín, o futebol é uma peça chave. Considerando a importância que o esporte tem para o país, o governo de Cristina decidiu que o futebol é para todos. O que isso significou de fato? O fim do monopólio da TV a Cabo. A TV pública agora passa os jogos do campeonato nacional, com o "lema" Fútbol para todos. Foi um golpe certeiro no Grupo Clarín que, claro, tinha os direitos de transmissão por sua TV a cabo Cablevisión (os dois campeonatos inclusive se chamam Torneo Cablevisión Apertura e Torneo Cablevisión Clausura). A transmissão governamental inclui chamadas e propagandas favoráveis ao governo (como se fossem publicidade da Globo).

Claro que isso teve seu preço, e a AFA (Associação Argentina de Futebol) sorriu quando o governo disse que cobria o que o Clarín tinha pago. Tudo isso não foi assim tão explícito, o governo alegou a questão do direito de todos assistirem aos seus jogos. Mas o fato é que pagou, e em meio a grande crise e inflação que vive o povo argentino, a AFA este ano teve superávit.

Independente da questão política, foi uma grande mudança para todos os que amam o esporte. Imaginem só se não fossemos mais reféns do PFC, do Sportv?

Há um fio de esperança para nós. Com o fim do monopólio da Globo nas transmissões do brasileiro, talvez a gente tenha mais opções. E também horários mais viáveis de jogos, não acham? E o melhor: sem o populismo por trás disso.

7 comentários:

  1. Toda história tem seus vários lados. Livia, mais uma vez, fugindo do óbvio! Boa! Agora, quebrar monopólio só ocorre se alguém pagar mais, e, se for o governo... já sabe... não vão fazer isso por serem muito legais heheheheh

    Ah hoje é aniversário de 50 anos de dieguito! Goste ou não, é um grande personagem do futebl mundial.

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  2. Lívia, vc é foda! Adorei a história, super propícia ao momento de quebra da exclusividade da Globo para a transmissão. Será que ela vai cobrir a proposta mais alta? (a Band já havia oferecido uma bela quantia, não aceita pela CBF devido à exclusividade)

    Parabéns pro Dieguito!!!

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  3. Gracias, chicas!

    Verdade, hoje é aniversário do Dieguito. E nem vai rolar rodada especial como pro Pelé, já que não tem rodada...

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  4. Livia, belo post. Mais um exemplo de futebol e política caminhando lado a lado de mãos dadas (ou quase).
    Quanto a questão do monopólio da Globo, o mesmo pode ter sido quebrado, mas as cifras da "plim-plim" devem ser muito maiores do que a da concorrência. Então, embora tenha meu fio de esperança quanto a uma melhora na questão de horários de jogos, transmissões, etc., acredito que deva permanecer tudo na mesma.

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  5. Um dia quem sabe...

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  6. Por causa de uma piada antiga, sempre que leio o nome desse torneio, leio Basura, e não Clausura. hahaha...

    Livia, como sempre, gênia. Muito apropriado seu texto, tanto pro contexto que passamos aqui (acho q político e por causa da tentativa de se quebrar o monopólio da Globo), quanto pela visão crítica confrontando a felicidade do povo - com seu futebol - e do país, em crise econômica.

    O interessante é que, pela própria força que o esporte tem, pela afinidade com a identidade do país, fica difícil até dizer que a presidenta deu ao povo pão e circo pra distrai-lo. Será que chega a ser uma "medida" política? =)

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