quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Parabéns, Mané!


Hoje comemoramos 77 anos do nascimento do nosso eterno camisa 7, o grande Garrincha!

Minha homenagem do dia é inspirada pelo clima das luluzinhas. Muito se fala dos dribles de Mané e de seu jeito puro, sua alma infantil. Mas eu vou falar hoje sobre fair play.

Muitos não sabem, mas a atitude (hoje)corriqueira de tirar a bola de jogo quando um adversário está caído em campo, começou pelos pés do anjo das pernas tortas. Além de tudo, o craque era cavalheiro.

Em 1960, Botafogo e Fluminense enfrentavam-se pelo torneio Rio-São Paulo e o "joão" da vez era Altair, especialista na arte do carrinho. Deixo que Ruy Castro narre o ocorrido:

"Numa disputa de bola com Quarentinha, Pinheiro caiu com distensão muscular e a bola sobrou limpa para Garrincha. Garrincha ouviu Pinheiro cair e gritar e, em vez de avançar pela avenida aberta em direção ao gol, jogou a bola de propósito pela lateral para que Pinheiro fosse socorrido.

Nas tribunas do Maracanã, o jornalista Mario Filho, ao ver aquilo, levantou-se da cadeira e exultou. A atitude de Garrincha era beau geste, um exemplo do espiírito humanitário e não violento que deveria caracterizar o esporte. Mario Filho abraçava-se "as pessoas, apontava para Garrincha e dizia alto: É o Gandhi do futebol! O Gandhi!

Mas a beleza do lance ainda não havia terminado. O bandeirinha marcara o lateral a favor do Fluminense. Altair foi repor a bola em jogo e ficou na dúvida. Aquela bola, moralmente, não era do Fluminense. Então fingiu cobrar errado o lateral e fez a bola quicar de volta para fora, devolvendo-a ao Botafogo. Todos entenderam o que ele quis dizer.

Tal partida não merecia produzir um perdedor. Talvez por isso tenha terminado em 2x2."

Comemoremos hoje então nossa convivência pacífica e o espírito esportivo. E além, disso, claro, esse grande gênio do futebol. Se deu exemplo do que não fazer a uma carreira de atleta (sugiro que Jobson dê uma lidinha da biografia), também serve de imensa inspiração para os sem-alma (sem contar a perna de pau) que hoje vemos como profissionais.

Entortando beques e sendo fiel a sua personalidade única, Garrincha se tornou nosso eterno ídolo. Ainda bem que existem registros escritos e filmados para que nossa geração entenda o verdadeiro espírito do futebol.

Saudações Gloriosas

12 comentários:

  1. Parabéns para o Garricha e toda sua genialidade com a bola nos pés!

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  2. Todos dizem que Pelé é o rei. Ñ posso discordar de sua genialidade. Zico é meu ídolo, como de todo flamenguista. Mas Garrincha sempre foi para mim o maior de todos, o gênio. Jogando, era arte em movimento, me emociona(va) sempre, toda vez que via uma filmagem antiga. O blog presta uma bela homenagem, e faz uma oportuna alusão à falta de valores éticos atual. Parabéns ao blog e ao brilhante jogador, que, infelizmente, não teve o destino que merecia.

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  3. Pelé talvez melhor ATLETA que Garrincha, sem dúvida alguma Garrincha melhor JOGADOR. E melhor bon vivant também. E pessoa mais interessante e mais bacana. Qualquer um que lê/vê vídeo/ouve o Garrincha se encanta por ele, não ser assim é impossível. Além de trazer para o futebol muito do conceito de futebol arte. Garrincha eterno. Viva o youtube que me permite ver tantas coisas que não vivi.

    PS:. Comparar o Zico com o Garrincha é, no mínimo, sem sentido.

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  4. Valê, acho q a intenção da mamãe não era comparar, era deixar seu lado flamenguista (e fã do Zico) de lado pra concordar com a Camilla, de que Garrincha realmente era incrível. =)

    Amiga, fiquei emocionada com seu texto. Pela abordagem escolhida, por tudo que ela representa, acho que você deve ter prestado, aqui, a homenagem mais bonita que Garrincha poderia receber.

    =´)

    Até porque, nem todo fair play precisa ser o politicamente correto que os comentaristas abominam e nem toda implicância de torcedor precisa beirar a agressão.

    Se o jogo pode ser tão bonito, não sei por que as torcidas precisam perverter o lado de cá do campo.

    Parabéns, nessas horas eu fico mais honrada ainda em ser sua amiga há tantos anos.

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  5. Pois é, acho que a Leila entrou no espírito. Garrincha é o maior de todos, não preciso entrar nessa discussão. Nosso diferencial é essa abordagem. Mas também entendo os alvinegros que se revoltam, veja nos jornais de hoje o que se fala de um homem que deu duas copas ao Brasil... Nada.
    Enquanto isso vao puxando o saco do Pelé.
    Enfim,poderia ter usado o espaço pra contar algum causo desmoralizante dos outros times, mas preferi falar do que está acima disso.

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  6. Belo post Camilla! Poucos lembraram do seu aniversário e de seus feitos. Essa lembrança do fair-play foi ótima!

    Vale lembrar tb que foi com Garrincha que o termo "olé" foi usado no futebol pela primeira vez.

    Saudações!

    @leofvm

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  7. Camilla, também vou elogiar: belo post! E bela visão, nada de lugar comum no nosso Clube da Bolinha!

    Lembrei logo do jogo Vasco X Corinthias (o útimo agora), que o povo do PFC justificava os corinthianos não devolverem a bola depois do Vasco ter cedido o lateral pro jogador adversário ser atendido. PFC foi bem claro: fair play é gentileza, e não obrigação.

    Ainda bem que podemos ter orgulho de jogadores gentis como o Garrincha. Por atitudes assim o cara é ídolo até hoje, e não só de seu clube.

    E, claro, porque ele jogava MUITO!

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  8. Meninas, eu acho que nós merecemos que o futebol volte a ser como era.

    Esse post me dá um pinguinho de tristeza, e um saudosismo de uma época que não tive oportunidade de experimentar....

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  9. Sem dúvida Garrincha foi o maior jogador brasileiro de todos os tempos.
    Pelo seu futebol arte e pelos seus dribles maravilhosos, foi chamado de Alegria do Povo.
    Acompanhei toda a trajetória de Garrincha e muito me entristeceu seu triste fim.
    Mais que merecida sua homenagem a ele no dias de seus 70 anos.
    Maria Theresa

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  10. People, não queria causar discórdia e tampouco mexer com mães alheias, mas parece que foi isso que eu fiz. Problemas do mundo virtual... deveria ter posto um : P (linguinha) depois do meu comentário.
    Falha minha.
    Como mamãe Leila quis puxar a sardinha pro seu ídolo, eu quis devolvê-la ao meu. Nada além. ; )
    Mas, peço desculpas a mamãe rubro-negra e sua cria, soou grosseiro mesmo, agora que reli eu achei.
    Beijos,
    Valê

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  11. Hahaha, Valê! Nem foi... Acho que ela tb nem tentou puxar a sardinha não, só citou como forma de construir o raciocínio. Foi mais pq ela tem a mesma paixão por Zico que eu tenho (com a vantagem de tê-lo visto jogar), mas isso não a faz cega pro fato de que Garrincha era gênio e um melhor jogador. Mas vc vê q ela nem elaborou muito, então acho que não era pra ser uma comparação mesmo não. Relaxa, nem foi grosseiro seu comentário. =D

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  12. O único que metia medo no Santos de Pelé num tempo em que o Santos de Pelé metia medo em todo mundo.

    Garrincha grande!!!!

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