quarta-feira, 13 de outubro de 2010

O Brasil inteiro consagrou

Nesse feriado de 12 de outubro, nós luluzinhas participamos do divertidíssimo Rock Bola, da Oi FM. Chegamos lá super nervosas, sem saber como seria, e nos surpreendemos quando os caras resolveram se levantar para ceder seus lugares, deixando-nos encarregadas de comentar nossos times!!

Pecamos pela falta de experiência, mas os bolinhas nos receberam muito bem e o resultado me deixou muito feliz.

Falando de futebol e radialismo não posso deixar de citar um ilustre botafoguense e brasileiro, o comentarista que o Brasil inteiro consagrou, João Saldanha.

Descrito como "insuportavelmente inteligente" por Armando Nogueira e "maior gênio da imprensa brasileira" por Jorge Kajuru, o jornalista começou na década de 60 sua carreira de comentarista, que mais tarde o levaria à televisão (inaugurando o modelo de mesa redonda futebolístico na TV Globo em programa criado por Walter Clarck com Luis Mendes, Nelson Rodrigues, José Maria Scassa, Vitorino Vieira e Armando Nogueira).

João já tinha notoriedade no futebol, tendo destacado-se como técnico do Botafogo em seu primeiro título consquistado no gramado do Maracanã, em 1957, com uma vitória de 6 a 2 em cima do flu. O capítulo do livro de André Iki Siqueira sobre essa conquista deveria ser lido para nossos jogadores do plantel atual! Muito emocionante a consagração de um técnico apaixonado pelo clube e um time unido e amigo.

Mas essa conquista é assunto para outro post. O texto desta noite é para falar sobre rádio, uma mídia que considero apaixonante.

Além das célebres expressões lançadas por João, seu grande mérito foi aproximar a linguagem usada nas narrações esportivas do ouvinte. Detesto a capa do livro Estrela Solitária, de Ruy Castro, mas trata-se de um excelente livro. Nele, o autor comenta: " Saldanha revolucionou o comentário sobre futebol. Raspou o ouro parnasiano, de porta de Colombo, que caracterizava o gênero, e impregnou-o com clima de porta de botequim. Falava ao microfone como se estivesse debruçado ao balcão da Miguel Lemos".

Sem João Sem Medo, Lopes e seus companheiros de mesa não existiriam hoje.

Conhecedor do povo, da gente simples que acompanha o futebol, João falava para o seu público, sem, no entanto, privá-lo de sua criatividade que ficou notória em expressões como "zona do agrião", "cabeça de bagre" e a famosa frase "se macumba ganhasse jogo, o campeonato baiano terminava empatado".

Essa grande figura do futebol brasileiro (aliás, não só do futebol) deve voltar a aparecer por aqui. Sua história é extremamente inspiradora e, infelizmente, sua análise sobre o esporte no Brasil (com destaque para a crítica da desorganização e corrupção dos cartolas) continua atualíssima.

João sem medo, um grande botafoguense! Um grande exemplo para a imprensa esportiva. Inspirem-se nessa grande figura! Indico o livro "João Saldanha, uma vida em jogo" de André Iki Siqueira, não só para os alvinegros. Sem querer tirar os méritos do jornalista, com um personagem tão único e rico, seria difícil o livro não ser muito bom.

5 comentários:

  1. Então o melhor elogio que poderíamos ter recebido veio de um amigo meu, por e-mail, depois de ter ouvido nossa participação no Rock Bola.

    "Parecia um papo de boteco".

    =)

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  2. Adorei a história, gata!
    Vocês, para sempre no meu S2

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  3. Eu que estudo a Copa de 70 vejo nele um ídolo. Minha frase preferida foi a dele pro Médici, que queria a escalação do Dario: "Eu não escalo seu Ministério, o senhor não se mete com a minha seleção". Gênio! E corajoso, porque dizer isso logo pro Médici, no período mais violento da Ditadura... coisas de João Sem Medo!

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  4. Um herói! Esse vídeo está no youtube, vi duas entrevistas em que ele afirma isso. Vc deve ter lido o livro também, né? Era esse que pretendia levar pra vc no nosso encontro!!

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