sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Jules Rimet: a taça do mundo era nossa...

Em 1970, o Brasil conquistava definitivamente a Taça Jules Rimet. De acordo com o regulamento da FIFA, o primeiro país que ganhasse três vezes a Copa do Mundo levava o belo caneco pra casa de vez. Todos nós sabemos bem a história: foi no México, na Copa que Pelé arrasou, da seleção que até hoje é considerada a melhor da história do futebol Mundial, em uma final que o campeão (Brasil ou Itália) garantia a Rimet pra sempre. Mais emocionante, impossível.

A Copa de 1970 me fascina por diversos motivos, mas hoje não é dela que vou falar. Quero contar um pouco a história dela, da Jules Rimet.

Em 1928, quando finalmente o mundo se preparava para realizar o primeiro campeonato Mundial de Futebol (carinhosamente conhecido como Copa do Mundo), a FIFA decidiu que seria entregue um troféu para o vencedor, feito especialmente para o evento. A imagem escolhida foi da deusa da Vitória, com asas estilizadas e quase quatro quilos de puro ouro. De fato, uma bela recompensa. Também decidiu-se que ela seria entregue definitivamente para o país que, pela primeira vez, se consagrasse tri-campeão da Copa do Mundo. Somente em 1946 o presidente da FIFA foi homenageado e o troféu recebeu seu nome (até então, era conhecido como "Vitória" ou apenas "Copa do Mundo").

A Rimet sempre despertou um certo fanatismo nos amantes do futebol (e do ouro, claro). Mas alguns casos se destacam e marcam a história tanto do troféu como do futebol mundial. Durante a Segunda Guerra Mundial, o italiano e vice-presidente da FIFA Ottorino Barassi escondeu a Copa em uma caixa de sapatos embaixo de sua cama para salvá-la dos saqueadores.

Já na Copa de 1966, na Inglaterra, ela foi roubada. Como era de costume, antes do evento a Rimet foi exposta, e desapareceu. A polícia inglesa recebeu um telefonema de resgate que ameaçava jogá-la no lixo caso o dinheiro exigido não fosse entregue no prazo estipulado. E foi exatamente o que aconteceu. Foi o cão Pickles que em um passeio com seu dono a encontrou, jogada em uma árvore.

E então chegamos a 1983. Já propriedade definitiva dos brasileiros, o troféu ficava exposto no Rio de Janeiro, na cede da CBF (que então era no centro da cidade). E novamente foi roubado. Pouco tempo depois, em janeiro de 1984, a decepção: a taça teria sido derretida. Era o fim do fascínio e dos sonhos que ela representava.

Será? Talvez seja neurose minha, mas não engulo essa história. A Rimet inteira valia muito mais que 4 quilos de ouro derretido. Não duvido que algum colecionador fanático encomendou o roubo, e que hoje a admira às escondidas.

Essa "história de vida" gerou também alguns mitos de maldição da Rimet. Os ladrões envolvidos no caso do Rio de Janeiro, por exemplo, acabaram todos mortos de maneira trágica. E sobrou até pro Pickles, o cachorrinho inglês, que segundo seu dono, morreu de forma inexplicável enforcado em uma árvore algum tempo depois de encontrar a taça.










A bela Jules Rimet

3 comentários:

  1. Pois é, que maldição, hein?! Nem o cachorro sobrou para contar a história.
    Brincadeiras a parte, o roubo da Jules Rimet somente mostrou o descaso com a segurança de vários símbolos nacionais. Lamentável!

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  2. Também acho que foi injusto ter sobrado pro Pickles!

    Essa é a polêmica que quero criar: estamos falando simplesmente de descaso com o patrimônio nacional (ou seja, um tema brasileiro), ou da máfia das artes (aí já é um tema mundial)? Afinal, a taça também foi roubada na Inglaterra... será que também foi descaso? No mercado internacional, peças como essa tem um valor que nem sonhamos...

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  3. a maldição da vitória???? :) grande sacada, sinceramente nunca tinha pensando sobre isso, mas talvez seja pela falta de informação!

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