quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Meu Maracanã em preto e branco

From O Maraca é nosso

Mesmo com experiências inesquecíveis no Engenhão e no Caio Martins, o Maraca ainda não foi superado em meu coração alvinegro. Vê-lo assim "destruído" traz lembranças longínquas de quando o Botafogo e o estádio da cidade entraram em minha vida.

Não me lembro da primeira vez que fui ao Maracanã. Eu invejo quem tem essas memórias exatas de um dia específico na infância, mas, para mim, não é assim que funciona. Lembranças dos meus primeiros anos de vida são imagens difusas misturadas que o cérebro trata de colar para formar uma historinha.

Quem sabe nossa neurocientista pode me indicar um autor para estudar a linearidade da memória de longo prazo.

Enquanto isso, voltemos ao Maracanã.

From O Maraca é nosso

Em entrevista ao Juca Kfouri, João Viotti Saldanha afirmou que "filho de botafoguense nasce botafoguense". Embora meu pai, Zé Luis, não tenha chegado a extremos como tacar fogo numa arquibancada para apressar a construção de um estádio do clube, já fez muito pelo mesmo (durante nossa passagem pela segunda divisão, arcou com os custos da iluminação de serviço do Caio Martins) e nunca houve a menor chance de filha sua torcer para outra agremiação. Entendo totalmente a afirmação de João, temos referências semelhantes do que é um botafoguense. Nunca, jamais, passou pela minha cabeça torcer por outro time.

Lembro-me de torcer na arquibancada de um Maracanã vazio (não faço idéia do jogo!), antes de existirem as caderinhas. Os degraus eram imensos e enquanto meu pai concentrava-se na partida, eu me divertia nas arquibancadas, pedindo tudo que passasse (de disquinho do Botafogo a sorvete), observando os torcedores e, de vez em quando, até olhando para o campo! Em jogos mais cheios, íamos de cadeira azul, nas fileiras de trás para não tomar banho de mijo. Ali, eu e minhas irmãs discutíamos com os torcedores de outros times, torcíamos, chorávamos e falávamos palavrão a vontade. No Maraca, palavrão era liberado. Enquanto o pai estava totalmente absorto pela partida, xingávamos todos os nomes que não podíamos usar no dia-a-dia, felizes com essa liberdade! Mais que isso, ali entendi como a torcida funcionava como um corpo só, me arrepiando com a união em torno do nosso amado Botafogo.

From O Maraca é nosso

No ano de 1993, Zé trabalhou no Girlie Show, da Madonna, e de vez em quando íamos "trabalhar" com ele. Nessa época tive a oportunidade de pisar no gramado do Maraca!! Me lembro de usar o orelhão que tinha em campo para ligar para a mamãe, imitando o gesto de um jogador da época. Também nos divertíamos, eu e minha irmã Diana, andando de bike no anel do estádio, enquanto os adultos trabalhavam. Ali, o Maraca tornou-se um pouco mais nosso (meu e dela!).

12 comentários:

  1. Eu lembro quando seu pai trabalho no show da Madonna. Foi super cool. =)

    Adorei a memória compartilhada. Imaginei vc miúda fazendo a maior zona na arquibancada, me fez lembrar meu irmão quando ia ao cinema e sempre se ocupava mais de fazer bagunça do que assistir a porcaria do filme.

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  2. Pois é, vivenciar o Maraca fora de dia de jogo... sem torcida, sem futebol... fez o Maraca parecer mais próximo, mais nosso.
    Em dias de jogo, lembro também da Valê chorando por causa do barulho ensurdecedor da torcida.
    E de muitas outras coisas... boas e ruins.
    Emocionantes e desesperadoras.
    O Maraca é nosso!

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  3. pois está convocada a contar uma dessas histórias aqui no clube da Bolinha, Di!!!!

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  4. Falar do Maraca é falar de futebol, sem dúvida, é falar de Botafogo, obviamente, e é MUITO falar de família.
    Lembro da gente assistindo um Bota x flamengo e até a mamãe a gente arrastou conosco. Os 5 de cadeira. Eu passava mal, mamãe é mulambinha mas fica na dela, só que os outros... Aquela mistura, aquelas provocações... putzgrila! Era demais para a minha cabecinhaquentinha do alto da maturidade dos meus poucos anos. Acho que foi neste mesmo jogo que eu perdi o gol de pênalti convertido por Tulio Maravilha por ter tido a atenção desviada pelos flashes que vinham da arquibancada, naquela época muita coisa desviava minha atenção, mas eu tava lá, torcendo, compreendendo o papel do 12º jogador e atribuindo milihões de superstições a isso tudo. Enfim.
    Apesar de, no geral, quando falamos de memórias nós tentarmos contar causos antigos, a verdade é que a minha memória futebolística, bem como a sua, Camilla, não é das melhores, e tampouco é a minha memória da minha infância. Acho que também a minha compreensão de futebol melhorou muito ao longo dos anos, o que faz com que o fato que eu vá relatar seja um fato muito recente.
    O ano: 2010.

    Ganhar um estadual sem final foi FODA!

    Eu estava muito, muito, muito nervosa neste dia. Me irritando com tudo e com todos. Por conta disso, sai saindo de perto das minhas companhias habituais e me isolei lá em cima, no último andar da arquibancada, em pé, sozinha, prá não ter que lidar com ninguém, ou talvez, para que ninguém tivesse que lidar comigo...
    Claro que encontrei conhecidos, o Botafogo poderia naquele dia levar o campeonato estadual sem a necessidade de uma final, fazer um dois em um, então, muita gente compareceu ao Maraca. Tava lindo.
    O jogo começa e no primeiro tempo a gente abre a vantagem com o nosso argentino querido, raçudo, neste dia mais do que nunca "um de nós em campo", Herreira, de pênalti! GOOOOOOOOOOOOOOL!
    Mas, calma, ainda tem muito jogo pela frente, não dava para relaxar ainda. Principalmente com o nosso triplo-histórico...
    E como esses safados fizeram tantas vezes em cima da gente, eles fizeram desta vez de novo: empataram aos 45 minutos, a diferença é que desta vez foi no primeiro, e não do segundo tempo, nos dando 45 minutos prá levar aqueleS canecoS para casa, e nos dando 15 minutos de intervalo sem ter como subir no salto-alto.

    continua

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  5. A esta altura eu já tava achando que ficar sozinha naquele lugar tinha nos conduzido a um empate, além disso, eu podia enfartar a qualquer momento, e enfartar sozinha ia ser complicadíssimo... Com isso em mente, busquei os meus companheiros que eu já avistava lá de cima daquele imenso mar alvinegro.
    Começa o segundo tempo.
    Uma chuva de cartões amarelos, para lá e para cá. O jogo estava tenso, muito tenso, parecia que cada jogador recebia aquela energia nervosa que subia a espipnha e que acabava por eriçar todos os pelos daquela arquibancada.
    Ninguém conversava. Todos muito concentrados, tensos.
    De repente: pênalti a nosso favor. E um dos imundos é expulso! Yes! Sebastian "Loco" Abreu vai cobrar. Nesta hora eu pensei: Porra, Loco, não me perde essa porra, caralho! Será que esse puto converte? Não dá para expressar em palavras o grau do meu nervosismo neste momento. E o uruguaio me manda uma cavadinha. O goleiro-assassino cai pro lado, mas antes da bola entrar ela bate no travessão, é lentificada, e foi o pênalti que mais demorou para entrar na (minha) história do futebol! C*r*lh*************!!! É GOOOOOOOOOL!!!!! Mas demorou alguns longos segundos para eu entender que tinha sido gol. tenso.
    Jogo que segue.
    Ainda tenso, nada resolvido ainda, o jogo só termina quando o juiz apita, e a vantagem era só de um gol.
    Bem como nós, e, como eu já disse, nesse dia mais "um de nós em campo" do que nunca, o argentino estava tenso. O juiz marcou um pênalti pros inimigos, o cara ficou puto e começou a reclamar: cartão amarelo. Isso deixou o hermano indignado, a discussão com o juiz passou para um outro nível: cartão vermelho. O Herrera só não quebrou o juiz neste dia pois seus companheiros o seguraram. E eu poderia ter pensado: que atitude infantil, vai fazer isso e ser expulso neste jogo decisivo? Débil mental, porque fez isso? Mas não. Não neste dia. Não lembro nem como e nem por que, mas Herrera estava certo, e fez muito bem de não deixar sair barato. Reclamar da "injustiça", que talvez fosse até justa, não era esse o ponto, era sentir como um de nós, era o sangue quente que corria nas veias de todos nós, inclusive dele.
    Tenso.
    Agora estávamos de novo com número igual de jogadores em campo. E um pênalti prá eles.
    Imperador vai bater.
    Os inimigos na sua arquibancada estão indo a loucura.
    Nós quietos, tensos.
    O coração estava na boca, quase sendo vomitado.
    Mas, confiança, nosso Homem de Gelo é um goleiraço! Esse ano nós tínhamos um goleiro com quem podíamos contar. Jéfferson! Santo Jéfferson!
    Fez a defesa do título, e quando ele defendeu aquela bola, eu berrei como nunca! Eu e toda a torcida do Botafogo! Que lindo! Nas arquibancadas tudo se inverte, os inimigos retornam ao silêncio e nós comemoramos aquela maravilhosa defesa!
    Mas, ainda tinha jogo pela frente. Dali prá frente foi Deus no céu e Jefferson na terra!
    Quando o juiz apitou, aos 49 do segundo, eu não entendi que o jogo tinha acabado. Assim como não entendi quando a bola do Loco entrou naquele pênalti.
    Fiquei parada, não tava entendendo nada. As pessoas começaram a festejar alucinadamente, e eu parada, pensando em nada.
    Daí veio um desconhecido, louco, pulando, me abraçou e gritou: é campeão!!!!!
    E aí eu entendi: É, É campeão! E comecei a comemorar alucinadamente, soltar prá fora aquele grito preso na garganta, e, claro, como boa botafoguense que sou, comecei a chorar. Minha irmã, como boa botafoguense que é, também chorava. Nós duas e nosso primo nos abraçamos e berramos, e eu saí correndo e gritando pela arquiba.

    E ninguém cala esse nosso amor, e é por isso que eu canto assim, é por ti Fogo!

    E o único tetra continuou sendo o meu amado alvinegro! FOGO!!!!!

    Momentos ruins eu já vivi, mas nunca parei de cantar, e esse fogo no meu peito, que nunca vai se abalar! ÔÔÔÔÔÔÔ Fogo olê olê olê!

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  6. Arrasou, descreveu perfeitamente a sensação de toda a torcida alvinegra!! É por isso que eu canto assim, é por ti Fogo!!
    Só o detalhe é que o fogo nunca vai se APAGAR :) eu sei, foi a emoção.

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  7. hahahahahaha, o Fogo não se apaga, não se abala, não acontece nada com ele. As coisas acontecem comigo que me emociono e erro essa música. Uma vez no fotolog escrevi que o Fogo nunca ia se acabar. hahahaha.
    É, não vai se APAGAR, APAGAR, APAGAR (quem sabe repetindo não resolve o meu pobreminha?!).
    bjs

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  8. O relato da Valê foi tão apaixonado que eu vou até deixar escapar que faço parte dos inimigos imundos.

    ;)

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  9. Nos dias normais, Nanda, você faz parte dos adversários, nos dias tensos e decisivos viram inimigos e imundos, hehehe.
    Mas não leve a mal, até a minha própria mãe me referi como "mulambinha"... Assim sendo, não poderia poupar a nação, não é mesmo?
    ; )

    Beijos

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  10. hahaha! Realmente, até eu me emocionei com o seu relato, apesar de quase ter matado um alvinegro pentelho nesse dia.

    Tive de fazer o mesmo que você, me afastar pra não jogar o outro pela janela.

    Mas juro que saiu fumacinha do nariz...

    Não sabia que a "mamãe" era mulambinha, revelação bombástica do dia.

    bjs!

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  11. Esse posicionamento está ultrapassado, atualmente ela diz q nao tem time. A verdade é q nao está nem aí para futebol, exceto pelo fato dele exercer imensa influencia no humor das filhas.

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  12. Conheci o Maracanã qd o Brasil se preparava para a Copa de Mundo de 78. O time treinava lá e como na época nós morávamos em Vila Isabel, o Maracanã era o lugar onde nós íamos brincar, meus irmãos faziam atividades de prática esportiva e eu mesmo pequena, tinha 4 anos, sempre ia tb!!!
    Lembro que era a maior confusão qd chegava o ônibus da seleção, a criançada cercava o time e eles sempre davam bjs...
    Pois vários anos se passaram e volto ao Maracanã na década de 90, mais precisamente o ano de 1994, qd o meu filho, Felipe, vai pela primeira vez ao estádio... Então, começamos a frequentar semanalmente para assistir aos jogos do Fluminense.
    Já assistimos jogo pela manhã, com as cadeiras azuis fechadas, jogos da seleção, jogo de volei e a magia de estar no Maracanã, pra mim, não acontece em nenhum outro estádio. Um dos mais belos espetáculos que vi, a abertura dos Jogos Panamericanos, shows de música e sempre lá o velho Maraca, resistindo a tudo e a todos...
    Dois jogos me marcaram muito, o primeiro Fluminense X São Paulo e Fluminense X Boca Jr. pela Libertadores, tudo foi maravilhoso, a chegada, a galera ensacando o pó de arroz, a festa da torcida e principalmente o futebol apresentado pelo time... quiseram os deuses do futebol que perdessemos a final, aliás um dos meus dias tristes de Maracanã, mas esses jogos ficarão pra sempre na minha memória!!!
    Enfim, sinceramente me sinto muito carente com o Maracanã fechado. Sei que é um mal necessário!!! Mas vai ser duro ter que ver o Flusão Campeão Brasileiro de 2010 no Engenhão rsrsrsrsr....
    O Maracanã é o Maior do Mundo e só quem frequentou ou frequenta sabe do que eu estou falando...

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