quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Enquanto isso, no Velho Mundo...

Não quero vender meu peixe, mas aqui estou mais uma vez para falar de política e futebol. Estudo o tema há um tempo, e o que mais me surpreende é que tem gente que ainda insiste em dizer que esses dois não andam por aí abraçados. Temos tantos casos no Brasil, como a interpretação de muitos para o jogo de ontem entre Vasco e Corinthians, mas também me chamou a atenção esta semana o futebol europeu.

Na terça-feira, dia que as Lulus arrasaram no Rock Bola, aconteceria um jogo entre Itália e Sérvia pelas eliminatórias da Eurocopa 2012, em Gênova. Pois é, mas a bola nem rolou. Uma confusão generalizada envolvendo os torcedores sérvios atrasou o jogo em 37 minutos e depois, com menos de 10 minutos, levou ao cancelamento da partida. Acho que a primeira coisa que a gente pensa numa situação dessas é na baixaria das torcidas organizadas. Mas parece que a coisa foi mais complicada.

Segundo o Secretário de Estado e Justiça da Sérvia, Slobodan Home, a confusão aconteceu com o objetivo de boicotar as negociações sérvias com a União Européia. Os vândalos seriam os "ultras", grupo que não se limita a tocar terror em estádios, mas que é contra a entrada da Sérvia na União Européia e tem forte poder financeiro para suas ações.

Exagero? Teoria da Conspiração? Acho difícil. Talvez para um brasileiro não seja fácil entender esse tipo de atitude contra a entrada do país em um bloco regional, mas na Europa o nacionalismo transborda em todos os lados. E no caso do futebol a gente entende: o nacionalismo faz a festa no campo esportivo por aqui, né? Só é de um jeito diferente (tipo todo mundo ter orgulho de ser brasileiro na Copa do Mundo).

Ainda não sabemos o final da história. Se vai ter outro jogo, se vão declarar vitória da Itália ou até desclassificar a Sérvia. Ninguém sabe também o efeito disso nas negociações entre Sérvia e União Européia. Eu só sei uma coisa: o futebol é uma das melhores formas da gente entender esse louco mundo em que vivemos.

Foto do quebra-quebra feito por um grupo de torcedores sérvios

9 comentários:

  1. Há algo de podre...
    não vejo muito patriotismo aqui no Brasil, para o bem nem para o mal!

    É difícil para a europa viver em paz, você que é historiadora pode explicar melhor do que eu ;)

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  2. Engraçado é que aqui a gente vê mais o contrário. Interferência de fora pra dentro do futebol, não muito de usar o futebol como ferramenta pra qualquer tipo de protesto que não se baste nesse mundo mesmo. Também, né, já é tanta confusão nesse universo da bola, tanta politicagem, se ainda fossem misturar com política de fato, ia ser um caos completo. Eu ia me sentir oprimida, ainda mais porque preciso da pelota pra escapar desse mundo louco em que vivemos. Agora... Se aqui rolam uns vandalismos absurdos de TO, essas porradarias na Europa perdem a linha terrivelmente, viu? =/ Não importa o motivo.

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  3. O fato é que misturar política com esporte pode trazer graves consequências... Vide a Era Negra do Vasco com Eurico Miranda, era influente, mandava e desmandava na Federação de futebol do RJ e no final, depois de perder o mandato deixou o Vasco falido culminando com a segundona. E por muito a Bolívia tentou entrar para o Mercosul e sempre encontrou resistência, da Argentina principalmente... A verdade é que futebol deve ser encarado com profissionalismo por quem joga mas como lazer para quem torce!! ST sempre

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  4. Essa "Era negra" é a mesma que deu os títulos mais importantes da história do Vasco??

    Tocaram exatamente na ferida. Enquanto aqui no Brasil o esporte é utilizado para "esconder" os problemas e entreter a população, na Europa a muitos anos é utilizado como forma de protesto e expressão de opnião. Simples assim.

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  5. Um post, no mínimo, perfeito!
    Lamentável esse episódio no jogo entre Itália e Sérvia. Não foi o primeiro e, com certeza e infelizmente, não será o último caso em que querelas políticas são transbordadas para um campo de futebol.
    Quanto ao nacionalismo brasileiro, isso só é demonstrado de quatro em quatro anos, mas não durante a eleição. Teriamos escolhas melhores caso tivessemos orgulho de ser brasileiro também na hora de votar.

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  6. Eu não tinha nem um pouco de orgulho de ser brasileiro quando via o Tiririca fazendo campanha na TV, e digo mais, fiquei com um misto de raiva e vergonha quando ele foi eleito, ainda mais pela forma que foi.

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  7. "Enquanto aqui no Brasil o esporte é utilizado para "esconder" os problemas e entreter a população, na Europa a muitos anos é utilizado como forma de protesto e expressão de opnião. Simples assim."

    Não vamos esquecer que esses sérvios que "expressaram sua opinião" são tâo bandidos quanto qualquer hooligan. Aí deixa de ser tão simples...

    Aqui temos pão e circo, lá temos fanáticos violentos. Dois tristes lados da mesma moeda (sem valor algum).

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  8. Sim, eu considero era negra do Vasco, e do futebol também. Não acho que os títulos são méritos do Eurico. Ele manchou o clube, nossa bela história, e, repito, a história do próprio futebol brasileiro.

    Acho que somos mais patriotas e nacionalistas em épocas de Copa. Não concordo, até porque não acho que o futebol deva ter esse sentido... mas acho que é assim que funciona. Existem várias formas de manifestação nacionalista, e o futebol certamente é uma delas. Como essa manifestação ocorre, depende de cada lugar.

    Pois é, também não acho que esse tipo de vandalismo seja uma maneira legal de expressar opinião. Violência de Torcida Organizada é isso: vandalismo! Logo, crime.

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  9. Acho que Copa do Mundo exalta os ânimos da torcida. Afinal, é o único momento em que nos permitimos comemorar em uníssono, é o time que converge todas as torcidas, aquele "neutro". Acho meio exagerado também, mas válido, desde que todos se comportem numa boa.

    Quanto aos hooligans, sou contra. Acho errado que se manche uma coisa tão bonita quanto o futebol com essas manifestações de violência. É crime mesmo, essa gente tem de ser presa e julgada pelo que fez. Foi ato de terrorismo.

    Não deve ser aplaudido ou reconhecido como consciência política, porque é pura falta de inteligência. Violência é o argumento dos desesperados.

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