sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Sobrevivendo ao futebol

Quando Deco finalmente chegou ao Fluminense, Muricy reconheceu sua qualidade e disse que seu maior desafio seria se adaptar ao ritmo do futebol brasileiro, bem diferente do europeu pela velocidade.

Durante a Copa da África, Dunga disse que seria melhor desencanarmos dessa vontade insana de ver futebol bonito, porque isso era coisa de outra época. Hoje em dia, o negócio é mais trabalhar a efetividade, por mais que o jogo seja feio. Tem gol? Então é isso.

Em carta ao Lance!, torcedor disse que os brucutus estariam tentando brecar os jogadores habilidosos na marra, por saberem que nunca jogarão como eles. Estamos dando lições de humildade a quem sabe fazer mais que tocar a bola e empurrar pro gol.

Ou seja, o futebol hoje em dia é mais rápido, mais violento e mais feio. É isso que eu tenho de aceitar?

Some-se a isso, no nosso caso, um dos campeonatos mais pesados de todos, o Brasileirão, com 2 jogos por semana. É claro que essa equação não pode dar certo.

Os atletas ficam mais sujeitos a lesões, sejam elas pelas faltas excessivamente violentas (honestamente, adoro a falta de caráter de alguém que faz uma falta suja em um colega, sem pensar se aquilo pode vir a encerrar a carreira dele, ou afastá-lo do campo por tempo indefinido), ou simplesmente porque o corpo não segura o tranco.

E tudo isso pra vermos um futebol mediano, bem abaixo das nossas expectativas de quem já viu coisa bem melhor não faz tanto tempo.

Pra nossa sorte, como torcedores, e dos jogadores, a medicina do esporte no Brasil é a mais evoluída do mundo. Assim, lesões que teriam encerrado a carreira de muitos jogadores podem ser tratadas com mais facilidade.

O grande problema é que algumas evoluções não são tão positivas assim, se pensarmos mais criticamente. Essa medicina avançada se encaixa perfeitamente à demanda do futebol atual, mas também abre precedente para que se cogitem mais jogos por semana, ou um joguinho extra aqui ou ali, ou seja, apertar um pouco mais um parafuso que está bem apertado.

Temos de lembrar que esse mundo gira em torno do dinheiro. Custa caro bancar esses salários e, além disso, todo mundo adora um lucro.

E uma boa partida de futebol.

Um comentário:

  1. Pois é, Marcela. Sofro "na pele" os efeitos dessa realidade. 5 titulares de fora nas duas últimas rodadas. Pelo menos 3 amanhã.

    Alguém está interessado em solucionar o problema?

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