domingo, 5 de setembro de 2010

A primeira vez a gente nunca esquece

Domingo e eu fui ao Maracanã, ver a última partida do Flamengo antes do estádio fechar. O adversário seria um Peixe desfalcado, sem Robinho, sem André, sem Ganso, sem Neymar. Já do lado Rubro-Negro, estava a expectativa pela estreia da dupla de ataque, Deivid e Diogo, jogando juntos pela primeira vez.

Mas não só eles estreariam no Maraca, pois hoje foi dia de levar uma pequena flamenguista ao seu primeiro jogo. Julia, afilhada do meu namorado, veria, aos 6 anos, seu time de coração jogar. Será que os jogadores se sentiriam mais pressionados se soubessem que, nas arquibancadas, um pequeno torcedor veria uma partida ao vivo pela primeira vez? Será que jogariam melhor, com mais dedicação?

Quando ela descobriu onde iria depois do almoço, começou a cantar o hino do Flamengo e mostrou como ia gritar quando o time fizesse gol. Prometeu que sairia rouca do Maraca. Quando viu os torcedores de longe, gritou, impressionada, "caraca, quanto flamenguista!". Mas nada superaria sua expressão ao ver o gramado da arquibancada. O queixo caído, os olhos arregalados, a cabeça balançando em afirmação quando perguntada se estava gostando.

A torcida compareceu, ocupando quase todas as arquibancadas, agitando bandeiras e balões, cantando e pulando. Os bandeirões cobrindo as arquibancadas e Julia, ainda tímida, se soltava aos poucos, se preparando para juntar-se ao coro apaixonado.

Em campo, o Flamengo jogou melhor. Willians, como sempre, destoando do grupo, parecia ser vários, e não só um. Marcava, corria, driblada, tomava a bola e defendia. Ficou em campo até uma falta feia que o deixou mancando, quando foi substituído pelo inócuo Kleberson.

Além do Lomba, um jogador que só vejo crescendo a cada dia, e ganhando mais e mais segurança como goleiro do Mengão, gostei de ver a raça de Juan no jogo. Acho que ele fura bastante, mas também tem lampejos de bom futebol que mostram que ele poderia fazer mais, e é esse mais que eu (queria e gosto de) ver.

Toró trabalhou bem, assim como Léo Moura, que vem sendo muito acionado e corresponde bem. Renato correu mais, apesar de não ter desencantado e não ter marcado o seu. Hoje teria sido um bom dia, não só pela Julia, mas pela torcida inteira! Corrêa pareceu jogar melhor depois da pancada violenta que sofreu na cabeça, quando impediu uma cabeçada santista de se converter em jogada mais perigosa contra o Mengão, ou, pior, em gol. Diogo parecia que ia ficar mais na frente, mas logo começou a correr e voltar para buscar a bola, participou bem do jogo, mas, assim como Deivid, parecia estar mais à vontade passando a bola do que chutando a gol.

Gente, atacante que não chuta a gol só dificulta a vida do time, ok?

É óbvio que a torcida pediu Pet, e nisso Julia já estava quicando na arquibancada, gritando Pet e batendo palma. Quando disse que o sérvio usava a mesma camisa que a dela, ela logo tratou de tirar o casaco, cruzar os braços e mostrar o número 10, tirando a maior onda.

Pet fez diferença, criou algumas jogadas, bateu 3 bons escanteios, mas o medo de chutar a gol dominou o Flamengo.

O placar ficou nesse chato 0 x 0, e de nada adiantou a raça de alguns jogadores, ou a superioridade do Rubro-Negro em campo. O Santos continua no topo da tabela, enquanto o Flamengo está insuportavelmente próximo da zona da degola.

Mas, mesmo sem a vitória, mesmo sem o gol, Julia já tem a memória do seu primeiro dia no Maracanã. Do dia em que viu aquele gramado verdinho lá de cima, a arquibancada cheia cantando o hino cuja letra ela conhecia, de ter vestido a mesma camisa que o craque pedido pela torcida (de que adiantaria dizer pra ela que aquele número um dia foi do Zico?).

Agora o Maraca fecha, vamos ter de esperar um bom tempo pra ver um jogo lá de novo. Só espero que o Mengão não espere o estádio reabrir pra voltar a ganhar. Pode ser, time?

11 comentários:

  1. Fiquei tão entretida com a emoção de testemunhar a primeira vez de uma pequena torcedora, que esqueci até de registrar meu desgosto com o juiz, que deixou de marcar várias faltas importantes e até pênalti(s). *suspiro*

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  2. Olha, confesso que não me lembro a primeira vez que fui no Maraca! Eu tenho memórias de estar na arquiba (sem cadeiras, era um degrau imenso para o tamanho das minhas perninhas) e também nas cadeiras inferiores (no fundo pra não levar chuva de mijo), e de várias coisas que rolavam na torcida, etc...

    Mas eu não lembro especificamente da primeira vez.

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  3. É que eu não tinha ninguém pra me levar a estádio pra ver jogo, né? Então minha primeira vez no Maracanã já foi burra velha, acho que tinha mais de 15 anos. Aí lembro de tudo, lembro até de chorar quando vi o gramado. Talvez eu vá lembrar mais desse dia que a Julia. O David tb, com certeza. =)

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  4. Nanda, seus posts são, de longe, melhores que os das outras torcedoras. Graças a isto virei aqui mais vezes ler.
    Abraços,
    Vitor, Flamenguista e amigo da Marcela.

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  5. hahahahahahaha mas é um bosteguinha mesmo!

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  6. ps: minha primeira vez, pasmem, foi num jogo da Seleção, em uma das reaberturas do Maraca, no ano 2000 (também não tinha compania pra ir comigo, Nanda)

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  7. Obrigada, Vitor, porque eu amo escrever tanto quanto amo esse time que me tortura, mas vou defender as meninas, porque eu amo os textos de cada uma delas, cada uma com seu jeito e todas muito honestas em suas palavras e paixões. Espero que você volte sempre e traga mais leitores com você!

    Abraços!

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  8. Muito, muito fofa! :)

    A minha primeira vez vai agradar à Marcela: foi pequena, uns 7 anos, em algum jogo do Fluminense. Não lembro bem contra quem, porque a paixão pelo clube meu pai não conseguiu passar para os filhos, então a memória é fraca. Mas lembro de um jogo especial: o do gol de barriga da Renato! Foi um pouco depois, eu vascaína lá gritando, só porque era contra o Flamengo, hehe.

    Acho que muitas pessoas tiveram uma primeira vez parecida com a minha, nas cadeiras azuis, que são grátis para crianças.

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  9. Com certeza!!! Não quis desmerecer as meninas! Mas você me parece ser mais sensata, a começar pelo time!!! rs
    Bjs

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