terça-feira, 14 de setembro de 2010

Ética no esporte

Há algum tempo quero escrever sobre a ética no esporte, com maior ênfase no futebol, em se tratando da paixão nacional e, na minha opinião, um dos esportes em maior decadência no que diz respeito à ética, onde os gestos elegantes se tornam raros e, por conta disso, cada vez mais louváveis e louvados. Se tornam atos quase que heróicos, rendendo até prêmios fair play. A regra se tornou exceção.

São inúmeros os casos de falta de lealdade, de esportividade, de coletivismo e coleguismo, que geram desde pequenas faltas até a classificação para a Copa do Mundo (quem não se lembra da mãozinha do Henry), passando pelos torcedores pedindo para os jogadores entregarem um jogo que, caso ganhassem, poderiam dar um campeonato para o principal rival (entrega, Grêmio?).

A discussão não se limita às arenas, ela é filosófica e social, e de extrema importância, talvez a mais importante do esporte. Penso assim especialmente depois de assistir o Sportv Repórter sobre esse assunto, talvez o programa mais bacana que eu já assisti no canal, ainda mais com a participação mais do que especial da filósofa Viviane Mosé, que além de minha ídola é também (coincidentemente) minha cunhada.

A vitória a qualquer custo se tornou o objetico principal desse esporte, deixando de lado o belo e o correto. Mas a "culpa" não é só de quem está nos bastidores do esporte, afinal, o comportamento no esporte é apenas um reflexo do que vemos no nosso dia-a-dia. É claro que isso não os exime da responsabilidade, mas o que é feito em campo é, muitas vezes, aplaudido por todos. Então, por que deveria parar de acontecer, né?!

O pano de fundo da reportagem se dá em uma família carioca, tricolor (coincidência?), onde o caçula da família treina nas bases do Fluminense. A discussão a respeito do tema é constante, presente diariamente na rotina da casa. Os ensinamentos passados para o menino Felipe são simples: não xingar o juíz, não xingar o colega, não simular falta, entre outros pequenos(?) atos. Nenhum bicho de sete cabeças, correto? Mas não é o que vemos na maioria esmagadora dos casos. E para mim, a solução é simples assim: começa dentro de casa. Como disse antes, tudo é reflexo do que somos, da nossa criação e formação, do que vemos nossos pais fazerem. Não somente quando se está sob a vista de alguém, mas sim uma coisa inerente a nós. O anti-ético no esporte, é anti-ético fora dele. Simples assim, sem separação, sem distinção.

16 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Futebol é resultado?
    Eu gosto de pensar que ética trata do que é certo e do que é errado. E que a moral trata do que é bom e do que é mau.
    Isso me ajuda a pensar que cada situação da vida tem uma ética e uma moral próprias. E no esporte não seria diferente.
    Como o futebol é lúdico, o nosso melhor e o nosso pior ficam totalmente expostos; o jogador não consegue esconder quem é quando pula de cara em uma bola pra salvar um gol contra o seu time, nem quando puxa a camisa do atacante que vai entrar na área pra fazer o gol da vitória. São escolhas; louváveis e deploráveis.
    Então o cara que tem uma falha ética (teve um comportamento errado numa situação de jogo) deveria ser punido como forma de ser forçado a refletir sobre o que fez.
    Entretanto, ele só vai fazer isso se não for imoral naquele sentido. Ou seja, se o cara ta acostumado a simular faltas, a xingar o juiz, ele não vai refletir – vai se explicar pro repórter do lado de fora do campo, após ser expulso. E não porque é antiético, mas porque é imoral. Porque passou a entender que aquilo que fez, na verdade, é o certo nesta moral torta que o futebol competitivo criou.
    Agora, o que parece ser a "escola de 'pensamento' dominante" no futebol é pior que isso: é amoral! Como se o futebol fosse um negócio onde há espaço para bondade.
    O esporte ensina a cada um de nós coisas maravilhosas como levantar depois de cair, celebrar quando superamos expectativas a ganhar sofrendo e a perder lutando. Perdemos todos quando somos obrigados a torcer para bandos de anti-heróis uniformizados, comandados pelo ‘professor’, com nossas camisas adoradas.
    É o resultado da cegueira.

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  3. Esse é um assunto muito delicado. Falta de ética não começou agora, já vem desde os tempos áureos da bola de couro animal... muitas vezes se confunde a falta de ética com um recurso do jogo... e nesses casos, cabe ao juiz tomar as medidas previstas na regra.
    Quanto ao tricolor, mais cedo ou mais tarde ele será corrompido pelo mundo do futebol... infelizmente essa é a verddade. Claro, que os conselhos da família farão alguma diferença, mas para chegar até o profissional de um clube ele vai receber muita ordem para se jogar na área do adversário... e ele acabará acatando as ordens, em troca de continuar sonhando em ser um jogador de futebol...

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  4. Breno, vc se esqueceu de outras duas coisas maravilhosas que o futebol ensina (pra quem quer aprender, é claro): a perder e a ganhar....

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  5. Daniel, não pude deixar de pensar na mesma coisa quando vi a reportagem: mais cedo ou mais tarde ele se corromperá. mas não posso me dar por vencida nesse aspecto, os pais "massificam" os valores, e o menino encontrará o próprio caminho, mas pelo menos ele terá discernimento. Se bem que os anti-éticos são ainda piores do que os aéticos....

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  6. Os pais estão fazendo o papel deles... ponto para eles. Tomara que o moleque não se perca nesse mundo do futebol. Aliás, seria interessante ver uma nova geração que conseguisse juntar inteligência e resultado. Até porque já está mais do que na hora da malandragem perder espaço para a inteligência...

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  7. Assunto delicado mesmo, boas argumentações, tanto da Marcela, quanto do Breno e do Daniel. Constantemente me sinto Poliana ao questionar certas atitudes e, mesmo vendo que não estou sozinha, também percebo que outros acham que minhas posições são politicamente corretas. Ou, em português claro, chata e cricris. Certinhas. Como se eu fosse uma alienada que não entende o mecanismo da coisa. Pra você ter ideia, chorei quando Gana foi eliminada, chorei mesmo. E não aplaudi o uruguaio que deu um tapa de gato na bola, aquele que a mídia tomou como herói (talvez não na África, mas no resto do mundo). Acho que é a decadência da sociedade mesmo, como você falou, Marcela, quando premiamos pessoas por se comportarem direito. Você recebe um troféu por fazer o que deveria ser padrão, pelo amor de Deus! Mas acaba sendo mais do que só o atleta receber sugestões do técnico ou dos companheiros para agir dessa forma, uma hora ele pensa que, se não fizer, ele vai acabar perdendo. Seja por virar o jogador caçado em campo, ou aquele que não sabe ajudar o grupo, ou aquele que não faz sacrifícios por um bem maior. Sou contra, mas sempre vai ter aquele grupo que vai dizer que você precisa se atualizar e entender que as coisas são assim mesmo, não adianta querer lutar com o sistema. E é por isso que aceitamos que um campeonato pode estar todo acertado pra ser levado pelo time x, por conta dos fatores a, b, c e d. E ficamos esperando quando será a nossa vez nessa roleta? Sei lá. Acho que isso já não é mais jogo. =P

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  8. em grego, o bom e o belo são a mesma coisa. logo, o bom futebol é o belo futebol

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  9. taí uma discussão que pode durar dias.

    Eu acho que tem dois dados muito interessantes. Um deles é como essa falta de ética no futebol, como foi dito, é um reflexo da desmoralização da ética como um todo na sociedade. No Brasil, então, em que ignorar a lei é regra, nem se fala.

    Outro é a tênue linha entre o "mau caratismo" (ou chamem como quiserem) e as medidas desesperadas tomadas no esporte, em que uma fração de segundos é o tempo que o atleta tem para refletir acerca de suas ações. Assim, quando o último homem comete uma falta para tentar salvar seu time de tomar um gol, isso faz dele anti-ético? Eu acho que não. E para isso existe o cartão vermelho. Existem punições previstas. Os problemas aí são dois: essas atitudes extremas estão balizadas e corriqueiras; e as punições não tem clareza nenhuma em sua aplicação prática, como se "a regra não fosse clara".

    Belo post e ótimos comentários.

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  10. É complicado, Camilla. Ainda mais quando há essas pequenezas que começam a mudar a percepção das atitudes, tipo o lance do último homem fazer a falta pra salvar o time. A justificativa da falta começa a ter a coisa do sacrifício do um pelo todo e aí já pode deixar de ser mau-caratismo. Será? Kléberson mesmo fez isso uma vez, e é bem possível que eu tenha respirado aliviada. Tomou o vermelho, nem questionei.

    Mas é como vc tb disse. Dá pra ficar aqui discutindo dias. Certamente não é uma questão preta e branca.

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  11. A Camilla me fez lembrar de uma situação famosa esse ano com a questão da linha tênue entre "mau caratismo" e medidas desesperadas: o pênalti do uruguaio Suárez no jogo contra Gana da Copa. Lembrem, né?

    Eu comemorei muito, achei o máximo, e entendi completamente o desespero do jogador uruguaio pra tomar tal atitude. A maioria dos jornais sul-americanos festejou como exemplo de amor desesperado à camisa. Só que no resto do mundo não foi bem assim.

    Pra muitos, foi falta de ética. Se somos lógicos, uma falta é uma falta, proposital ou não. E supostamente, ela não pode ter justificativas, certo? Esse caso mostra que, pra muitos (e me incluo), nem sempre... tem horas que justifica, sim.

    Ou seja, parece que temos uma parte óbvia: que existe um problema claro de ética (ou a falta de) no futebol atualmente, e muitos exemplos são indiscutíveis. Mas outra questão não é tão óbvia: o que define os limites da ética.

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  12. Livia, citei exatamente esse caso no meu primeiro comentário. Inclusive, falei que não concordei muito. hahaha... Chorei pela eliminação de Gana que nem criancinha. Fiquei inconsolável...

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  13. Haha, Nanda, foi mal, me perdi nos muitos (e profundos) comentários! Mas acabou ficando legal, mostrou exatamente o que eu queria: qual o limite pra ética?

    Mas aproveito pra ressaltar: não acho que seja tudo relativo! Claro que, como disse antes, existem atitudes injustificáveis.

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  14. Magina, achei interessante, porque você pensou o oposto de mim. ahahahaha...

    Eu me emocionei mais com o pessoal de Gana. Me doeu vê-los deixando a Copa daquele jeito.

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  15. Olha,como ja foi dito é um assunto mt delicado. Envolve mt dinheiro e ñ eh surpresa pra ngm nem novidade,dinheiro corrompe.

    Esse menino que hj luta apenas pra crescer na profissão vai chegar um momento em q receberá propostas,terá pressão de patrocinadores, do clube,enfim interesses externos q irão influenciar diretamente na sua postura.
    Óbvio que algumas coisas são visíveis,pra mim a mãe do Caio do Botafogo mimou mt ele,esse menino acha que pode enganar todo mundo,toda jogada se joga e olha com cara de coitado,imagino que ele fazia isso com a mãe qnd era mais novo pra n levar culpa nas merdas q fazia...rs
    Brincadeiras a parte,toda criação vinda de casa vai sofrer interferência e n tem jeito,vai se corromper,por dinheiro,pra realizar o sonho,pra uma série de situações....
    Acho que só nós,torcedores,q agimos por amor...pq jogador,age pelo que lhe convém,ate pq,ali é seu trabalho......

    Querer ética no futebol é utopia....

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  16. Ninguém gosta de jogador que cai muito, principalmente os torcedores que querem ver é drible e gol. O importante é que o Caio depois de um período de muito cair e pouco fazer, voltou a jogar com a alegria de sempre.

    Por outro lado, é muito preocupante, na minha opinião, os zagueiros que sempre que se deparam com um jogador habilidoso, partem para a falta e a violência. Estamos vendo o que acontece com o Neymar (esse é queridinho da mídia...). Zagueiro grosso e violento não é novidade, sempre existiu, mas daí a querer agredir o jogador que dribla, alegando que é "abusado"???? O exemplo maior pra mim foi a atitude do molambo marrentinho contra o meu querido Mago. Agride e ainda quer dar esporro. Esse evento demonstra bem, pra mim, o inquestionável (como demosntração de falta de espírito esportivo, ética, moral ou qualquer coisa boa que possa fazer parte do futebol).

    Pois é, Nanda, não deu pra não relembrar....

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