terça-feira, 14 de setembro de 2010

Estamos em greve!


Na Copa de 2010 os franceses se destacaram não pelo futebol, mas pela crise da seleção. Teve greve, bem a cara deles, e até que animou um pouco uma primeira fase morna. Eu pelo menos me diverti com as notícias, claro, não era meu país...

Mas a crise do futebol europeu não começou na Copa. Tudo bem, a Espanha foi campeã, mas isso não apaga os diversos casos que aparecem a todo momento na mídia. Agora, por exemplo, é a Itália. Se fizermos uma recapitulaçãoo de greves ou ameaças de ocorridas só este ano, dois outros casos chamaram a atenção: os gregos e, por incrível que pareça, os espanhóis.

  • Em abril, alguns meses antes da primeira conquista Mundial, os jogadores espanhóis ameçavam entrar em greve, proposta do sindcato de jogadores (AFE) por causa dos inúmeros salários não pagos, principalmente na segunda divisão. No final foi feito um acordo, e imagino que depois da vitória na Copa as reivindicações perderam força.

  • Já na Grécia, a crise financeira não popuou o futebol. E era óbvio que não: com o esporte cada vez mais globalizado e nas mãos de empresas e empresários privados, os clubes europeus sofrerão de uma forma ou de outra a crise. E num país que fez greve geral, não é difícil entender que os atrasos de salário, demissões e falta de empregos chegaram também aos campos. A situação ainda é tensa, e tem jogador brasileiro com medo do xenofobismo, como o meia Cleyton, do Panathinaikos.

  • Os franceses, como já falei, ganharam o troféu de papelão na Copa da África do Sul. Jogador mandando técnico tomar naquele lugar, com referências nada carinhosas à mãe do mesmo; a rebelião nos treinos, que levou à greve. E o que todos vimos: as consequências em campo. A crise na verdade já era anterior à Copa, desde a campanha fraquíssima nas eliminatórias (também marcada por uma polêmica, o gol da classificação e de mão do Henry). Teve até jogador dizendo que não ia se calar e que a verdade ia aparecer. Pois é, estou esperando.

  • E agora acompanhamos o caso do futebol italiano. Nesse caso a briga é contra um novo regime contratual, principalmente dois pontos que os jogadores afirmam que não vão ceder: a obrigação de aceitarem uma transferência e a possibilidade dos clubes decidirem que o jogador irá treinar fora da equipe principal. Representantes dos jogadores e clubes estão negociando, mas por enquanto, a greve para os dias 25 e 26 deste mês está mantida.

Cada vez que vejo um caso como esses fico pensando: como ainda pode ter gente que acha que o futebol é só um esporte, que ele não afeta a sociedade? É um caminho de mão-dupla: o futebol exerce uma forte influência na sociedade, mas também sofre o que vem do outro lado.

14 comentários:

  1. Acabou o amor...

    O torcedor está desesperado por alma, mas o fato é que quem manda nesse jogo é o dinheiro.

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  2. Faz tempo que acabou o amor. O foco é ficar milionário e fazer carreira internacional. Um dia, quem sabe, voltar ao Brasil pra defender o clube de coração ou aquele que revelou o jogador.

    Ser o futebol a reta que liga os pontos atleta e dinheiro é só consequência. Uma consequência mais divertida que fazer trabalho de escritório, mas, ainda assim, não é o principal.

    Fica que nem a ética lá, o troféu far play. Quem joga por amor, não é a regra, é a exceção.

    </3

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  3. aí, amanhã a noite, espero trazer ares mais alegres para cá, tá fogo né?!

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  4. (to sentindo o blog no clima meio Calazans way of life! hahahahahaha)

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  5. Achei bem alegre o Anelka mandando o nojento do Domenech tomar. hahahaha... Sou louca?

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  6. quando eu paro e penso no tanto que eu levo futebol a sério, me dá uma certa agonia... as vezes me dá vontade de querer gostar menos de futebol... pelo menos do profissional...

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  7. Pois também passo por essa aflição. Também tem o sentimento de ser presa de um mecanismo de controle, mas acho que só mesmo um alienado social se torna um alienado político por conta do futebol. Além do mais, o popular esporte se tornou uma "fuga" para alguns. Não espanta que prefiram assistir a um jogo no mesmo horário do debate eleitoral, uma vez que o nível do debate encontra-se ainda pior do que o do futebol!

    Que tempo vivemos... :( Marcela, vc está certa, o clima pesou por aqui.

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  8. Duas coisas:

    1. Podia ser pior e a gente gostar de Curling.

    2. Se todo mundo levasse o futebol menos a sério algumas coisas poderiam acontecer. Poderia rolar uma crise do sistema atual, já que os investimentos milionários e essa sacanagem toda que a gente tem discutido iam perder o propósito. Ou a imundície ia se se institucionalizar, como aconteceu na política, porque a massa ia entrar nessa vibe de "anular" voto e quem está no futebol ia fazer o que quisesse e o resto que se danasse.

    Não dá pra saber...

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  9. po, curling é irado... sempre vejo nas olimpiadas de inverno...

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  10. hahahahahahahahaha eu e Daniel ficamos vendo curling nas Olimpíadas de inverno, isso é verdade, eu juro!

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  11. Vcs veem curling e a preocupação dele é levar futebol muito a sério? hahahahahaha! Senhor...

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  12. tmb vejo curling! Só que só dando umas olhadas, não da pra acompanhar do início ao fim...

    pense bem, o curling tem muito mais alma. Não envolve contratos milionários (acho q nao) e vc pode jogar com uma pedra, umas vassouras e mais alguns amigos no laguinho congelado mais próximo de casa.

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  13. e gente que saiba varrer numa velocidade de 6 varridas/segundo!

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