quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Quando a regra não é clara

Algumas coisas geram polêmica quanto às regras do futebol. Uma delas é a paradinha na cobrança de pênalti. A outra é quanto à comemoração do gol.

Já comentei aqui sobre minhas ressalvas no quesito manifestações religiosas + futebol. É um assunto bem tenso, garantia de rebuliço.

Não queria ficar fazendo barulho nesse momento, mas preciso comentar a notícia que vi hoje no Globoesporte.com, então... Quem quiser concordar, protestar, o que for, vamos lá!

Em vitória por 3x2 do Hapoel Tel-Aviv sobre o RB Salzburg pelos playoffs da Liga dos Campeões, o atacante judeu Itay Schechter sacou uma quipá com o escudo do seu time, presente que recebeu de um torcedor, para comemorar seu gol com uma prece.

O juiz português não levou na boa e respondeu com um amarelo.

Shechter disse que não queria ofender ninguém quando declarou seu Shema Yisrael ajoelhado em campo, mas isso não fez a menor diferença. Ficou com a advertência.

Isso pode ser considerado perseguição religiosa? Pura especulação, mas o juiz, português, tem grandes chances de ser católico, né? E se alguém fizesse o sinal da cruz, apontasse pro céu e dissesse "Amém, Senhor!", ou levantasse a camisa pra exibir um "Foi Jesus quem fez!"? Levaria o amarelo também?

Os jogadores brasileiros são mestres em deixar clara sua crença ao correrem pra galera e comemorar a bola na rede. Quase nunca vejo as pessoas sendo punidas por isso.

Será que não seria melhor a regra ser clara nesse sentido? E condenar toda e qualquer manifestação religiosa em campo?

Acho que seria a única opção justa.

6 comentários:

  1. alguém sabe o que diz a regra nesse caso?

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  2. Não sei qual é a regra exatamente, mas durante a Copa comentaram que havia rolado uma recomendação pra não deixar fazer o que fizeram na Copa das Confederações. Como não assisti o torneio, fiquei sem entender o que raios a Seleção do Dunga tinha feito que foi considerado exagerado, mas foi uma comemoração nesse estilinho religioso. O que acontece é que com a moda de se levantar camisa pra mostrar N mensagens dos mais variados temas, começaram a proibir essa farofa. Problemas com patrocinadores e blablabla. Afinal, o clube faz o cacete pra contratar o jogador, os patrocinadores pagam os tubos pra botar marca na camisa, daí o maluco faz gol, tira a camisa, caga pro escudo, ignora as marcas e agradece a Deus, que não investiu um centavo naquela joça. Ou seja... Desequilíbrio econômico puro. De um tempo pra cá, quem tira a camisa, levanta a camisa, ou exagera na farofa, deve tomar o amarelo. Mas nem todo juiz segue a regra. Estou errada? Alguém sabe diferente?

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  3. É comum as pessoas criticarem as relações entre futebol e política. Muita gente dá pitaco e denuncia. Mas a relação entre futebol e religião continua sendo um tabu.

    Como a Nanda disse, tirar/levantar a camisa foi proibido em qualquer caso, não só em manifestações religiosas. Ou seja, não se tocou diretamente no assunto. O futebol é um elemento comum pra tantos países, culturas e religiões tão diferentes, não dá pra ter regras pra uns e não para outros. Realmente, se o judeu não pode, então o católico também está proibido de fazer o sinal da cruz.

    Esse tabu me preocupa. Porque parece que, em nome da religião (dominante, claro), a pessoa pode fazer o que quiser. E quem reclamar, é intolerante e não respeita a liberdade religiosa do outro. Absurdo!

    Como o caso do Juca Kfouri na Copa. Criticou o Kaká, e este, sem resposta, partiu pra perseguição religiosa.

    Acho muito, muito complicado isso. E que é preciso impor limites, sim. Liberdade religiosa significa tanto o direito de viver sua religião como o respeito pelas outras e, o mais difícil hoje, o respeito por quem não tem religião.

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  4. Lívia, a primeira vez que postei sobre o assunto foi bem por aí. Peguei o gancho da confusão Kaká x Kfouri, deu um auê... hahahaha... Mas é o que você falou. Acho que não pode ser bundalelê e não dá pra liberar uns e censurar outros. Até porque isso seria o mesmo que dizer que uma religião é certa e tudo o que fugir do padrão está errado.

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  5. Livia, falou e disse...

    não se pode tirar a alegria das comemorações, mas também não dá para ter dois pesos e duas medidas.

    Então qual DEVE ser a regra para não desrespeitar ou discriminar ninguém? Proibir qualquer tipo de comemoração? Ou liberar "geral"? Existe coluna do meio nesse caso?

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  6. Concordo que não se deva tirar a alegria da comemoração. Mas a regra existe. O problema é que não seguem porque rola interpretação do que é correto ou não, quer dizer, essa religião pode, essa não pode. E por ser um tema tão delicado, não se discute a respeito. Acho que a polêmica só ressucita quando acontece isso, tipo da quipá que levou o amarelo.

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