sábado, 21 de agosto de 2010

112 anos de uma imensa torcida bem feliz!



Difícil falar, difícil expressar... mas tenho que fazer um post no dia de hoje!

Claro que cada um acha que seu time é especial. E na verdade, todos temos razão: à sua maneira, todos os clubes fizeram história. E os 112 anos de história do Vasco são um orgulho para sua torcida e para o futebol brasileiro.

Na verdade hoje comemoramos os 112 anos do Clube de Regatas Vasco da Gama, não só do departamento de futebol. Como foi comum no Rio de Janeiro, tradicionais clubes de remo adotaram o esporte das elites -sim, o futebol- no início do século XX. O Vasco foi um deles.

Só que o Gigante da Colina já nasceu com seu espírito popular e igualitário. Clube de imigrantes portugueses e do bairro de São Cristóvão, seus membros não eram os representantes da elite., como aconteceu na maioria dos outros clubes. E quando o Vasco começa a disputar pra valer futebol, seus jogadores geralmente eram das classes menos favorecidas, sem acesso à prática do esporte da moda, e não os ricos como os do Fluminense e Flamengo, por exemplo. Os imigrantes portugueses, por amor ao clube, alimentavam e mantinham esses jogadores. Tudo isso em uma época em que o futebol não era profissionalizado, ou seja, ninguém ganhava pra jogar. E a elite não queria de maneira alguma sua popularização, e chegou a proibir qualquer forma de remuneração e exigir certificado de emprego dos jogadores (em uma época até exigiam alfabetização). Mais uma vez, os portugueses deram um jeito: fingiam que contratavam os jogadores, ensinavam a assinar seus nomes, davam um jeito. E o Vasco começou a conquistar seu lugar entre os grandes.

Mas o ano que marcou a história do clube e do futebol foi 1923. O Vasco incluiu em sua equipe jogadores negros, além dos mulatos e dos pobres, e conquistou o campeonato local. Para os dirigentes do elitizado futebol nacional, aquilo era um absurdo. E o Vasco foi, literalmente, banido do futebol carioca. Mas a mudança já estava feita. 10 anos depois o futebol brasileiro aceitava o profissionalismo, e em pouco tempo os negros, mulatos e pobres conquistaram definitivamente seu lugar, e o futebol tornou-se o esporte de todos. Tudo pela iniciativa do nosso Gigante.

Pois é, um belo passado democrático como esse... manchado pelos anos de Eurico Miranda. Infelizmente, e acho importante destacar, nossa história não é feita só de glórias. Eu cresci na época Eurico, e me doía muito ver tudo aquilo. Uma ofensa pro clube que enfrentou os grandes no início dos tempos do futebol nacional.

Também não pode ficar de fora a tristeza da segundona em 2009. Mas, como eu digo, uma hora ela chega para todos. Faz parte, e sou daquelas pessoas que acha que chorar pelo leite derramado é perda de tempo: vamos aprender com nossos erros e seguir em frente. Por isso fui aos jogos, fiz festa e gritei com força o campeonato da série B. Voltamos ao lugar que pertencemos de cabeça erguida, o que não é comum no histórico dos grandes clubes do Brasil.

Mas não tenho dúvidas que é uma bela e emocionante história. Com seu altos e baixos, com muito orgulho, MUITAS vitórias: 4 brasileiros (5, se contarmos com a série B, hehe!), Libertadores, tantos cariocas e muito mais. Nossos eternos ídolos, como Roberto Dinamite e Juninho Pernambucano. E o mais bonito: a imensa torcida bem feliz e seu amor pelo clube. Só quem é vascaíno sabe o que é ser "bem feliz", esse amor, o orgulho de vestir essa camisa, tantos craques, tantos heróis. Os espetáculos no Maracanã e no Caldeirão, o peito estufado e gritando nosso amor por esse clube.

Por isso eu digo que é impossível descrever aqui esse sentimento, que não para nunca. E me limito a dizer mais uma vez: PARABÉNS VASCÃO, PARABÉNS TORCIDA VASCAÍNA. São 112 anos com muito para comemorar!

O SENTIMENTO NÃO PODE PARAR!

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