quinta-feira, 22 de julho de 2010

Não tem jeito - o Caso Bruno

Quem me conhece sabe o quanto esse caso me incomoda. Quando a confusão começou, eu ficava pensando como Michel Assef Filho dormia à noite, e aí entrou a história do conflito de interesses e ele saiu do caso. O novo advogado de Bruno, Sr. Ércio Quaresma, já defendeu outros animais, como o cara que executou sua ex-esposa (a cabeleireira que foi assassinada em seu salão e o crime foi gravado pelas câmeras de segurança do estabelecimento).

Esse eu nem me pergunto como faz pra encostar a cabeça no travesseiro sem ter pesadelos, porque, pelo tipo de caso que ele pega pra defender, aposto que palita os dentes com ossinhos de bebê.

Existe uma teoria que toda hora aparecia no House, que dizia que a explicação mais "simples" é geralmente a correta. O mais simples, nesse caso, é aceitar que Eliza está morta.

Em vez disso, diante do samba do crioulo doido que a polícia vem fazendo, e aproveitando o ensejo de que todo julgamento agora ocorre na mídia (o que facilita bastante a farofa), o advogado afirma que enquanto não aparecer corpo e não houver necrópsia, Eliza pode muito bem estar viva, escondida e rindo horrores da confusão que ela armou, pois sua única intenção seria desmoralizar Bruno e acabar com a sua vida.

Seguindo o sistema desses sites de notícia, façamos uma retrospectiva do caso que nos permita raciocinar conforme o Dr. Quaresma.

Eliza, gênio do mal, se aproxima de Bruno, jogador obviamente abestado do Flamengo, presa fácil e que adora uma suruba. Podemos supor que ela é torcedora doente de outro clube, portanto tem como meta básica destruir o Flamengo da pior forma possível.

Ela participa de uma orgia com o goleiro, coisa comum nesse meio, conforme ele mesmo declarou, e tem relações com ele, sem camisinha. Ela já sabia que estava em seu período fértil e, moça jovem que era, grandes chances de que gerariam um filho.

Eliza fica grávida e comunica Deus e o mundo. Finge que Bruno a ataca e diz que pode matá-la e dar sumiço em seu corpo sem que ninguém descubra. Evidentemente, ela já está plantando as circunstâncias de uma etapa bem mais avançada de seu plano, mas ela o faz com calma.

Presta queixa na delegacia, sabendo que a Lei Maria da Penha não se aplica ao seu breve romance do Bruno, o que garante que ela permaneceria sem proteção policial. Perfeito.

Ela fica em São Paulo com seu filho, supostamente filho de Bruno, calcula quando seria o melhor momento e decide contatar o jogador novamente, alegando que deseja pensão alimentícia para o bebê. Ela faz ligações estratégicas, para amigas, sua advogada etc., como quem deixa migalhas de pão para que depois a encontrem. Ou não a encontrem. Avisa que, caso algo aconteça com ela, todos sabem quem seria o responsável.

Eliza se encontra com Macarrão e o moleque, aproveita condição rara de sangramento nasal e espirra na janela do carro, deixando vestígios que se assemelhariam ao sangue que jorraria de uma cabeça após uma coronhada. Os dois ficam confusos e não entendem sua atitude, mas ela sabia bem o que estava fazendo.

Quando chega em Minas, Eliza diz a Macarrão que vai resolver uns negócios e volta depois para buscar o filho.

Por alguma razão, apesar de ela ter desaparecido misteriosamente, a ex-mulher de Bruno é procurada pra dar sumiço na criança, cuja mãe teria prometido voltar, o moleque diz pro tio que está sendo assombrado pelo fantasma da mulher que ninguém matou, o outro primo diz que Bruno confessou que o tormento teria acabado e Bruno não sabe o que está acontecendo e fica dizendo que a viu fazia uns 3 meses, está constrangido com essa confusão toda, um dia ainda vai rir disso tudo, mas a Copa de 2014 acabou pra ele e, depois de ver todas as evidências apontando para a morte de Eliza e o envolvimento de Macarrão nessa grande festa, não sabe mais como confiar no amigão de infância, que tem uma tatuagem estranhamente amorosa dedicada a ele nas costas. JUSTO NAS COSTAS. Ah, e isso tudo sobre uma mulher que ninguém viu, ninguém matou, ninguém falou, mas o sangue dela estava lá, no carro.

Alguém mais ficou confuso? Quer dizer, essa não pode ser a explicação mais simples. É mais difícil convencer que Eliza está só brincando de pique-esconde do que provar que ela está morta. Até porque, se ela estiver realmente se escondendo, que trabalheira miserável que essa menina teve pra destruir a vida do Bruno, ainda estou esperando alguém me contar que o que a gente nunca soube é que ela era apaixonada pelo goleiro quando ela era moleca e ele disse que ia encontrar com ela no parquinho da escola, mas, em vez disso, levou todos os amigos com ele e abaixou as calças dela no meio da galera. Ela nunca superou o acontecido e jurou vingança quando ela fosse mais velha e mais gostosa. RÁ, hein Eliza?!

A porcaria maior disso tudo é que o ônus da prova fica todinho pra quem acusa, ou seja, o advogado é quem está se divertindo pra cacete nessa história, o que volta e meia me leva a pensar que escolhi a profissão errada.

Enquanto a polícia corre atrás do próprio rabo, Dr. Quaresma pode muito bem estar dando linha pra eles se enforcarem. É só sugerir que os clientes (não entendo como não se caracteriza como conflito de interesses ele defender a quadrilha inteira, especialmente com todo mundo querendo botar no rabo do outro a culpa pela história toda) digam e desdigam as coisas.

Um dia você fala que o Bruno nem sabia, depois diz que ele acompanhou, aí fala que não viu o Bruno, depois fala que ele até apareceu, mas não viu a menina, aliás, que menina é essa? Eliza quem? Aí você diz que filmaram seu cliente sem saber, tira as delegadas do caso, e fala que o marido de uma delas bateu no outro cliente, embora o corpo de delito diga que, ó, isso nunca aconteceu. Diz que eles estão sendo torturados e pede pra não autorizarem a reconstituição do crime, aí desdiz alguma coisa de novo e volta a repetir. Ufa, que trabalheira!

Assim não há como criar coerência, a polícia paga de incompetente e o Bruno sai rindo lá da Vara da Infância e adolescência, como ele prometeu que faria.

E quando o moleque sai do tribunal lá, a multidão chama de fofoqueiro.

Se o Bruno sair ileso dessa, cheirando a rosas, não vou nem ficar chocada. É uma inversão de valores tão assustadora, que nem tem por onde começar.

Porque o menino é fofoqueiro e ela era garota de programa, atriz pornô, largada pela mãe, filha de pai estuprador e pedófilo, maria chuteira e sei lá mais o que. Assim, quem se importa com a morte dela mesmo?

Todos estão preocupados com o atleta que perdeu um futuro brilhante no futebol. E o Dr. Quaresma, grande estrategista, joga o nome dela na vala, aquela falsa dissimulada, gênia do crime, que planejou isso tudo pra ferir seu cliente. Não é ele que está rindo. É ela.

Aparece, Eliza. Só falta você pra essa festa começar. É isso Dr.?

Um comentário:

  1. Dr Quaresma está quase me convencendo que Eliza é um monstro! E a incompetência e, principalmente, a vontade de aparecer dos policiais envolvidos só favorecem o nobre defensor.
    Mas, pô, aparece aê, Eliza, sua malandrinha! ;)

    ps: Ótima análise, Nanda!

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