quarta-feira, 14 de julho de 2010

Acabou a Copa. E agora, Mengão?

Sinceramente, tem um tempinho que estou meio desiludida com esse negócio de futebol. Só que Camilla me intimou a comentar, então aqui estou, muito a contragosto.

Acabou a Copa e eu posso dizer que chorei mais com a eliminação de Gana do que com a eliminação do Brasil. Chorei também com a vitória da Espanha, mas bem mais por causa da emoção do Casillas do que por qualquer outra coisa. Tinha cá comigo que seria bonito uma seleção africana ganhar a primeira Copa na África, embora tenha noção de que isso era bem improvável, e Gana era a candidata mais forte.

Assim com Camilla, mamãe também gostou muito da escolha de Forlán como melhor da Copa. Não vi tantos jogos do Uruguai pra opinar, então só digo que fiquei feliz com as premiações dadas a Müller, o rapaz bonitinho que fez muita falta no dia em que a Alemanha foi eliminada. Joga direitinho o moleque.

E aí chegamos em um assunto, pelo menos no momento, pouco agradável: O Flamengo.

Quando Zico voltou pra casa, fiquei imensamente feliz. Quase explodi de emoção. Hoje estava vendo suas declarações sobre ser melhor ter um time correto do que um time campeão e me senti menos solitária nesse mundo. Sabe quando as pessoas debocham de você porque você prega um mundo melhor, em que os outros e preocupem em ser corretos e ter caráter? Pois isso acontece comigo. Tudo que ouço é que eu deveria me acostumar, porque é assim mesmo que as coisas funcionam, que eu tenho de me preocupar comigo e com o meu caráter e que cada um sabe do seu.

Só que no caso de um clube, especialmente do porte do Flamengo, não dá pra ser a Casa da Mãe Joana e deixar a galera fazer o que bem entender. E foi o que disse o Galinho. O que parece não entrar na cabeça dos jogadores é que, embora seja uma dinâmica mais divertida do que botar terno e gravata, sentar em uma mesa e ficar no computador o dia inteiro, jogar futebol é o trabalho deles. E para fazer jus aos salários milionários, não deveria ser suficiente mostrar serviço em campo e levar milhares de torcedores aos estádios, a comprar camisas e tudo o mais. Tem que respeitar a camisa até quando não a estiver vestindo.

Não teve o caso do idiota que foi demitido por avacalhar o time que sua empresa patrocinava, via Twitter, em um jogo contra o seu time de coração?

Acho que o maior trabalho de Zico, além de reorganizar o time, vai ser botar ordem na casa. Aquela galera já estava muito órfã, com todo mundo passando a mão na cabeça e invertendo as posições. O clube, a comissão técnica, todo mundo trabalhando para os jogadores, que tinham passe livre para fazer o que bem entendesse, quando bem entendessem, do jeito que desse na telha.

Daí temos das encrencas mais leves, as briguinhas em portas de boate, passando por briga de casal em favela, jogador confraternizando com bandido e culminando no escândalo do goleiro Bruno, suspeito de envolvimento com o desaparecimento e possível assassinato de Eliza Samúdio, sua ex-amante (entendam que digo suspeito por questões jurídicas, e não porque acredito nisso, ok?).

Não dá pra ser desse jeito. Achei um absurdo que Assef, advogado do clube, se envolvesse no caso, não importa que o goleiro fosse patrimônio do Flamengo ou não. Acho que o cordão umbilical deveria ter sido sumariamente cortado no momento em que a bosta foi parar no ventilador, mas eu sou drástica nessas horas.

Só que enquanto rolar proteção às palhaçadinhas de atleta, enquanto passarem a mão na cabeça de quem se comporta que nem marginal (é só ver que as fotos de Adriano com as armas só vazaram depois que o atacante foi pro Roma, mas a matéria já estava esquentando fazia tempo), o Flamengo terá em mãos uma bomba relógio, como se não bastasse a fama que o time tem de ser a escolha dos "mulambos", cortesia de todas as torcidas adversárias.

Bom, Camilla. Você queria minha opinião, é mais ou menos por aí. Embora me sinta muito incapaz de me expressar racionalmente quando o assunto é tão emocional quanto o desrespeito ao meu time de coração. Queria ver os jogadores vestindo a camisa de verdade, fora do gramado também, e não jogando o nome do clube na vala, como fazem o tempo inteiro.

E quem fizer, desculpa, mas tem que ser punido conforme o grau da infração. Sendo algo como faltar treino, que sejam multados por Patricia Amorim. Que fiquem de castigo, que entendam que são funcionários de uma empresa e devem respeitar as normas de conduta. Agora... Sendo algo como o caso do Bruno, cara, só cadeia resolve.

O que não dá é jogador de futebol achando que é super-herói e que nenhuma regra se aplica a ele. Aí tenho que concordar com o Zico. Era melhor nem ter levado a taça. =/

Ah, sim. Bom jogo pra todo mundo.

4 comentários:

  1. Ihu! Eu acho o seguinte: o clube tem que ter algum controle sobre o que acontece, de preferência antes que aconteça! Como por exemplo no caso do crack no Botafogo, alguém tinha que tá acompanhando o jogador, aconselhando... não deixando ele se afundar e nem levar o time junto. O mesmo se aplica em muito maiores proporções no caso do Flamengo. Já estava claro há muito tempo que esse goleiro é um marginal e descontrolado.
    O que acontece? esses caras podem ser milionários, mas eles tem que se tratados como criancinhas sem pai nem mãe (até porque muitas vezes eles de fato o são).

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  2. É bem por aí. O clube precisa ser tia da escolinha, senão a molecada desanda. Tem jeito não. Um bando de marmanjo que parece que está na creche. E ganha dinheiro demais pra ser retardado. Concordo que o Bruno era um trem desgovernado. Eu já queria ele fora do Flamengo tinha tempo, menos pela qualidade técnica do que pela eterna falta de respeito e caráter duvidoso. Mas teve que ser assim e eu só posso lamentar muito, pela família da menina, por todos que perderam com isso e pela imagem do meu clube, que pecou pela burrice extrema. Foram inocentes demais nessa história.

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