segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Finalmente campeões

Esse foi definitivamente um campeonato disputado, com o campeão saindo só na última rodada. Para os que acreditavam que ia ser fácil, já que a vitória do Inter na 37ª rodada deixava o Colorado à mercê de seu arquirrival, o Grêmio, que disputaria seu último jogo com o Flamengo, único time que dependia só dele mesmo para ser campeão.

O Inter fez a sua parte e goleou o Santo André. Mas ainda dependia do Rubro-Negro perder - ou empatar - para poder levar a taça do Brasileirão para o Sul.

A massa vermelha e preta dominou o Maracanã e estava pronta para desentalar da garganta um grito que havia sido ouvido pela última vez há 17 anos, quando o grande maestro Júnior ajudou a levar o Mengão à vitória.

Polêmicas eternas foram remexidas, em meio a discussões vencidas sobre grupos verdes e amarelos, o tradicional ódio ao time da Gávea, o descrédito a nossos jogadores, ao nosso técnico, à nossa torcida dita mulambenta. Dane-se, somos campeões. Melhor ainda, somos hexacampeões.

E se o Grêmio entregou, digo, com convicção, que o tricolor do Sul não sabe brincar. Sei que, assim como eu, muitos torcedores do Flamengo sentiram a angústia de ver o adversário abrir o placar em pleno Maracanã e pensaram "Ah, não. De novo, não.". Será que aquela Nação apaixonada seria mais uma vez humilhada em seu próprio terreno e veria mais um título escorrer pelas mãos?

Para quem esperava ver Adriano Imperar no Templo do futebol, ou ver Pet deixar sua marca em mais uma final (convenhamos, aquilo foi uma final!), foi dos pés de um jovem zagueiro que saiu a primeira faísca da bendita luz no fim do túnel que tanto queríamos enxergar. Enquanto o Imperador reclamava de um óbvio toque de mão do jogador do Grêmio, David viu uma chance que não poderia ser desperdiçada e, ainda bem, chutou a bola pro gol.

O empate ainda era pouco, mas não dava pra conter os palavrões, os gritos, o nervoso. Era um começo. Mas ainda tinha muito jogo pela frente. Sentei no sofá e chorei pedindo por um segundo gol.

Foram muitas oportunidades perdidas, Adriano foi o responsável por perder inúmeras delas (quase fazendo meu coração parar) e o bendito goleiro do lado de lá parecia determinado a não permitir que ele deixasse sua marca naquela partida.

Os minutos se passavam e a coisa só piorava. Não só o Inter goleava o Santo André, mas o São Paulo fazia o mesmo com o Sport(bem feito) e o Flamengo via a liderança ser substituída por um nojento terceiro lugar. E o peito seguia apertado.

E o que começou com um zagueiro teria de terminar com outro, pura licença poética, só pode ser. Pet, o nosso maestro da vez, bateu mais um escanteio espetacular e encontrou, no meio do caminho, a cabeça de Ronaldo Angelim, que desviou a bola, finalmente, para dentro do gol.

Seria por causa de um Ronaldo, afinal, que a taça iria pra Gávea. Um Ronaldo genuinamente flamenguista.

Foi como disse Andrade. Adriano não estava em um bom dia. Pet também não mostrou o seu desempenho de sempre. No fim das contas, foi o grupo que fez a diferença. O mesmo grupo que foi diversas vezes questionado, criticado, questionado.

Quando nós perdemos uma sequência de jogos por goleada, no primeiro turno do Brasileirão, as estatísticas a favor do Flamengo eram ridículas. Chegar ao G4 era uma improbabilidade, sonhar com o título, então, só podia ser piada. Nem eu acreditava. Só não achei que fôssemos entrar na briga para não cair, comos muitos previram.

A conquista foi uma surpresa, até agora acho que a ficha não caiu.

O domingo foi lindo. Não choveu durante a rodada. O Flu e o Botafogo fizeram a sua parte e ficaram na primeira divisão, como era para ser. O Vasco está de volta.

E o Mengão, ah, o Mengão... Finalmente, depois de 17 anos, o Mengão é, mais uma vez, campeão.

Pode comemorar, Nação Rubro-Negra, a vitória desse grupo espetacular. Pode comemorar esse hexacampeonato.

Eu não tenho mais voz para gritar.

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