quinta-feira, 6 de novembro de 2014

A saideira, por favor, e a conta!

Esse é um daqueles textos que só pode ser escrito no dia seguinte.

Até porque você precisa ter certeza de que não morreu.

Dessa vez, pelo menos.

Ontem o Flamengo foi eliminado pelo Galo. Apesar de ter aberto o placar com um gol de Everton (lindo, por sinal), o Atlético-MG conseguiu os 4 gols que precisava pra virar a vantagem que o Fla abriu no jogo de ida no Maracanã.

Não foi a primeira virada improvável do time de Minas Gerais. Provavelmente não será a última, os caras vivem uma boa fase.

E pra conta de quem vai essa derrota?

Do Luxa, claro. Afinal, ele é o comandante, certo?

Sim, obviamente. Como todo bom técnico, ele deve assumir a responsabilidade de ter botado em campo Luiz Antônio, Elton e (credo) Mattheus. Mas, convenhamos, quais eram as opções do Pofeshô? Poucas alterações teriam conseguido alcançar resultados menos trágicos diante das circunstâncias.

Estávamos na casa deles (e nem vou entrar no mérito de catimba, porque eu acho que foi futebol mesmo que fez diferença).

Beleza, então essa vai pra conta do Luxemburgo. Mas vai pra conta dele também ter pegado um grupo que foi descartado por Mano Menezes como se fosse uma turma inapta do jardim de infância (eles não entendiam o que ele dizia), que entrou em campo com Ney Franco como se não soubesse amarrar os próprios cadarços, e ter dado personalidade.

Foi com ele que esse grupo embalou e saiu da confusão.

Mais que isso, foi com ele que esse grupo aprendeu a entender suas fraquezas e a explorar suas forças.

Foi ele que assumiu Paulo Victor e botou Everton em seu melhor momento. Quem apostou em Anderson Pico. E se livrou de tantos outros trastes que assombravam o time, seja no grupo titular ou no banco.

A conta de ontem pode ir pra ele. Mas sejamos justos. Ele comanda o time, mas não é ele que afunda o clube.

Ontem caímos, mas caímos atirando.

Afinal, vocês sabem: pra morrer você só precisa estar vivo.

E se estamos vivos hoje, com esse time, é por causa dele.

Bota essa na conta dele também (e vamo, Flamengo!)

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Perigo previsto

"A ameaça mais séria ao futebol brasileiro, para mim, não está no resultado fortuito da Copa e sim na falsa compreensão que está presidindo as planificações das competições, baseando-se somente nas verbas extras. Nas verbas da loteria ou nas da transmissão ao vivo pelas televisões. A principal, a da arrecadação das entradas de público ao estádio, nem entra mais em cogitação. E, paradoxalmente, estão construindo estádio imensos que, a seguirmos assim, servirão apenas para jogos da Seleção Brasileira.

Prestem bem atenção. Nossos estádios estão ridiculamente vazios. Nossos homens estão enganados. Tristemente enganados. Não estão percebendo a continuidade do péssimo negócio que estão fazendo.

(...)


o perigo maior é o de ser criado um público diferente. Um público telespectador. Pois é, cada dia estão vendendo mais coisas para ajudar o futebol e cada dia menos gente nos estádios e mais clubes pobres. Cuidado."

João Saldanha, 7/6/1982

Há mais de trinta anos ele já alertava para o perigo dos clubes pobres e estádios vazios. O perigo de depender das cotas da TV (antecipadamente gastas por todo dirigente, que não se preocupa com a saúde financeira do clube no longo prazo em função do tamanho do mandato e a impunidade por sua irresponsabilidade), demonstrando a falta de sustentabilidade do modelo de gestão no nosso futebol. Quem está chocado com a atual situação do nosso clube é porque não observa o que vem acontecendo de maneira generalizada no futebol brasileiro há anos.

O passado nós conhecemos. E o futuro?

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Isso não é uma carta aberta

Tinha tempo que eu não vinha aqui. Desde a Copa, quando parei um pouquinho pra escrever sobre o 7x1. Antes disso, um tantão mais.

A verdade é que eu não sabia o que me incomodava mais: o desempenho do Fla, o futebol como um todo ou os especialistas, que brotam por aí mais que fungo naquela comida que você esquece na geladeira.

Só sei que faltava tesão pra abrir essa janelinha branca e escrever.

Daí veio Luxemburgo.

Não, eu não apoiei sua contratação. E, desculpa, ninguém pode me julgar.

Que atire a primeira pedra quem achou, de cara, que isso ia dar certo.

Mas deu.

Ele chegou no Fla com um discurso de sair da confusão e conseguiu, mais que unir o grupo, entender o que cada jogador do elenco tinha de melhor e fazer com que um time até então visto como uma bela porcaria, individual e coletivamente, mostrar serviço em campo.

Muito serviço.

Depois de se livrar de Elano, André Santos e Felipe, o Flamengo ganhou outra cara.

E eu nem estou falando só de resultado e desempenho, mas de carisma mesmo.

Dia desses eu comentei que eu gosto desse grupo. Gosto de verdade. Cheguei naquele ponto em que eu me imagino sentada com eles numa mesa de bar, tomando uma cerveja e jogando conversa fora.

É diferente torcer por um time que você gosta.

Porque o clube você ama, não importa quem o represente naquele momento, esse amor não passa.

Eu poderia voltar aqui hoje pra dizer que a arbitragem ontem foi mais patética do que qualquer "bandeirinha gostosa" pode ter sido na vida.

Não porque prejudicou o resultado de um jogo, mas porque conseguiu deixar um rastro que vai afetar o próximo jogo também, ao garantir que Alecsandro e Cáceres não possam estar na partida contra o Bahia.

Também não vou comentar sobre os dois pênaltis marcados a favor do São Paulo, isso deve ser assunto de 15 em cada 7 programas esportivos até a próxima rodada.

Realmente, tudo que eu queria dizer aqui era que eu estava com saudade de gostar de vocês jogadores (sim, Everton, eu estou incluindo você. você não, Arthur. nem você, Luiz Antônio.).

Bora marcas um bar dia desses.

E vamo, Flamengo. Até morrer.

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segunda-feira, 28 de julho de 2014

Impossível...

Convidada pela família de meu marido urubu para assistir o jogo na casa de um muy amigo, só pensava que preferia estar assistindo um filme qualquer ou tirando uma sonequinha.

A atual situação não inspira a menor vontade de ver esse time jogar, que dirá perder.

Para quem não leu, já em 2012 eu alertei para o risco da dívida da tão elogiada "gestão profissional" do nosso dentista. Antes disso, em 2011, alertei que a vitória de MA com ampla maioria preocupantemente poderia indicar que os sócios e torcedores em geral estavam satisfeitos com essa administração e no mesmo ano, neste post aqui expus algumas contradições no trabalho da diretoria, pois muito me incomodava como radialistas e jornalistas defendiam o presidente como uma exceção em meio à bandidagem cartola. Se fizeram coisas boas e louváveis, isso não apaga os erros.

Outros posts abordam o mesmo assunto, é só procurar nos marcadores por "gestão".

O caso aqui é que desde a inutilização do Engenhão e a consequente perda de receitas minhas ressalvas quanto ao dentista só vem aumentando. O fato dele não se envolver ou brigar por compensações deixou bem claro que não se tratava apenas de incompetência, mas sim rabo-preso. Isso porque, segundo noticiado, integra o partido (?) que em último caso é o grande responsável pelas licitações e, consequentemente, obras e seus problemas.

Mais um motivo para desconfiar desse desastre em forma de cartola, é o fato dele ter abandonado sua prática profissional para assumir um cargo não-remunerado (não que seja contra pagar salários para os dirigentes). Está vivendo de que? A não ser que eu esteja mal informada e agora ele receba salário para afundar nosso time e nosso clube em dívidas.

Neste cenário lemos notícias sobre possíveis contratações... nem sei o que pensar. Até mesmo a faixa estendida pelos jogadores não me diz nada. Estou como anestesiada pela tragédia que se abate sobre o glorioso com seu time mais ou menos e seu back-office do mal.

E não somos os únicos. O que me interessa é o Botafogo, mas se acham que a atual situação do futebol brasileiro, sua cartolagem, seus desmandos e afins, nada tem a ver com os sete gols que tomamos da Alemanha na Copa... prestem um pouco mais de atenção. E é por isso que a contratação de Dunga, numa clara manifestação de poder dos dinossauros da CBF, junto com a periclitante situação alvinegra, me levam a um pessimismo e desânimo tremendos.

O jogo? Mal olhei. Preguiça de ver passes errados e afins. Só sei que perdemos em campo e fora dele.

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Torcedores do mundo, uni-vos!

Galera, estamos recebendo fotos de torcedores na Copa para publicar no verdadeiro álbum da Copa, o nosso!

Seja no estádio, em casa, na rua, com camisa do clube do coração, da seleção, ou com aquela fantasia esperta, mande sua foto para futebolsaltoalto@gmail.com OU publique com a hashtag #LulusNaCopa

Aproveita e curte nossa fanpage no Facebook pra ficar por dentro de tudo que rola por aqui!

Se quiser também publicar seu relato sobre algum jogo que tenha assistido nos estádios, nos envie que avaliaremos e se gostarmos podemos publicar!

E tem promoção... valendo o novo livro da Lulu vascaína, que sai semana que vem!

No post de amanhã explicaremos bem. Por enquanto, pensem nos palpites para os dois últimos jogos... ele vale um livro! =)

A (irritante) lição dos hermanos

Meus quase oito anos morando na Argentina incluíram duas Copas do Mundo, 2006 na Alemanha e 2010 na África do Sul. Nas duas vezes eu lembro que era bem irritante a segurança dos argentinos de que eles iriam muito longe, de que tinham Messi e a melhor seleção de todas, de que forças do Universo já mostravam que era óbvio que seriam campeões. Parecia que eles tinham um futebol fantástico há décadas, quando na verdade não ganhavam nada desde 1993 (o que continua valendo). A própria seleção argentina parecia entrar em campo certa que só precisava de duas coisas para vencer: a camisa bicampeã e Messi. E os vi serem desclassificados sentindo muita dor e decepção as duas vezes, como se fosse uma grande injustiça dos deuses do futebol.

Agora estamos em 2014. A seleção brasileira começou a Copa sob muitas críticas. De fato, tudo era criticado naquele momento, qualquer coisa que envolvesse a Copa. Mas a seleção me passava a sensação de achar que estava predestinada, que não tinha como não ser campeã. Confesso que eu entrei nesse clima. E até tratei os adversários com desdém. Temos Neymar, temos a sede... temos a camisa pentacampeã. Parecia que eu vivia o drama argentino, mas agora na minha seleção.

Enquanto isso, os hermanos entraram num estilo mineiro, surpreendentemente: não eram tão favoritos, não tinham tanto salto alto, e estavam mais quietos, deixando grandes nomes do futebol mundial se exibirem enquanto passavam quase despercebidos. E um ponto fundamental: não queriam mais saber de dar show em campo, de mostrar os grandes jogadores que estão ali. Queriam avançar na competição. E focaram nisso.

O que eu vi ontem em campo no jogo contra a Holanda foi uma lição do futebol hermano: entendam seus limites, assumam e joguem com o que podem, não o que gostariam de ser. Bem direta: eles ontem jogaram o que conseguem ser, e não mais o que acham que são. E olha, isso falando de argentinos... quanta terapia! 

Claro que todos queriam ser a seleção de 70 tricampeã, levantando a taça com um futebol de embelezar os olhos. Mas acho que é preciso reconhecer o que podemos fazer. Mesmo a seleção de 70 não chegou lá por milagre: foi feita uma preparação técnica intensa, teve o "Planejamento México", não foi o milagre do sangue brasileiro e a camisa canarinho. Foi esforço e trabalho. Copa do Mundo é estratégia, também. A Argentina ficou na retranca? Sim, mas eles souberam usar as armas que tinham. Sabiam que era a opção para atingir um objetivo.

E outro ponto: a união do grupo. Nem acho que exista inimizade no elenco brasileiro, nada disso. Mas ainda não construímos aquela união, falta o líder, falta uma cumplicidade. E temos um técnico de um autoritarismo (o cara que diz que Pinochet é seu ídolo...) e uma arrogância que não só irritam, mas assustam. A coletiva de ontem com o Parreira foi para terminar a lambança que vimos em campo. Incapazes de assumir que houve erro. Afinal, super natural um 7X1 na semifinal, acontece toda Copa! 

E ainda fiquei impressionada com a quantidade de pessoas de países da América Latina (Equador, Panamá, Colômbia, Paraguai e outros) torcendo CONTRA o Brasil. Sim, achamos que todos nos adoram... já foi essa época. Hoje, nossa seleção passa exatamente isso para os demais: arrogância. Estrelismo. E acabou o tal "jogo bonito".

Quem diria que nós brasileiros iríamos ter uma lição de humildade logo dos argentinos. Agora é aguentar a zoação, que, convenhamos, é merecida. Se eu zoei sem limites em 2010, nem imagino a alegria que eles sentem agora. 



quarta-feira, 9 de julho de 2014

O dia depois

Qualquer um que me conheça ou me siga no Twitter já sabia que eu nunca apostei no time do Felipão. Antes mesmo de começar a Copa, eu achava que esse grupo tinha potencial pra ter sido eliminado nas oitavas.

De verdade, acho que a torcida fez diferença sim.

O Brasil poderia ter sido eliminado pelo Chile, poderia ter ficado na Colômbia, mas passou.

Passou sem convencer em campo, diga-se de passagem.

A saída do Neymar transformou toda a cobertura da Copa em um verdadeiro velório e a discussão que um dia havia sido sobre o emocional abalado da seleção abriu espaço pro "mas e agora?".

E eu acho que essa discussão jamais teria ganhado todo esse peso se o esquema tático do Felipão não tivesse se construído em cima do "dá no Neymar que ele resolve". O time sempre jogou por ele e pra ele, isso ficava claro até mesmo nas coletivas quando Scolari comentava que o time queria vê-lo jogar e ser feliz em campo, ou quando ele defendia as performances com "o Neymar não pode jogar sozinho".

A imprensa e a mídia perderem cada segundo disponível pra discutir a perda do camisa 10 era absolutamente compreensível.

A seleção ficar na mesma é que não dava pra aceitar.

De repente valeria ter visto mais jogo dos adversários do que as mesas redondas, ter feito mais treino tático e menos gracinha pra imprensa, ter fechado as portas pra treinar e ignorar que os jornalistas precisavam de pauta.

Mas eu não sou da comissão técnica, né? Então o que eu sei?

A questão é que Copa do Mundo é sobre futebol e a Alemanha sabe disso.

E dá pra ver isso em campo.

Enquanto a galera perdia tempo achando Löw nojento por comer meleca, ele fazia o seu trabalho com seu time e não desviava a atenção nem mesmo quando a imprensa começava a noticiar que "olha, de repente os caras já treinaram demais, estão dando pinta de exaustão".

Ele testou diversas formações ao longo da Copa e, mesmo que tenha passado alguns perrengues, não dava pra questionar a superioridade alemã.

Não de verdade.

Mas a gente torce com o coração, né?

Pois parece que é ele que vem fazendo as análises táticas também.

E não adianta falar mal do Brasil só depois da derrota se até o último momento antes do jogo você afirmava que a escalação do Felipão tinha condições de vencer a Alemanha.

Nem com Neymar, nem com Thiago Silva eles teriam conseguido passar pra final.

Até porque a questão não era desse jogador ou do outro, como tanto se discutia, mas como o grupo funcionava junto.

O que não funcionava, porque não tinha grupo.

Existia, sim, um monte de caras entrando com as mãos nos ombros uns dos outros, cantando o hino bem alto e falando em entrevistas sobre um grupo forte.

Mas não é isso que faz um grupo.

Estar disposto a abrir mão do holofote pelo bem do resultado, isso faz um grupo.

A discussão maior que esse resultado levanta foi descartada ontem veementemente por Felipão: Precisa mexer no futebol brasileiro?

Sim, precisa.

O único jogador representando o nosso PIB futebolístico em campo era Fred e eu acho que nem preciso tecer qualquer comentário sobre o dito camisa 9.

Todos os outros titulares jogam fora daqui.

Quando se fala em mexer no futebol brasileiro, não se está falando da seleção, mas da base que virá a constituir essa seleção no futuro.

E o Brasil não dá o devido valor à sua base. Aliás, se tem uma coisa que sabemos fazer MUITO bem, é queimar a base.

Subimos os jogadores cedo demais, vendemos os jogadores cedo demais, não temos a menor noção do que é um planejamento a longo prazo.

Nossa própria cultura de torcida incentiva isso. Somos todos um bando de ansiosos, só queremos vitórias e títulos a qualquer custo.

Somos um país em que os fins justificam os meios, por isso aceitamos de bom grado um futebol feio que traga resultados imediatos.

Por isso demitimos técnicos em momentos cruciais de campeonatos e fazemos protestos violentos contra diretorias que afirmam "temos um plano" (que não seja pra ontem).

Por isso somos facilmente conquistados por qualquer jogador que chegue como solução mágica pra todos os nossos problemas, mesmo que sua contratação custe a falência do clube (COMO ASSIM O DINHEIRO DO CLUBE NÃO É INFINITO MEU DEUS?)

E é por isso também que somos tão instáveis emocionalmente e damos chiliques por conta de substituição deste ou daquele jogador. (e agredimos os adversários por comemorarem gols, vejam só que vergonha.)

Quem decide o que fazer com o time é o técnico. E ele deve ter liberdade pra fazer isso. Um bom técnico deve conhecer bem seu elenco e saber que ele tem a sua disposição mais do que um cara só, ao redor de quem todo o resto orbita. Mais que isso, que ele tem várias peças que podem ser combinadas conforme o jogo, conforme o adversário.

Mas nós lidamos com futebol como se fossem 11 vigas em campo e alguns parafusos pra ajustar o esquema, mas só quando necessário.

Apesar de todas as piadas ao longo da competição sobre isso ter virado uma Copa América, as duas seleções que deram exemplo de planejamento e de grupo foram as duas européias que sobraram ppras semifinais.

E se isso prevalecer, a Holanda sairá do jogo de hoje como a segunda finalista, deixando a Argentina pra disputar a tão esperada partida contra o Brasil.

Só que futebol tem dessas coisas loucas, né? Só termina quando o juiz apita, justiça é bola na rede, tem que combinar com os beques, tal e pá.

Então vamos esperar.

Enquanto isso, vale pensar que, mais que uma humilhação, o placar de ontem serviu pra dar um choque de realidade no nosso futebol.

Do jeito que está, não dá pra ficar.

Precisamos mudar.

Pelo bem de todos.

E para a felicidade geral da nação.

Peninha?

Após o jogo, muitas mensagens do facebook expressando PENA do jogador David Luiz muito me impressionaram. Ei aqui, porque não tenho pena nenhuma, mesmo achando que ele é fofo.

David Luiz me ganhou na final da Copa das Confederações, onde vencemos a temida Espanha com propriedade. O lance, todos se lembram, foi aquele em que ele tirou quase de dentro do gol, uma bola que resultaria em gol do adversário. Ele estava no lugar certo, teve a atitude certa, jogou certo e mostrou presença e garra. Virou nosso herói, pelo menos meu, mais do que aqueles que fizeram gols na partida.

Bem no início do jogo de ontem, quando ainda não poderíamos sequer imaginar o tamanho do massacre, a presença do novo capitão longe da nossa área (esteve frequentemente no ataque) me surpreendia. Ok, ele pode até fazer um gol, mas precisamos de alguém lá na cozinha guardando nosso gol. Não sei porque cargas dágua, o cara não parecia muito interessado em marcar, correndo atrás da bola em vez de focar no adversário e sua movimentação. Resultado: estava sempre atrasado. Ou, ao contrário, daquela partida no Maracanã, estava no lugar errado, na hora errada, fazendo a jogada (?) errada.

No site bleacher report, encontrei o mapa de calor do cabeludo:
É assim que se toma 7 gols, obrigada por ilustrar. No mesmo site, podemos comparar com o mapa de Thiago Silva no jogo contra a Colombia:
Você pode até argumentar que eles não jogam na mesma posição. Ok. Concordo, mas, peraí, cara, estamos tomando gols, que tal você defender um pouco? Nãaaoo, vou correr por aí!

Mas em se tratando de mapa de calor, o melhor mesmo foi esse aqui, que resume a partida:




Mas voltando ao assunto principal, eis mais um motivo para pensar na realidade em vez do conto-de-fadas em que o muso sarará queria dar alegria para seu (?) povo tão sofrido:
Atrás apenas de Neymar(keting) e a frente do "técnico" Felipão, o zagueiro faturou com a Copa do Mundo 9 contratos com marcas. Entre refrigerantes, companhia aérea, lâminas de barbear, seguros e por aí vai, o cabeludo faturou, estima-se, cerca de dez milhões de reais (estimativa da Placar em janeiro de 2014).

A simpatia do rapaz o levou às graças da torcida e rendeu muitos milhões em sua conta. Se queria dar alegria para alguém, deveria ter jogado de outra maneira. Mas, fica a sugestão, você pode pegar um pouco desse dinheiro e fazer uma escola para algumas das crianças que ontem choraram juntinho com você.

E você que está aí com pena do nosso jogador mais simpático, vai trabalhar!



Não deu...

Antes desse jogo dizia que "tudo pode acontecer". Certamente não era esse sacode que eu estava esperando...

Essa era minha maneira de ser otimista. Nosso time tá bagunçado, não é bom, erra muitos passes, vamos estar desfalcados, o adversário é superior. Porém, em futebol, tudo pode acontecer e nem sempre o melhor ganha. E eu realmente acreditava que tudo poderia acontecer. Mas não isso que aconteceu...

Foi um pesadelo. O time parecia anestesiado enquanto assistia a Alemanha jogar FÁCIL, sem tomar conhecimento da escrete canarinho. A torcida? Logo começou a vaiar, claro. Mas não teria torcida que salvasse esse jogo. Infelizmente, não dá pra dar Restart. Não dá pra voltar atrás e reescalar a seleção, Scolari. Não dá pra voltar no tempo e treinar os jogadores. Não dá pra se preocupar mais com seu trabalho do que com sua conta bancária.

Alô CBF! E agora? Enquanto a seleção brasileira é a que mais fatura com publicidade (curiosamente, a vice neste ranking é a Alemanha), o mundo ri da nossa cara. Mas vocês, dirigentes, devem estar rindo também. O brasileirão jogado às traças, só assistimos por paixão pelos nossos clubes que cambaleiam para se manter de pé, enquanto os jogadores fogem para Rússia, Japão, Emirados, pqp...pra fazer dinheiro (planejamento de carreira, acho super válido) e talvez jogar pela seleção. Sua menina dos olhos, a seleção, mostrou que também precisava de planejamento. Nem todo aquele dinheiro, mais de 100 milhões só para estampar os uniformes de treino, compra alma e futebol pra nossa escrete. Não basta estampar marcas ali... tem que trabalhar um pouquinho também.

Disse Juca Kfouri que o maior feito dessa copa foi desmascarar a Fifa, inclusive com prisões por causa de esquema de cambismo de ingresso. Será que vamos olhar também pra CBF?

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Vamos ajudar o Brasil!

Além da arbitragem, da primazia dos goleiros e de algumas outras cositas más, a torcida brasileira e a falta de cânticos motivadores tem sido um dos assuntos mais citados nessa Copa.

Sem Neymar e Tiago Silva, o décimo segundo jogador, na ausência de um craque, precisa entrar em campo.

Então esse é um post para dar idéias aos sortudos que conseguiram comprar ou ganhar ingressos para o próximo jogo. Afinal, a elite branca ainda pode aprender a torcer e jogar na cara da pobrada toda que não precisa deles pra nada (notem a ironia antes de me bater).

Em primeiro lugar, POR FAVOR, parem com aquela musiquinha nonsense e baixo astral do orgulho e amor...


Hino também, só na hora devida, tá?

Agora vamos às sugestões:

Um clássico:
Lê-leleô
leleô leleô leleô
Brasil!

Uma sugestão que pode vingar: Cantar a música de Ary Barroso, Sandália de Prata, mas só o comecinho senão a galera vai desafinar muito:

 Feliiiiz!

Vaiar o hino alheio não é legal. Mandar o adversário praquele lugar, ou tomar em algum outro lugar: Pode! Se você conseguir encaixar e falar direitinho Schweinsteiger, Mueller, Ozil, Nóia... perfeito!

Tem outra inspirada pelos poetas do axé que é perfeita:
Arerê
Alemanha veio aqui pra se fudêêê
(pode trocar Alemanha pelos nomes dos jogadores também)

Músicas para cada jogador:

*Pode até ser que o Fred não pegue ninguém, mas vamos cantar a musiquinha dele: "O Fred vai te pegar". Pra quem não sabe o ritmo, confira aqui.

*Hulck: só repetir o nome dele seguidamente, imitando um latido. Livremente inspirado na torcida gloriosa.

*Dar uma moral pro Neymar. Mesmo vendo em casa pela TV, o jogador vai curtir a homenagem e o time vai jogar também aquele extra por ele. Pode ser só repetir o nome do jogador seguidamente ou... idéias? Coloquem nos comentários!

*David Luiz: certamente um dos que mais merece ser reverenciado e acho que a musiquinha de estádio que mais encaixa com seu nome é
Uh  David Luiz
uh uh David Luiz

Aproveita e dá uma olhada nesse tumblr pra se inspirar.

* Fulano é foda. obs: troquem o fulano por algum nome de jogador. Ele nem precisa ser suuuper foda! A idéia é apoiar.

Bem, vocês entenderam, né? Recheiem de "uhs", "ahs", "és", "não é mole não"e sejam felizes! Vamos deixar os alemães intimidados e a escrete canarinho cheia de gás!

Ajudem com sugestões e espalhem a idéia!





sexta-feira, 4 de julho de 2014

Sobre as oitavas

Cometários rápidos sobre as oitavas, para não passar em branco.

No final, de forma geral, a tradição das grandes seleções prevaleceu. No sufoco para quase todas, mas prevaleceu. Uma coisa achei clara vendo os jogos: a diferença entre uma boa seleção e jogadores "com vontade". Jogadas de mestre, daquelas que fazem toda a diferença, vieram de grandes seleções.

E essa vai ser a Copa dos goleiros... e das traves! Brasil e Argentina respiram aliviados pelas traves cumprirem seu papel. Por sua vez, os goleiros foram a sensação dessa etapa. Se não fosse por eles (ajudados, em muitos casos, pela falta de categoria de alguns jogadores), teríamos goleadas, e não tanta prorrogação.

Agora, que venham as quartas. Meu palpite?

França
Brasil
Argentina
Holanda

Sim, confesso, palpite misturado com torcida. Mas seria bem interessante ver esses quatro nas semifinais. Holanda precisa ganhar uma Copa (não é possível isso!), e vai  com tudo. Argentina também, já se passaram quase 30 anos e tá na hora de mudar aquela música vergonha alheia que fala da Copa de 90 (gente, quem ficou traumatizado com aquilo? É preciso esclarecer aos hermanos que nenhum brasileiro se importa com a desclassificação de 90...). França tá na farra, e agora se empolgou e quer o caneco. E nós... nem preciso falar. Perder em casa, de novo, vai ser complicado demais.

Mas já estou me adiantando demais na análise. Pode ser completamente diferente. Domingo volto e vemos se eu ganharia o bolão!

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Suárez: a metáfora do futebol contemporâneo




Todos nós sabemos que não existe isso de alguém 100% bom ou 100% ruim. E mais: sabemos também que vivemos em um mundo em que criar personagens baseados em esteriótipos é importante, pelo simples motivo de que isso vende. Vende jornal, dá audiência e vende espaço publicitário, vende produtos numa febre de marketing com pessoas que, se passassem ao nosso lado sem serem famosas, sequer perceberíamos que existem. O mundo é cruel e cínico nesse sentido. E não seria diferente com o futebol.

Não pretendo de maneira alguma justificar a atitude de Luis Suárez, o "mordedor" uruguaio. Errou, feio, e deveria sim, ser punido. Mas ele é realmente o monstro que estão propagando? Luis Suárez é só isso, um atleta violento e desequilibrado que morde adversários?

Considero que a punição foi dura demais. Juninho Pernambucano também, e usa um argumento que concordo: se a Copa do Mundo tem no máximo 7 jogos para cada seleção, é justo que ele seja suspenso por 9 jogos? Sem nem comentar o absurdo de ser banido por 4 meses dos eventos futebolísticos. Não poder ver os jogos do estádio, continuar com o grupo no hotel. Já vi coisas muito piores no futebol, e nem de longe uma punição como essa. Os casos de racismo que vemos se repetir constantemente não tem um terço desse peso na hora da punição. E olha que nem mesmo o próprio Suárez, que também já foi acusado de racismo, foi punido assim.

Argumentam que ele é reincidente. Sim, ele é. Mas até quando será punido por erros que já pagou? Me desculpem, me chamem de coração mole, mas eu acho que existe, sim, uma perseguição à imagem do Suárez. Ele é aquele jogador que não consegue se enquadrar nos padrões FIFA. E nem acho que seja por uma causa, por um objetivo de se rebelar contra o sistema nojento da entidade. Acho que ele realmente não consegue seguir as regras do jogo, mas sem um objetivo político por trás. Ele é desequilibrado, mas não é o único. Temos vários casos na história deste esporte, alguns que realmente quiseram enfrentar o sistema, outros que, como Suárez, apenas não podiam fazer parte dele.

E não é de hoje que Suárez é sinônimo de polêmica. Neste post eu lembro aquele grande jogo (para mim, um dos melhores de todas as Copas) contra Gana em 2010 em que ele enfiou a mão na bola e foi expulso. Suárez é emoção ao extremo, paixão desequilibrada. Mas não é um monstro. Já fiz também um post sobre o Neymar, que já foi considerado um bad boy, mas que acabou sendo "amansado". E hoje é quase o exemplo de bom moço, namorando a estrelinha da novela das 8 e tudo. Seu passado polêmico foi esquecido e ele é o bom garoto do futebol brasileiro. E garantiu o contrato com o Barcelona.

Suárez também deve fechar com o Barcelona. Mas, como fazer com essa imagem tão negativa do uruguaio? Afinal, sabemos que o clube catalão está interessado não só no futebol de seus craques, mas no que eles geram com sua imagem. Sim, o Barcelona também é um clube interessado, e muito, no lucro. Apesar do mito criado ao seu redor nos últimos anos, está tão inserido (e interessado) nesse futebol neoliberal como seus rivais. E precisa que Suárez se controle. E o "vampiro uruguaio" teve que pedir desculpas:




A resposta do italiano foi clara: "desculpado, isso é coisa do jogo. Espero que a FIFA diminua sua pena". Pois é. De uma maneira geral, atletas acham que houve exagero por parte da Instituição máxima do futebol mundial. Que julga de acordo com o humor que acordou naquele dia, com o réu que tem à sua frente e com outros critérios que a responsabilidade jurídica (sempre ela) não me permite escrever aqui.

Mas a atitude não repercutiu apenas na imagem do atleta e no seu provável novo clube. O que muitos não imaginavam era o impacto que teria a punição na seleção uruguaia e no próprio país. Até o presidente Mujica, tão popular no Brasil, se manifestou: foi esperar Suárez no aeroporto em Montevidéu (mas voltou para casa pelo atraso) e ainda deu uma entrevista polêmica ofendendo os membros da FIFA. O caso acabou se tornando uma questão nacional para os uruguaios. Páginas de apoio em redes sociais, vaquinha para pagar a multa, declarações polêmicas dos jogadores. E um clima muito tenso entre os torcedores que estavam no Maracanã e no Rio de Janeiro. No final, não deu em nada: a Colômbia não se abalou e, superior, mandou os uruguaios revoltados para casa. Foi um final melancólico para uma seleção que parecia que tinha encontrado seu rumo na Copa, apesar daquela derrota inicial para a Costa Rica. 

E Suárez foi do purgatório (sem saber sequer se ia jogar) ao céu (arrasando com os ingleses e chorando como criança em um jogo da fase de grupos) e depois ao inferno (com a repercussão e punição da mordida). Suárez se torna, mais uma vez, um dos principais nomes da Copa. E, novamente, não vamos ser ingênuos: isso vende, e muito. A imagem do Suárez em um cartaz na praia de Copacabana rodou o mundo, divulgando muito mais a marca do que o patrocinador imaginava. Para aqueles que só pensam no lucro que o marketing do futebol gera, Suárez podia continuar mordendo, de preferência em grandes eventos como uma Copa do Mundo. O que importa é divulgar, é que no final o saldo da conta seja positivo. Discutir ética, jogadores problemáticos e essas coisas, para quê? 

Acho que esse caso do Suárez é um "presente" para quem gosta de analisar e debater futebol desde uma perspectiva sociológica e política. Afinal, temos aí vários elementos de debate, como procurei apresentar. E, de certa forma, temos também essa contradição entre um futebol cada vez mais globalizado, com torcedores de clubes e seleções de países que sequer tem alguma relação pessoal (por exemplo, torcedores panamenhos pelo Barcelona, sem nunca terem visto ao vivo o clube em ação, ou brasileiros torcendo mais pela Holanda que pelo Brasil, dois casos que convivo), e de outro lado o nacionalismo que transborda em momentos como o da punição de Suárez e a reação de seus conterrâneos que consideraram uma questão patriótica defendê-lo. Alguns amigos uruguaios disseram sem cerimônia: "não é questão de certo ou errado o que ele fez; eu sou uruguaio e estou com Suárez".

Quando a gente acha que a paixão nacional foi vencida pelos interesses financeiros, vem um caso desses. O futebol nunca deixa de surpreender. Ainda bem.