segunda-feira, 6 de maio de 2013

O melhor do Rio! Botafogo Campeão em São Paulo

Andam dizendo por aí que ninguém queria o título de Campeão carioca... ainda bem que eu e Seedorf queríamos!

A campanha do Botafogo na Taça Rio foi exemplar (pois é, serve de exemplo pro time dos outros também) e a final, com toques botafoguísticos, nos deu o merecido e inquestionável título de Campeão, assegurado pela prévia conquista da Taça Guanabara. Eu, como adoro uma promoção do tipo jogue dois ganhe três, adorei! Até porque, mesmo o melhor dos times pode sofrer com o imponderável e, futebol, nós sabemos, é uma caixinha de surpresas...

O que eu quero contar aqui foi a minha experiência.

Bem, para quem não sabe, meu mozão é torcedor do fla. Embora não seja do tipo chegado à carniça, ele tem aquela outra característica: só acompanha o time quando a campanha é boa (embora ele vá discordar dessa afirmação). Resultado: cancelamos o pay-per-view. Pensei que aqui em São Paulo fosse mais fácil acompanhar os jogos na Globo ou Sportv. Não, não é.
Talvez por não existir muito interesse em jogos do Quissamã ou Volta Redonda. Não sei.

Fato é que tinha que arrumar um lugar pelo menos pra ver a final! Pelo menos o flu se dignou a chegar lá porque clássico é mais gostoso de disputar e principalmente ganhar.

No sábado, aniversário de uma querida amiga super paulistana e cheia dos amigos, perguntei onde seria um bom lugar pra ver o jogo. Queria fugir do tal do São Cristóvão porque achava muito óbvio e talvez característico de torcedores daquele time que tem vermelho no uniforme e não chegou às semifinais. Um amigo sugeriu o bar O Torcedor, no Museu de Futebol, disse que lá tinha muuuuitas tevês e que era ótimo (animal! como se diz por aqui: nossa, é animal!).

Eu adorei a idéia, afinal, há quase um ano enrolo pra ir no Museu e assim matava dois coelhos... olha lá a promoção de novo!

Pra quem não sabe, o Museu do Futebol fica no Pacaembu e my love ficou com medinha de ter muito mano do curingão lá e ser violento, mesmo o jogo entre o alvinegro e tricolor paulista ocorrer no Morumbi no mesmo horário. Bem, talvez fosse sensato ponderar... então decidi: vamos no museu e se por acaso não tiver bom ou se não passarem o meu jogo, partimos pra Vila Madá.

Ótima decisão porque o museu é MARAVILHOSO! Ainda não vi tudo com calma e de qualquer forma é um local onde sempre podemos voltar pra ver jogadas de Mané e Pelé, imagens de todas as Copas e muito mais. Enfim, até pra quem não gosta do esporte, tem que ir (e passar a gostar).

Chegando no Torcedor (ao qual já tinha telefonado no dia anterior pra garantir que estaria aberto e teria o jogo passando) todas as cerca de 20 TVs estavam passando a semi-final do paulistão. Pedimos e fomos atendidos: uma TV grande sintonizou o MEU jogo (que já tinha começado há uns vinte minutos porque me prendi na teia de Garrincha) na área externa e outras na interna do bar. Sentamos do lado de fora onde a mesa era melhor. Porém, isso significava ouvir a narração e comentários do outro jogo. E isso inicialmente deu um nó no meu cérebro...

Enfim consegui ativar o modo olhos ligados, ouvidos desligados e o que vi foi uma bela apresentação do meu alvinegro. Claro que certas jogadas me irritavam, final é final, mas o que saltava aos olhos era mesmo nosso camisa 10. Incansável, perfeito. Uma lição: não basta ser guerreiro, tem que dominar a bola, ver a jogada, amar o jogo. Para quem achou que Clarence vinha ao Botafogo pra vender camisa e tirar foto... foi a prova final contrária.

Não vou me emocionar no botafoguismo porque o assunto aqui é outro: a experiência.

Apesar de ter me acostumado com o som e imagem dissonantes (as vezes coincidentes, o que é pior ainda!), não se pode comer um cachorro quente impunemente quando se assiste jogo sem narração. Cuidando pra que o molho não caísse em mim, tirei os olhos da tela e só voltei a tempo de ver Rafael Marques comemorar. Tudo bem, tem replay! E twitter, pra sentir o clima da galera, que era o mesmo que o meu: falei tão mal desse homem e estou tão feliz que ele fez esse gol... enfim, Isso é ser torcedor! Torcedora, no caso.

Bato palminhas! yes! Entre bambis e timoneiros não tinha quem abraçar. Restou-me meu urubu favorito (raramente torço por ele, que quase sempre torce por mim) e o foco na partida: só acaba quando termina.

Antes disso: gol do Fogão, mas com impedimento marcado. Tinha acabado de ver a exposição temporária: Será que foi, seu Juiz? que justamente mostrava como o ângulo de visão interfere nesse tipo de decisão, pois ilude o observador. Julguei que a câmera da TV não usou o melhor ângulo para seu famoso tira-teima. De toda forma, os jogadores estavam tão próximos que, com a TV sem som não ouvi o que o comentarista entendeu. No twitter, estávamos sendo roubados. Novidade, né? Mas a injustiça é o combustível do botafoguense, que, no fundo, gosta de ter que superar um adversário a mais.

Jogo vai, jogo vem, só acaba quando termina. Eis que vejo um belíssimo gol do menino Dória, mas me segurei antes de comemorar: parece que os gols do Botafogo não estão valendo hoje. A sensação não era pura paranóia. Vejo o juiz na área explicando alguma coisa. Peraí: foi penalty? Mas gol não é melhor que penalty (essa é a regra da lei da vantagem, assim como a entendo)? No replay só mostraram o agarrão na área, será que Dória poderia estar impedido? Que porra surreal é essa? Twitter. Gente! Não tenho som, o que tá acontecendo? Meus amigos (flamenguistas) dizem que foi lambança mesmo. O gol foi legítimo, mas o juiz apitara o penalty antes (o que não impedira o goleiro de tentar agarrar a bola) e assim ele anulou o gol e exigiu a cobrança da penalidade.

Agora vejam o que é uma pessoa que não entende nada de ser botafoguense vendo esse lance: marido pergunta: porque você não está comemorando? Se fosse penalty pro meu time eu estaria comemorando! Achei surreal a pessoa simplesmente aceitar a troca de um gol certo por uma cobrança duvidosa.

Melhor não perder tempo explicando: a gente tinha marcado um gol. Penalty não é gol. É Só penalty.

E pra piorar, nosso melhor jogador, nosso herói e mito em atividade iria cobrar. Desculpe, mas vou revelar o que se passou pela minha cabeça: o ídolo sempre perde esse penalty. Era melhor qualquer outro bater. Mas tudo bem, sempre tem uma esperança de eu estar errada - tomara! - e além do mais ainda estamos na frente.

Infelizmente eu acertei, mas felizmente tudo deu certo. Lá pelas tantas, quando o jogo paulista (que começara um pouco antes do meu) estava pausado para esperar os penalties, lá vem um bêbado se meter a ver meu jogo. Homem nunca acha que é a mulher que tá interessada naquele jogo e lá vai ele puxar papo com o flamenguense e querer mostrar que entende alguma coisa do MEU time. E eu pensando: cala a boca, bêbado idiota! Vaza. Acho que ele se tocou e vazou antes que eu precisasse falar isso.

Enquanto isso, ao meu lado, uma mulher com o filho e o sobrinho (deviam ter uns nove anos cada um) assistiam ao jogo local. Os meninos eram muito fofos, animados e torciam para o curíntia.

Título do Fogão assegurado, conta paga. Vamos ver as cobranças de penalidades e ver se vai sair confusão aqui! tô brincando, mas ali tinha torcedores dos dois times, queria ver a dinâmica.

Era um duelo entre tricolos e alvinegros. Aqueles dois meninos sorridentes e animados estavam torcendo pro alvinegro. Que se dane, vou torcer pro sorriso desses dois! Hoje não é dia de colorido!

Tudo transcorreu em paz.

As capitais são pretas e brancas. O Rio até o ano que vem. São Paulo até a final. Futebol é foda. Botafogo Campeão.


terça-feira, 30 de abril de 2013

A camisa eterna

Falar bem do relacionamento atual é fácil. Falar bem de ex é que são elas.

Pois a Olympikus fez um filme sensacional exatamente pra se despedir como patrocinadora do Flamengo e mostrou, de forma bem incisiva (e meio dolorida pra essa flamenguista aqui de assistir), que nós somos Flamengo até morrer, não importa o que vier.

Uma vez.

Sempre.




Parabéns, Olympikus. E obrigada.

=)

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Relato de uma dor de cotovelo



Quando a obra do Maraca começou, nós acompanhamos por um tempo, com relatos super legais das experiências que todos nós temos do "Maior do Mundo". Você pode relembrá-los aqui. Naquele momento nós contamos com a ajuda do querido tio Maraca, que deu também o seu relato, super emocionante.

Bom, e aqui o temos de volta. Ele teve a oportunidade de ir à inauguração do novo estádio no sábado, e nós achamos a chance perfeita para que alguém que conhece tão bem nosso velho Maraca contasse como foi esta experiência. O texto é lindo, emocionante, e triste. Mas necessário. E fica aquela dúvida no ar: como faremos agora para gritar: "O Maraca é nosso"? Obrigada, tio Maraca!

***


Agora é à vera! O Maracanã vai reabrir. O convite para a reinauguração, oferecido com gentileza e deferência já me conduz ao primeiro conflito: lisonja por ser convidado ou incômodo por necessitar de convite?



Aceito e me  entrego  a este reencontro.
Protelo a saída de casa numa clara demonstração de receio do que vou encontrar e sentir.
Paro o carro bem longe (nos primeiros sinais de trânsito complicado) e faço o resto do percurso a pé. Pra onde me dirigir? Setor Vermelho – Entrada D – Nível 1o andar – Bloco 122 – Fileira H – Assento 19... Onde diabos será isso???
Sou abordado por um sorridente voluntário vestido de verde, ainda distante do estádio, que gentilmente me oferece ajuda para me localizar no Maracanã. Me incomoda a constatação de que preciso daquela ajuda.
Com a devida informação, me dirijo para a Rampa do Beline. No caminho e com a ausência de tapumes, percebo que a “grande solução” para o escoamento do público em oito minutos (“exigência FIFA”), consiste em levar a rua para mais perto das saídas. Brilhante! O fato de concretarem o antigo laguinho e seu jardim de entorno parece não importar muito.
Mas voltemos para as passadas reticentes de um emocionado velho “reclamão”, encharcado em críticas semi-prontas, mas não menos revestidas de razão.
Encontro com a minha companhia (entre tantas merecedoras de estar ali comigo, foi escolhida a dedo). Minha filha, lindamente trajada, conhecedora dos meus sentimentos, estava pronta para me oferecer carinho, suporte e “sangue novo”.

Adentro o gigante olhando para todos os lados sem nada reconhecer,  mas aprovando  o que via. Sempre com o auxílio de inúmeros voluntários, me desloco para o endereço estampado no meu convite. Encontro todo o setor repleto e me vem uma oxigenada lufada de “déjà vu” ao receber a informação de que “- Cada um deve escolher o melhor assento vazio, pois não estava valendo o lugar marcado!”  Me senti saudosamente em casa e até esbocei um sorriso meio maroto..
Devidamente acomodado no local disponível, percebo que o estádio é deslumbrante. Cobertura monumental (impossível desviar os olhos do alto).
Cadeiras confortáveis e bonitas, em tons de amarelo, azul e branco, dispostas numa linda mistura que remetia ao degradé.
Percebo um acanhado e impecável campo, tipo “mesa de bilhar” com entorno em grama sintética. Quatro telões magníficos, som de ginásio com o devido animador (parecia jogo de vôlei), um terço do estádio ocupado por uma platéia animadíssima ( na maioria composta por orgulhosos operários e seus familiares de todas as faixas etárias).
Acendem-se as luzes cênicas para o início do show de abertura. No vazio setor central, atrás dos bancos de reservas, estende-se uma bandeirona branca para receber a projeção de imagens. E estas começam em preto e branco. Retratos da construção original do estádio. Emocionei-me lembrando do meu pai. Essas imagens em preto e branco sempre me remetem a ele, não sei bem porque.
A projeção continua com belíssimas e ufanas imagens da cidade maravilhosa e da reforma/construção do novo estádio.
Neguinho da Beija-Flor começa a entoar “...Domingo, eu vou ao Maracanã...”, acompanhado por um coral de vinte mil vozes. E sinto-me agradavelmente em casa quando o refrão reafirma a hegemonia do “Mengô”! Éramos maioria absoluta. E esta mesma maioria quase me mata de vergonha quando vaiou a Fernanda Abreu “apenas por estar mal vestida”...rs.
Alternam-se cantores trajados com as cores dos times mais populares da cidade para um sempre emocionante Hino Nacional.
O jogo começa revelando-se bem menos importante do que todas essas observações desse pretenso reencontro. Mas me vem uma dolorosa constatação. Não há reencontro! O “meu Maraca” não está mais lá! No seu lugar, ergueram um novíssimo ”Maior estádio do Brasil”. Espetacular em sua grandiosidade e modernidade. Algo como um lindo filho que vem substituir um  saudoso velho pai, adorado por todos (e que partiu ainda “inteiraço”).
Somente o tempo e as atitudes dos gestores vão mostrar se nós torcedores, legítimos donos daquele pedaço, vamos aceitá-lo e amá-lo, referendado pelas conquistas futebolísticas, como amamos e reverenciamos o nosso Velho Maraca!




quinta-feira, 25 de abril de 2013

Limite do absurdo

No momento da raiva, desabafei no facebook. A esta altura do campeonato, acho que a maioria dos interessados pelo tema já viram a reportagem que está circulando pelas redes sociais, cujo título já diz tudo: Excesso de democracia afeta organização da Copa, diz Valcke, que saiu no UOL.

"Excesso de democracia". Sinceramente, gostaria de entender o que alguém quer dizer com esta frase. Ou mais: como alguém pode dizer isto assim, como se fosse algo normal, aceitável. Pensem no mundo, nas relações complexas que vivemos. Por mais que você ache uma palhaçada ONU, defesa da democracia e dos direitos humanos (e eu tenho pena de quem não defende essas bandeiras), não é possível que os representantes da FIFA digam coisas desse tipo em público, como se não fosse nada. E não me venham com o discurso do "liberdade de expressão". Não, isso não pode ser dito assim, como se fosse um comentário de mesa de bar.

Bom, segue o desabafo do facebook, para os que não tiveram a oportunidade de ler.

E repito: que bom que incomoda a este tipo de gente reacionária e saudosista o nosso excesso de democracia. Queria que incomodasse muito mais.


Isso é tão absurdo, que deveria, no mínimo, ser condenado publicamente pelos países cujas confederações estão associadas à esta entidade. Blatter tem a audácia de falar da Copa da Argentina (1978) como se não fosse nada, uma situação até positiva, já que, em suas palavras, "Houve uma reconciliação do povo com o sistema político militar da época".

A pessoa estuda há pelo menos 8 anos a tal Copa, lê cada coisa, tenta entender como uma sociedade se relaciona com regimes autoritários através do futebol e todo esse blá-blá-blá. Escreve uma tese mostrando que tais relações são mais complexas do que a simples lógica apoio/resistência. E, em alguns momentos, até sofre vendo como seu esporte tão querido pode ter sentidos e representações macabras.

Essa reconciliação a que o Blatter se refere não inclui, imagino, o caso dos presos na ESMA que foram obrigados a sair em carro aberto após a vitória para "comemorar" o êxito nacional junto com aqueles que os torturavam incansavelmente. Durante os jogos, torturadores e torturados chegavam a se abraçar, numa lógica muito difícil de entender. Os sentidos de 1978 são inúmeros, claro, como eram as vivências naquele período. Isso é uma coisa.

Aí vem esses senhores e batem palmas para essa perspectiva de "reconciliação"? Para essa ideia de que, em ditadura, fica mais fácil? Do fundo do meu coração, gostaria que esses senhores conversassem com um familiar de desaparecido daqueles tempos. Ou com um ex-preso desaparecido, militante, exilado, e procurassem, por um segundo, escutar o que significou aquela Copa para eles. Não só a vitória da sua seleção; mas uma mistura de sentimentos, de contradições, da dor de ver o sonho da glória máxima do futebol entrar para a memória, e para a história, como a Copa da ditadura.

Talvez, só talvez, fosse um pouco mais humanos lembrar que estes eventos repercutem nas vidas das pessoas. Que muitos sofreram, perderam suas vidas naquele período, e merecem respeito. E assim ficamos ao ignorar nossos passados: somos fadados a situações absurdas no nosso presente.

Mas, apesar de todas as críticas que são feitas à organização brasileira de 2014, dessa vez eu me senti bem: Ainda bem, Valcke, que você está tão incomodado com o excesso de democracia no meu país. Mil vezes isso que sua alegria com a nosso passado ditatorial.

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Andam dizendo por aí

Após a notícia de que a Fifa estaria pressionando para a saída de Marín da presidência do COL, ficamos aguardando os desdobramentos dessa questão. Enquanto o mandante da CBF não comenta o caso (hoje publicou coluna defendendo-se das acusações de ser o responsável pelo assassinato de Herzog, em texto que considerei impossível de ler, tal o baixo nível), apenas diz que vive e respira futebol e sua missão é conquistar o hexa campeonato.

Por outro lado, o ministro dos esportes diz que não tem nada a ver com isso. Até podemos dizer que Aldo Rebelo está certo, pois FIFA, COL e CBF não são parte do governo, porém, a influência de um sobre o outro é inegável. Ruy Castro, aliás, afirma em seu espaço, que FIFA e COI ditam as regras no Brasil, considerando a manipulação de leis e do espaço público para a realização dos eventos esportivos. Aliás, essa coluna foi muito decepcionante, dada a falta de profundidade e análise do papel do governo nestas ações. Quem sou eu pra falar de Ruy Castro, né? Mas opinião é aquilo...

Bem, com tanta falta de notícia e crítica por aí (basicamente podemos dizer que nada tem acontecido, apesar do debate estar sendo ampliado), cito dois trechos da coluna de Tostão, que merece todos os aplausos pelo contundente dedinho na ferida dos podres poderes:

"O que fazem os membros do comitê da Copa? Marin troca favores, Ronaldo viaja para Londres, para fazer curso de publicidade relacionado às suas atividades empresariais, e o deputado estadual Bebeto sorri."
(...)
" Há dois tipos de futebol, quando joga a seleção. Um, distante da realidade, é o dito na transmissão das partidas pela TV Globo e repetido pela maioria. Outro, próximo dos fatos, é falado e discutido pela minoria."

In your face! Como é bom ver um ex-jogador pensando, discutindo, criticando e nos brindando com sua experiência e sabedoria. Quem nas novas gerações poderá um dia exercer tal papel?

No mais, o STJD liberou Seedaço para jogar. Vida que segue. Jefferson e Dória voltam ao alvinegro e pode ser que boas notícias venham por aí.

Até

quarta-feira, 27 de março de 2013

Futebol e Moda (?)

Um post bem luluzinha (sim, mesmo sendo apaixonada por futebol, eu ainda sou menininha às vezes).

Para os que não sabem, o São Paulo Fashion Week aconteceu recentemente (18 de março). Não sou muito de acompanhar tendenças, mas estava zapeando (juro!) e parei na GNT, onde o estilista Ronaldo Fraga estava sendo entrevistado durante o SPFW. Para quem não sabe, ele é filho de um goleiro.

Pois bem, parei pra ver. E não é que a coleção dele foi toda inspirada em futebol de várzea?! Uma coleção cheia de listras, mosaicos hexagonais e muitos escudos retrô.

Além disso, ele colocou todas as modelos com cabelo "bombril", como uma forma de homenagem aos negros, que transformaram o futebol frio e europeu no nosso futebol arte, bem brasileiro.

Eu, sinceramente, achei super legal. E se vocês tiverem curiosidade, confiram algumas fotos abaixo.


 





















Cadarcinho no niforme e escudos bem retrô!



Mosaicos hexagonais

Os sem-estádio - a missão

Todo mundo que é do mundo, sabe que o Engenhão foi interditado, ontem, e sem prazo para reabertura.

Não vou entrar no mérito político da questão (Lúcio de Castro o fez muito bem em sua coluna, confiram aqui que vale a pena!).

Rachaduras na estrutura da cobertura do Estádio João Havelange - o Engenhão

A princípio, alguns poderiam cogitar a possibilidade de culpar o Botafogo. Esta possibilidade foi prontamente descartada pelo próprio prefeito do Rio, Eduardo Paes. Mas confesso que fiquei aliviada de não ter sido o Fluminense o atual inquilino do Estádio. Aliás, enquanto nenhum time puder jogar lá, incluindo o inquilino, este ainda pagará o aluguel?

Outro ponto, já discutido, rediscutido e discutido de novo: onde jogarão os clubes cariocas? Claro que Vasco não está preocupado, tem seu super estádio, super bem localizado e não está competindo nada importante (no offense, Lívia). Flamengo e Botafogo, que usufruem do Engenhão, também não estão em competições grandes no momento, logo, Moças Bonitas da vida farão o trabalho, por ora. 

Lembrando que o Engenhão está interditado e SEM PREVISÃO PARA REABERTURA. Veja bem, SEM PREVISÃO! Copa do Brasil e Brasileirão estão logo ali! E o Engenhão, não sendo um estádio utilizado na Copa das Confederações e nem na Copa do Mundo, terá sabe qual relevância dada a ele? Não? Nem eu...

E o Fluminense, que está na Libertadores? Ahhh esse sim tem motivo de sobra para se preocupar! Temos um jogo no dia 18 de abril contra o Caracas e a possibilidade de usar a terceira segunda opção de estádio no Rio, o São Januário, ainda não foi confirmada pelo presidente do Vasco, Roberto Dinamite...

Retaliações à parte, sendo o São Januário ou Raulino de Oliveira ou Moça Bonita ou qualquer que o valha, os times do Rio perderão, para sempre, o moral para reclamar de estádios ruins e condições precárias de campo, tanto em competições nacionais (menos preocupantes), quanto nas internacionais.

Perder moral de reclamar é uma coisa que ninguém curte!

Então é Natal

Foi assim que me senti quando recebi a mensagem da Lívia hoje, me contando que minha carta tinha sido entregue.

Mas se eu contasse a história desse jeito, começando pelos finalmente, ela certamente não teria tanta graça.

Então fiquem comigo um pouco. Juro que não será tanto. Talvez não seja suficiente pra que vocês entendam o que esse dia foi/está sendo pra mim, mas vou arriscar.

Quem sabe? Fazia um tempo já eu vinha recebendo mensagens de pessoas ao meu redor indo ao jogo do Zico, estando no camarote sei lá o que com o Zico, ou indo entrevistar o Zico (tá, nesse caso só a Lívia mesmo) e eu me sentindo cada vez mais distante do sonho de eu mesma estar na presença do único camisa 10 que interessa.

Certa vez eu até fugi de uma reunião só pela possibilidade de estar perto do Zico e nem assim eu consegui chegar perto dele o suficiente pra engasgar morrer gritar eu te amo chorar que nem criança dar um oi. Apaga essa parte, vai que lembram que dia foi esse e resolvem me julgar por esse breve momento de insanidade?

Mas dessa vez a oportunidade era maior. Mais do que apenas conhecê-lo e poder ser patética ao vivo (sim, eu seria vergonhosamente patética), havia a oportunidade de entregarmos uma cópia do nosso livro a ele em mãos.

Zico.

Nosso livro.

Algo definiria um momento mais fuck yeah do que isso?

Não, claro que não. Nem adianta argumentar, qualquer argumento será invalidado automaticamente.

Mas eu não tinha um livro comigo. Ok, a vascaína (abençoada seja) tinha. Posso assinar? Pode, mas como? Calma. Vou escrever uma carta.

Isso. Vou escrever uma carta.

Pro Zico.

Merda. O que você escreve pro Zico?

Fiquei três dias com isso na cabeça. O que vocês escreve pro Zico?

Peguei papel e caneta. Isso mesmo, esquema roots de escrevinhar coisas. Olhei pra bendita folha branca, respirei fundo e escrevi de uma vez só. Sem pensar mais do que o normal, sem rasurar, sem rascunho, valendo.

Ficou bom?

Sei lá.

Ficou honesto.

Era aquilo.

Eu explicando pro Zico porque era tão importante pra mim conhecê-lo. E quantas vezes eu poderia ter feito aquilo, mas não rolou.

Carma, sua puta.

Dobrei em 3 partes, entreguei na mão do Conrado, primo da Lívia, e liberei a vascaína curiosa pra ler minhas letrinhas antes de entregá-las.

Tenta dormir sabendo que o Zico vai ler sua carta.

E ganhar uma cópia do teu livro.

TENTA.

EU TE DESAFIO.

Daí que hoje chega no meu Whatsapp assim:

"Ele leu a carta na hora. Sorriu e falou 'nossa, que legal!' E na hora de ir embora, falou: manda um beijo pra Nanda."

Sentei na minha cadeira e chorei copiosamente por uns 30 minutos. Chorei lágrimas pretas de rímel. Deveria ter escolhido a versão à prova d'água, né?

Foda-se.

É o Zico.

O Zico leu minha carta.

E achou muito legal.



terça-feira, 26 de março de 2013

2014 e o massacre do espírito das Copas

Quem costuma dar uma passada pelo Clube da Bolinha sabe que amamos futebol e amamos nossos times do coração, mas estamos sempre procurando ver além das quatro linhas, ou seja, estabelecer relações entre o esporte e a sociedade, analisando os aspectos culturais, econômicos, políticos, sociais, etc.

Como botafoguense estou ainda mais atenta às injustiças e contradições desse negócio.

O futebol não precisa ser "o ópio do povo". Acreditando nisso mantemos um olhar atento aos preparativos para a Copa de 2014. Denúncias não faltam. Tais preparativos não contemplam as vontades e necessidades do torcedor do país e da cidade, mas sim os interesses econômicos de grandes construtoras e seus amigos políticos (aqueles que pegam carona em seus aviões).

Dentro deste espírito venho retomar uma questão que não tem tido muita atenção na grande mídia, mas é divulgada diariamente nas redes sociais: a aldeia Maracanã.

Como pode ser constatado neste post, eu desconhecia a existência deste espaço de resistência dos indígenas. Para mim, o Museu do Índio era apenas um prédio tristemente abandonado pelo poder público. Porém, com a notícia da demolição do mesmo para construção de um estacionamento/shopping ou adequação do entorno do estádio para a Copa, as pessoas começaram a se manifestar e assim fiquei sabendo que desde 2006 funciona ali a aldeia, um espaço de referência para os índios no Rio de Janeiro, de preservação da sua cultura, história e tradições. Além disso, segundo relatos dos indígenas, ali viveram índios maracanãs (daí o nome), que foram dizimados há muitos anos.

A idéia dos índios era desenvolver o local como um polo de sua cultura. A idéia dos atuais ditadores da cidade, é demolir o prédio e assegurar o espaço para aumentar os lucros de alguma empresa já bilionária. É no mínimo engraçado que agora estejam se preocupando com a circulação de pessoas em dia de jogo, se até hoje o poder público não se interessou por isso! Ao contrário, ao proibir o estacionamento do entorno do estádio, antes dele ser fechado para obras, piorou em muito a mobilidade na área (mas deve ter garantido alguns trocados em multas e outros em propinas). De repente, vai ter UM jogo da copa ali e é necessário impor a destruição daquele espaço. Peraí: milhares de jogos já foram realizados ali sem que o prédio jamais fosse considerado impecilho. Quem acha estranho levanta a mão! o/

Diferente dessa luluzinha aqui, o governo do estado certamente sabia dessas atividades no antigo museu do índio. Contudo, não negociou nem conversou com aquelas pessoas, mas comprou o prédio da Conab (companhia nacional de abastecimento, dona do prédio), por sessenta milhões de reais, para realizar as tais obras.

Apesar de pacíficos, os índios não são manés de simplesmente aceitarem tamanho descaso. Resistem. Ajudados por ongs, artistas, intelectuais e desconhecidos, recusaram-se a sair. Aí veio a reação despótica: força policial.

O vídeo abaixo vale a olhada. Sinceramente, é de chorar. Na minha opinião o maior problema não é o despreparo da polícia, mas a truculência ordenada pelo poder público. A arbitrariedade.



Me lembrei de uma vez que vi um grupo de policiais no Maracanã espancando um torcedor. Pode ser que ele tivesse brigado, que tivesse roubado, sinceramente não sei. Porém, o dever do pm não é bater e sim levar para a delegacia (ou coisa que o valha). Isso se chama covardia. E dói ver que o ser humano gosta desse poder. Afinal, porque prenderam o rapaz que mostrava o "tiro de paintball"que levara? Pelo simples prazer de poder prender alguém? De poder jogar um spray de pimenta na cara de uma criança aqui, de arrastar uma grávida acolá? Afinal, quem é o selvagem?

A Copa é um evento muito importante para o brasileiro (me incluo no grupo que ama essa competição e aguarda por ela ansiosamente), vai ser legal ter o evento aqui, queremos turistas, queremos investimentos, queremos ganhar a Copa. Mas não queremos só isso. E não queremos nada disso ao custo do desrespeito aos povos nativos e nossa história.

No futebol, a rivalidade é no campo, na provocação saudável das torcidas. O jogo se ganha ali entre as quatro linhas. Na copa sentamos ao lado do tricolor, do atleticano, do rubro-negro. Torcemos juntos e até nos abraçamos quando o Brasil ganha.

Não podemos ficar indiferentes perante essa total deturpação do espírito de alegria e união nacional que a Copa alimenta em nossos espíritos.

Para nossa sorte, os olhos do mundo estão voltados para esse evento e sua tão criticada organização. Isso pode despertar alguma vergonha na cara dos senhores que defendem este projeto de shoppingcenterização da nossa amada cidade.


O bom profissional

Pelo título, o leitor poderia imaginar que estaríamos falando de Seedorf, nosso amado e inspirador atleta. Porém, não é o caso.

Quero hoje falar sobre a confusão que ocorreu no último jogo do Fogão, onde o árbitro foi a figura que mais apareceu, mais do que qualquer jogador ou técnico ou até mesmo a torcida (sendo considerada com um único personagem).

Claro que este fato se deve ao nível não tão bom da partida, mas, acima de tudo, ao alto nível de lambança e mau uso do "poder" do juizão. Este profissional deveria ser uma espécie de "fiscal", verificando se as regras estão sendo cumpridas, garantindo sua aplicação e punindo eventuais desrespeitos à mesma. Sua função não supõe invencionices.

Eu acho engraçado como muitas vezes vemos jogadores revoltados gritarem os maiores impropérios para árbitros e auxiliares e não serem punidos com cartão algum. Apesar disso, Seedorf, que já fora punido por reclamação, recebeu um segundo cartão pelo mesmo motivo! Bem, se isso não é querer aparecer, não sei mais o que é. Sem contar a lambança do sr. Philip Goerg Bennett em querer definir por qual lado o jogador deveria sair para ser substituído, quando o mesmo não encontrava-se relacionado para sair da partida!!

E assim, após 800 partidas, Seedão ganha um vermelhão...

não é por isso que vamos colocar uma foto triste, né?


O Caio Araujo, do blog do GE.com (que conheço de vista das arquibas) já explicou com detalhes todos os erros e mentiras deste senhor, então dá uma lida aqui.

Este post é/era na verdade para falar de uma forma mais geral sobre a natureza da profissão de árbitro de futebol.

Tendo trabalhado durante muitos anos no mercado de iluminação cênica (e meu pai antes de mim e até hoje) e pela minha natureza curiosa e estudiosa, sempre prestei muita atenção a este aspecto em qualquer local (seja numa peça, num show, e até mesmo em lojas e restaurantes).

Vamos usar aqui o exemplo da iluminação no teatro pra facilitar a análise. Embora haja um lado artístico neste trabalho, de maneira geral, quando se trata de palco (e o campo nada mais é do que um grande e verde palco), quanto melhor o iluminador, menos se percebe a presença da luz (aos olhos do leigo, claro). Se a luz aparece muito, é porque ela está desconectada do espetáculo, não está contribuindo para revelar suas melhores qualidades e servir à narrativa. Uma iluminação muito bem feita não é senão mais um dos elementos que, combinados, dão sentido à história e tocam o espectador através de seus olhos e ouvidos. Se o espectador "comum" percebe a iluminação, muito provavelmente ela se descolou daquele universo e por isso chamou sua atenção, mesmo que seja considerada bonita.

Bem, eu diria que a boa arbitragem é como a boa iluminação: quanto menos se nota, melhor é. Claro que temos comentaristas especializados e tira-teimas para esclarecer marcações mais polêmicas. Existem aqueles casos de impedimentos milimetricamente definidos em que, sinceramente, não sei porque não podemos utilizar a tecnologia para garantir a melhor aplicação da regra quando, obviamente, o erro ou acerto depende mais de sorte do que de precisão técnica.

Contudo, não estou falando destes casos mais complicados e sim do simples fato de que quando o assunto mais comentado sobre uma partida é a arbitragem, não tenho dúvida alguma de que o árbitro não fez um bom trabalho.

Torçamos para que no próximo jogo possamos falar sobre jogadas e gols maravilhosos, e não expulsões e penalties e não penalties confusos.

quinta-feira, 21 de março de 2013

Entre receitas, hinos e rodízio de técnicos.


Surpreso, ninguém ficou.  Com a demissão do Gaúcho, claro. Sobre a derrota, vou me poupar aqui, tudo bem?

A teimosia do técnico em manter um time que não dava certo, sem tentar inovar, procurar outros caminhos, realmente não terminaria bem. Mas também me pergunto: que outros caminhos seriam esse?

Numa entrevista sobre a demissão de Gaúcho, René Simões fez uma comparação entre o cozinheiro de seu restaurante e o técnico. Bom, vou dialogar na mesma lógica e minha metáfora vai num ambiente que entendo mais, a educação. Pensemos, então, no assunto dos momento: as redações do ENEM sobre o hino do Palmeiras e a receita de miojo.

No facebook, li muitos comentários sobre a capacidade dos profissionais que corrigiram as provas. De que a educação brasileira é um lixo porque nossos professores são um lixo, ora. A lógica simplista –e, claro, injusta- que acalma os gritos, mas não resolve nada.

Não quero entrar aqui na questão do sentido destas redações, nem na qualidade dos jogadores vascaínos ou sua vontade de jogar. Minha metáfora procura trazer outro problema: a arte de culpar sempre quem está mais visível, sem se preocupar com toda a estrutura que está por trás. O MEC poderia se inspirar na diretoria vascaína e demitir todos os professores que corrigem as redações. E, no ENEM seguinte, o fariam novamente, já que o problema não seria resolvido assim. Como não é no Vasco. Minha metáfora aqui quer a resposta para uma pergunta simples: quantos técnicos mais vão cair até o clube resolver parar com a palhaçada e olhar seus problemas de fato? Parece que ainda vamos aprender muitas receitas e cantar outros hinos por aí.

terça-feira, 19 de março de 2013

O Papa é "cuervo"

Todo mundo escutou muito neste último mês a referencia "O Papa é pop". É, mas no final das contas, o Papa é cuervo, ou melhor, ele é San Lorenzo. Primeiro Papa latino-americano, tantas críticas de um lado, tanta festa do outro. Mas uma coisa é certa: Francisco, como ele mesmo escolheu, é um Papa futeboleiro. Pra quem diz que futebol, religião e política não se discutem, parece que ele veio para mudar esta lógica. 


Foi uma das primeiras coisas que os argentinos gritaram: "nosso Papa tem time!". Um fanático do San Lorenzo de Almagro, clube da capital Buenos Aires, do bairro de Boedo. A história do clube já começa na Igreja: foi fundado pelo padre Lorenzo Massa, em 1908. Antes da escolha do novo Papa, o mais famoso torcedor do clube era o apresentador e atual vice presidente Marcelo Tinelli, que apresenta a versão argentina do "Dança dos Famosos" (com um bom acréscimo de erotismo), o programa mais assistido do país. Agora, a nova estrela é o líder máximo católico.

O Papa Francisco é um torcedor atuante: reza missas na sede nos aniversários do clube, tem camisa, bandeira, e mostra ao mundo seu coração vermelho e azul. Se os torcedores do ciclón, como o clube é chamado, estão em festa, imaginem só a diretoria: ter o escudo no Vaticano vai trazer benefícios incalculáveis para os caixa do clube. 

E, como não podia ser diferente, os rivais não perderam a oportunidade: andam dizendo por aí que só assim, só com a ajuda divina para o San Lorenzo conquistar um título internacional de peso.